Rock politizado

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Bem, bem, estamos aqui mais uma vez, vivendo esse insano período eleitoral, em meio a uma duríssima guerra de dois grupos bem distintos. “Coxinhas” de um lado, “petralhas” de outro, e fico aqui pensando… há política no rock?

O rock´n´roll, a rigor, é um estilo musical extremamente político, ao menos no sentido das mudanças culturais e comportamentais geradas através de suas letras e riffs. Tradicionalmente, vemos o Punk Rock como um subgênero mais politizado, com letras claramente inspiradas em questões políticas. Uma banda que mostra um trabalho muito interessante nesse sentido é a System of a Down. Embora os integrantes normalmente se recusem a explicar suas letras, elas são bastante ácidas, demonstrando um ativismo (infelizmente) incomum no rock atual. Algumas delas tratam da política da Armênia, país de origem de seus integrantes.

Mas há roqueiros de perfil bem conservador, também, por mais que isso pareça um pouco contraditório (como é possível ser do rock E conservador ao mesmo tempo?). Eis, abaixo, quatro mestres do estilo que provam a tese (o que não os torna menos geniais, deixemos claríssimo)*:

Elvis Presley
Quem apoiou: Richard Nixon
Prova de admiração: defendia a cruzada do ex-presidente republicano contra as drogas e chegou a fretar um avião para visitá-lo na Casa Branca.

Neil Young
Quem apoiou: Ronald Reagan
Prova de admiração: o roqueiro foi seu cabo eleitoral de primeira hora e até hoje enaltece as suas realizações.

Johnny Ramone
Quem apoiou: Ronald Reagan, George W. Bush
Prova de admiração: para horror de seus colegas esquerdóides no Ramones, o guitarrista era um conservador. Na festa de entrada da banda para o Hall da Fama, cobriu Bush de elogios.

Megadeth
Quem apoiou: George W. Bush
Prova de admiração: o CD da banda “United Abominations” acusa a ONU de “terrorismo” e defende as intervenções americanas no Oriente Médio.

*Fonte: Roqueiros conservadores: a direita do rock na revista Veja http://whiplash.net/materias/curiosidades/064627-megadeth.html#ixzz3HH5UYdYH

Do outro lado da fronteira ideológica, temos algumas bandas bem interessantes também**:

Rage Against the Machine

Nao é um primeiro lugar, mas até poderia ser pois RATM é uma banda com sonoridade incrível, usando o rock pesado, com rimas de RAP e pegada funk, uma explosão sônica e visual.

Dreads rastas, anticapitalismo explícito, e propaganda esquerdista no visual “quase” poser, um panteão onde se misturam Che Guevara, Sendero Luminoso, CCCP, Boinas Cubanas, Estrelas Vermelhas e Figurino Maoista.

The Clash

Putz, o que falar do The Clash que já não tenha sido dito. O “do it yourself” aliado a uma postura artística e musical sem fórmulas prontas…
Lançaram discos duplos, triplos, tocaram valsa, polka, latinidades , eletrônica, dub, reggae e rock é claro…

Joe Strummer e Mick Jones são eternos, e até mesmo o fim da banda e a impossível volta, ajudam no mito da banda, que é top e reconhecida no mundo todo.

Manic Street Preachers

Os galeses do Manic Street Preachers são bem populares desde o início dos anos 90, tanto pelo som quanto pelas polemicas com a mídia e o foco esquerdista.

Nas composições, tinham como principais temas a política e a crítica social, chamados inclusive de grupo socialista punk retro.

Numa segunda fase como trio, em meio ao auge do sucesso, dedicaram a canção “Baby Elian” no caso de Elian, o menino cubano levado para os Estados Unidos sem o consentimento do pai e foram lançar o disco no Teatro Karl Marx, em Havana. Transformando o Manics na primeira banda ocidental a se apresentar na ilha socialista, e ainda com Fidel Castro na platéia, que antes do show foi avisado que seria barulhento, e deu como resposta … “Não será mais barulhento que a guerra”.

Pearl Jam

O quinteto Pearl Jam chegou já forte no primeiro disco, mostrando o peso e lirismo que marcaram toda carreira. Mas além das canções com pegada roqueira, Eddie Vedder e banda, se tornaram notados pela sua recusa por aderir às tradicionais práticas da indústria musical, incluindo a recusa em produzirem videoclipes, transmitirem shows ao vivo e o engajamento que virou boicote contra a Ticketmaster.

Além da postura anti sistema, foram fundo na política, criticando abertamente a Era Bush, a Guerra do Iraque e toda repressão pós 11 de setembro, virando campeões dos direitos humanos e ativistas pró Obama nas eleições.

New Model Army

Quando vi os caras no fim dos 80’s no falecido Dama Schock, chamou a atenção ter recebido as letras traduzidas na entrada para o show, afinal eles queriam mesmo que a moçada soubesse o que estava rolando nas canções, a mensagem era o mais importante.

Para uma legião de fãs, o New Model Army é uma das melhores bandas pós-punk que o Reino Unido produziu, pegada “street” do punk e engajado fervor político. Com canções anti monarquia aliadas ao folk urbano de protesto, criaram mesmo um som original.

Foram barrados pelas letras e postura de entrar nos Estados Unidos nos anos 80, mas pela integridade conquistaram fãs em todo mundo.

** Fonte: http://www.vishows.com.br/2013/05/26/10-bandas-de-rock-super-politizadas/

O rock esteve à frente em revoluções sociais e comportamentais, mas perdeu força em alguns momentos, perdendo espaço para gêneros mais combativos. Exemplo clássico é o Rap, que tomou de assalto a juventude, com com letras contundentes e diretas. Racionais MC´s descreve a realidade das comunidades pobres com muito mais precisão que qualquer grupo famoso de rock, no Brasil.

Mesmo a música pop, vez ou outra, mostra alguma inclinação ideológica. Cito, por exemplo, a Lady Gaga e sua ferrenha defesa da comunidade LGBT, e a feminista Beyoncé. E aqui vai uma provocação… feminismo também é a linha destacada por uma funkeira cada vez mais conhecida, a Valeska Popozuda, com a sua já clássica “Beijinho no Ombro“. Podem xingar à vontade, mas a atitude dela é muito mais rock´n´roll e corajosa que a de roqueiros já mofados e sem conteúdo, como o Lobão e o Roger Moreira, que há tempos não lançam nada relevante, prestando-se mais a xingar muito no Twitter, com pérolas do obscurantismo despolitizado.

Mas não desanimemos. Os Titãs fizeram um disco bem interessante, recentemente, e ainda temos um gigante como Roger Waters, ex-Pink Floyd, talvez o último grande ativista do gênero. Voz crítica da da sanguinária política israelense, ele é um militante em tempo integral, o que dá um sentido diferenciado à sua arte.

Para concluir, acredito na força da arte, e especialmente na força do artista que consegue exprimir seus sentimentos a sua ideologia através da arte, seja qual for. Música é tudo. Se tiver conteúdo, vai ainda além… 😉

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