Arquivo mensal: julho 2014

Bandas independentes

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Sempre foi uma guerra lançar discos no Brasil. Ainda mais se o som não é moldado de acordo com as preferências mercadológicas. Nenhuma novidade nisso. Lembrei da questão por conta da vinda da banda Velhas Virgens para Guarapuava. Essa é uma das maiores, senão a maior, bandas independentes do país. O mais recente disco, lançado esse ano mesmo, contou até com contribuições de fãs, pelo que eu soube. Mais independente, impossível. E é uma banda que tem público próprio e fiel. Uma banda de ROCK com R maiúsculo, na sonoridade, na sacanagem e na diversão. Ouvindo rádios ou assistindo programas populares de TV, é até fácil entender porque bandas como as Velhas, e outras tantas e tão boas que temos por aí, simplesmente não encontram espaço. O som que rola na grande mídia é todo limpinho, asséptico (para não dizer acéfalo), com carinhas bonitas e muito marketing. Fofura total, poses programadas e entrevistas forçadas. O “seja você mesmo” saiu de linha. É uma tendência que foge da música e invade outras tantas áreas. Enquanto isso, os sons mais honestos vão ficando pelo caminho, sem que se faça qualquer esforço para trazer de volta algo de positivo na música exposta na mídia. O cara entre na música para ficar famoso, antes de tudo, não para fazer… música! É um negócio meio esquisito isso! Cantam em programas de jurados, com vozes ok, mas conteúdo zero, e com incompleta capacidade de compor algo que preste. Esquecidos em pouco tempo, provavelmente pagam para não sair das revistas de fofocas (até porque revistas de música também andam rareando).

Enfim, é mais um desabafo… não que isso vá mudar, assim como não foi apanhando de 7×1 que o futebol brasileiro terá mudanças alguma mudança em sua estrutura.

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Velhas Virgens em Guarapuava

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E põe Velhas nisso! Banda paulistana na ativa desde a segunda metade da década de 80, com um som roqueiro fortemente calcado no blues, aterrissa agora em agosto em Guarapuava, para nos brindar com sua baixaria politicamente pra lá de incorreta. Moralistas, passem bem longe!

Regis Tadeu, um dos grandes jornalistas musicais do Brasil, define o grupo da seguinte forma:

“No Brasil, ninguém personifica o delicioso lado cafajeste do rock n’ roll como esta banda. Tudo bem, de vez em quando a coisa descamba para a baixaria pura e simples, mas não deixa de ser engraçado ver/ouvir um desfile de ofensas e pensamentos politicamente incorretos contra tudo e todos. E os caras ainda por cima tocam bem dentro da proposta de som. Pode ser muito divertido ou muito chocante. Vai depender da sua moral e de seu bom humor. Ou da ausência de ambos…”

E aí, vai encarar?

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Informações, com Pallco Produções.

 

Metallica e Iron Maiden há 3 décadas

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Há 30 anos, tivemos dois lançamentos primorosos no mundo metal.

O Metallica colocava no mercado o seu segundo trabalho, Ride the Lightning. Entre os melhores da banda, certamente (particularmente, meu segundo favorito da banda). Havia uma clara evolução nas composições, em relação ao agressivo primeiro disco, e uma das faixas mais legais é essa abaixo aí, For Whom The Bell Tolls:

Outra gigante do metal, Iron Maiden, já estava em seu quinto disco, o absurdamente clássico Powerslave, com, possivelmente, a melhor capa da história da banda! São 8 faixas carregadas de peso e musicalidade, com grande performance de todos os integrantes, neste que considero o fim de um ciclo na carreira do Maiden.

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Fique com Losfer Words (Big ‘Orra), faixa instrumental de Powerslave, abaixo!

Master of Reality – BLACK SABBATH

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Há 43 anos (e um dia) era lançado o terceiro bolachão da banda que inspirou 99% dos grupos de metal que viriam depois (até porque o Sabbath praticamente inventou o estilo). Ozzy Osbourne, vocal, Tony Iommi, guitarra, Geezer Butler, baixo, e Bill Ward, bateria, são os responsáveis por este grande momento da banda.

Master of Reality foi lançado em 21 de julho de 1971, sendo o terceiro disco em menos de um ano e meio. Eles eram extremamente produtivos nos primeiros tempos, além de absurdamente inspirados. O Master é um disco que vem com uma produção bem mais suja que os anteriores (Black Sabbath e Paranoid), e com um punhado de músicas que se tornaram clássicos do rock.

São cerca de 35 minutos de som, apenas. 35 dos melhores minutos do rock setentista, certamente. O álbum abre com a clássica tosse do guitarrista Tony Iommi, antecedendo a porradaria que dá o tom de Sweet Leaf, “folha doce”, que trata, obviamente, da erva favorita dos doidões: a maconha. A faixa seguinte, After Forever, é das mais inusitadas da banda, já que se trata de uma espécie de defesa da religião (e do Papa!). Conhecendo o contexto em que ela foi escrita, é até compreensível. Grupos satanistas seguiam a banda em shows, causando verdadeiro pânico no quarteto de Birmingham (Inglaterra), que tentou se desvincular desses grupos, diversificando os temas das músicas e simplesmente deixando o lado mais sombrio de lado. Ao menos, até certo ponto, pois neste mesmo disco há um pouco de ocultismo.

Passado o surto religioso, temos uma pequena faixa instrumental intitulada Embryo, rápida e sinistra, que serve como abertura para o próximo clássico, Cildren of the Grave, hino obrigatório até hoje nos shows da banda. A letra volta a tratar de guerra, a exemplo de War Pigs, e traz Bill Ward absolutamente inspirado, com uma forte batida de bateria.

Estamos na metade do disco, o que geralmente significa que o melhor já passou. Pois bem, não é o caso aqui, pois caminhamos para Orchid, mais uma faixa instrumental de Iommi, acústica e singela, que abre caminho para uma porrada: Lord of this World, cujo tema é… possessão! Fim da “singeleza”. Além do tema pesado, a música em si arrebenta tudo, entrando com um riff pesadão de guitarra, além da bateria quebrando tudo! O Ozzy parece realmente possuído nessa faixa, com um vocal doentio, levado pelo ritmo da música, boa pra bater cabeça.

Para dar um descanso aos ouvidos (mas não à alma), a sétima faixa é Solitude, uma música em que muita gente chegou a pensar que fosse cantada por outro integrante, de tão diferente a voz do Ozzy aqui. Muito mais grave e contida. A canção é arrastada, em um tom bem baixo, e triste de fazer palhaço se jogar no abismo. Não recomendo para depressivos. Mas eu adoro essa música!

Fechando o disco, Into the Void! Uma música que, para mim, define e resume o Sabbath com perfeição: riff pesado e criativo, ritmo poderoso entre guitarra, baixo e bateria, uma abertura magistral, e a voz de Ozzy rasgando tudo na sequência! Pesada, suja, destrutiva. Tudo que o metal nunca deveria deixar de ser! Um fechamento perfeito para uma era do Rock.

Redeemer of Souls – JUDAS PRIEST

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A jurássica e imortalmente clássica banda Judas Priest lança seu mais novo disco, intitulado Redeemer of Souls, o décimo sétimo álbum de estúdio de sua longa, longuíssima carreira. Não sei se redime o grupo perante os fãs, mas eu particularmente estou gostando bastante. A crítica musical é de uma subjetividade atroz. Se o crítico acordar de mal com a vida e fizer uma resenha de disco ou filme nesse dia, a impressão causada pode ser bem diferente da que poderia ter ficado em um dia melhor. Resenhar discos de bandas clássicas, então, deveria ser terminantemente proibido. Como não é, vamos nos divertir um pouco!

Bem, isso não é exatamente uma resenha, pois não me sinto suficientemente capaz de construir uma. O que tenho a dizer é que o novo trabalho é entulhado dos clichês mais clichezentos do heavy metal clássico. Está praticamente tudo lá: riffs antológicos, bateria ensandecida, peso e ritmo caminhando de forma harmônica, além dos gritos de praxe. Gritos estes que, naturalmente, não são os mesmos de outrora. Rob Halford praticamente perdeu seus agudos, mas continua mandando muito bem nos graves, além de arriscar uns bons gritos na terceira faixa da bolachinha, Halls of Valhalla.

Bem, se é tudo clichê, o disco é uma bela bosta então, correto? Não, não é. Para este que vos escreve, ao menos, não. A primeira impressão até não foi das melhores. A produção me pareceu abafada, Halford não empolga mais, e as músicas parecem um caso patológico de autoplágio. Porém, à medida que fui ouvindo o disco, em um volume digno de metal, senti que a banda está em forma, mantém a qualidade e continua capaz de arrepiar o ouvinte! O disco é, em geral, muito gostoso de ouvir, até viciante. Sem dúvida, muito superior a vários lançamentos de bandas novas que tentam inovar e conseguem apenas se afastar do estilo. É evidente que os caras estão mais velhos, com menos disposição e criatividade, e reciclar ideias parece o caminho natural, na insistência de se manter a banda na ativa. Mas isso não chega a ser demérito. Há muita dignidade no trabalho, e creio que irá alegrar ouvidos menos frescos. De qualquer forma, para os puristas do metal, o disco é uma maravilha, pois trata-se apenas disso: heavy metal. Exatamente aquele que o Judas ajudou a criar, com todos os clichês e idiossincrasias.

Hob Halford é um dos caras mais íntegros do rock, e adapta as canções de forma a manter a qualidade vocal, fugindo dos agudos e de canções rápidas. Natural. Poucos chegam à idade dele com esse nível de produtividade. Nada a reclamar. Eu me limito a agradecer! 🙂

Daniele Krauz

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Daniele Krauz é cantora profissional há quase 20 anos, compositora e professora de canto, com graduação em História e especialização em Língua Inglesa e Educação Superior. Tem uma empresa, a Essencial Ensino, que conta com cursos de Inglês e Espanhol, além de aulas de técnica vocal.

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Embora não tenha nenhum disco lançado, já gravou com outros artistas e tem músicas próprias e covers em suas páginas na Internet. Bastante requisitada em Guarapuava para cantar MPB, Daniele é, antes, uma grande fã de rock e heavy metal. Chegou a ter uma banda, chamada Sophia, que teve apenas uma faixa concluída, Harmony (clique aqui  para ouvir), no estilo de vocal operístico e climas épicos de bandas como o Nightwish, mas não houve sequência.

Canta também em uma das faixas do trabalho de Alexandre Leocádio, Na Terra do Visconde, como já comentado neste blog. Ela interpretou “A Onça Dança”.

Bom, mas vamos às suas referências musicais. Ela adora hard rock. Sons como Queen, Whitesnake, Dio, Led Zeppelin, Pink Floyd, Jorn, Kamelot… dá para ter uma noção do gosto musical, né? Também gosta muito de blues (por sinal, vem aí um projeto nesse estilo, com Daniele, Leocádio e o Cleiton Vicentim, que acompanharemos, naturalmente). Antes disso, ela começa a gravar um EP autoral de heavy metal.

Um lado muito interessante do trabalho de Daniele Kraus é o Projeto Social Libertarte, em que jovens de baixa renda recebem aulas gratuitas de idiomas, técnica vocal e, eventualmente, violão. O projeto pode ser visitado aqui.

Projeto Social Libertarte

Projeto Social Libertarte

Neste link, você pode ouvir covers (tem Ozzy, Nightwish…) e canções de punho próprio da artista. Muito bom material!

Sua página oficial no Facebook é https://www.facebook.com/danielekrauz.com.br?ref=bookmarks

Canal no Youtube. https://www.youtube.com/user/danielekrauz

Lazaretto, novo CD de Jack White

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Lazaretto é o título do novo trabalho solo do guitarrista Jack White. O líder da extinta banda White Stripes continua em plena forma, com um conjunto de excelentes músicas neste que é seu segundo disco solo. É um trabalho desconcertante, diversificado, muito bem tocado e arranjado, extremamente criativo, e difícil de entender na primeira audição. Há óbvios elementos de rock, blues e coutry, misturados ao experimentalismo dessa salada.

Mas indico, de cara, a quarta faixa, “Would You Fight For My Love?”, uma espécie de balada sem pieguismo. Bem a cara do White. Há uma boa dose de experimentalismo no disco, o que pode afugentar ouvidos mais acostumados aos convencionalismos fonográficos, mas que certamente agradarão mentes abertas e ensolaradas.

São 11 faixas distribuídas em menos de 40 minutos, mantendo um padrão do artista, de fazer muito em pouco tempo. De nada adianta entupir um disco de músicas mais ou menos, salvando-se duas ou três boas faixas. Jack quase sempre fez músicas curtas e discos concisos. Direto ao ponto. Parecendo saltar dos anos 70 para os nossos tempos, ele não apenas recicla o que se fazia de bom no período, mas adiciona aqui e ali um tempero mais moderno, com altíssimas doses de belas melodias e arranjos intrincados. Os clips também continuam criativos e plasticamente interessantes. As letras seguem altamente psicodélicas, combinando com o tom multicolorido e maluquete das composições e com as vocalizações já clássicas do doidão.

Lazaretto sai também em disco de vinil, luxuoso e bem trabalhado, trazendo inovações tecnológicas para o formato. É possível, por exemplo, ver uma espécie de holograma quando o disco gira. O vinil voltou com força, é item de colecionador, os audiófilos adoram, e Jack White combina muito bem com o formato, pois traz uma sonoridade “antiga”, em que pese o uso que ele faz da tecnologia, sempre a favor do som. Pessoalmente, considero-o o maior nome do rock dos anos 2000. Vale muito a audição! 🙂

P.S.: ah, e se tua ideia não é comprar o CD ou o vinil, mas bateu a curiosidade… é claro que no Youtube é possível encontrar o disco completo. ehehe,

Dave Lombardo em Guarapuava

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1/4 do Slayer estará em Guarapuava para um “Workshow”. Não sei exatamente o que é isso. O que sei é que esse é um dos bateristas mais importantes da história do rock e, certamente, o melhor do thrash metal.

O Slayer, todo fã de rock sabe, é um dos alicerces do estilo Thrash, com seu ritmo violento e letras apocalípticas e nada cristãs. Considerado o “padrinho do bumbo duplo”, inovou na forma de tocar bateria, e é inspiração para zilhões de novos bateras mundo afora. Sua saída do Slayer não foi bem explicada nem digerida até hoje.

Então, dia 26 de agosto, prepare-se! Dave Lombardo quer conversar com você! 😀

Dave lombardo

Dave lombardo

 

Aproveito para postar um vídeo que mostra o gênio em uma incursão ao vivo, tocando a track slayeriana que eu mais gosto: Hell Awaits!

Quem são os culpados pela derrota no Mineirão?

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É fácil, é prático, é gostoso culpar. Bodes expiatórios, ídolos que se tornam monstros, burros, estúpidos. A culpa é do Felipão, por ter entrado com Bernard, em vez de colocar três volantes. É do David Luiz, por não ter evitado o primeiro gol alemão. É do colombiano que quebrou o Neymar, pois com Neymar logicamente o Brasil ganharia de 7. É do Thiago Silva, por ter levado aquele cartão estúpido e ficado fora do jogo de hoje. É da Dilma e do PT, claro! Dilma, que derrubou o viaduto de BH, e agora enche a rede de Julio Cesar de gols.

Bem, parece que quase ninguém pensa, lembra ou sabe que a Alemanha, o verdadeiro país do futebol, é exemplo mundial do trato à bola e de tudo o que se refere à ela. Responsabilidade fiscal, jogos sempre lotados, campeonatos vistosos e lucrativos, categorias de base sérias, com planejamento, metas, trabalho forte em fundamentos. Bem diferente do que vemos por aqui. Clubes quebrados, sempre devendo os tubos, formação medíocre de atletas, treinadores desatualizados, dirigentes bandidos, esquemas e mais esquemas para levar cartolas e empresários à riqueza. Aqui onde temos empresários de jogadores travestidos de técnicos de futebol (Mano Menezes, Luxemburgo, para citar dois bandidos notórios). Aqui, onde temos um grupo de jogadores que criaram o Bom Senso FC, constantemente malhados por dirigentes filhos da puta, que preferem manter o status quo de degeneração total do futebol brasileiro, em vez de tentar tirá-lo da lama. Onde uma Globo da vida define horários de jogos e tabelas de campeonatos. Onde torneios inúteis, como os estaduais, tomam boa parte do já socado calendário, permitindo um festival de jogos absolutamente inócuos, que ninguém mais aguenta assistir.

A CBF, Casa Bandida de Futebol, dominada pela escória da sociedade, pelos Teixeiras e Marins da vida, com a anuência de presidentes dos grandes clubes e a conivência de governantes de todos os partidos. Por mais que a Dilma nunca tenha se aproximado dessa gente, ela recebe a HERANÇA MALDITA de Lula, que não via nenhum problema em posar para fotos ao lado do Rico Terra, e que nunca moveu um único dedo para tentar deter a promiscuidade no futebol brasileiro.

O brasileiro hoje sente uma puta vergonha. Foi a pior derrota da Seleção em todos os tempos. Mas foi mais que justa. Premia uma seleção que vem de um longo e correto planejamento, e destroça uma equipe que foi formada de qualquer jeito, vítima de tudo isso que coloquei acima.

É, o Felipão cometeu um erro estúpido em querer jogar de forma ofensiva contra uma equipe técnica e emocionalmente muito superior. Errou em convocar quase só jovens que talvez não aguentassem a pressão (e não aguentaram mesmo). Mas ele mesmo é vítima de um sistema que leva o esporte nacional ao abismo. Não só o futebol. Em 2016, passaremos vergonha novamente, nas Olimpíadas. Aí sai Marin e entra Nuzman. E a roubalheira e a falta de vergonha continua. Vergonha, só na cara dos atletas, que muitas vezes são apenas a ponta de um esquema que começa lá em cima, de forma praticamente invisível. É neles, muitas vezes, que toda a raiva é descontada. O Marin e o Ricardo Teixeira vão dormir tranquilos hoje…