Arquivo mensal: dezembro 2014

Rock e Pop em Gorpan City

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Meio ano de BRÓGUE. Meio ano de Gorpa Music. Foi uma boa maneira de conhecer novos sons, e de perceber que há vários bons artistas em Guarapuava. Gente que acredita no som autoral. Gente que pesquisa novas sonoridades. Gente que vive a música pela arte. E, claro, gente que vive a arte pela grana, mas enfim… é parte do processo.

Nesses tempos tão monoculturais, onde o sertanejo predomina de forma aviltante, à base de jabás e artistas cada vez mais genéricos, fazer algo minimamente diferente é atemorizante. O rock, que nunca morreu nem morrerá, tem lá o seu conservadorismo (cada vez mais, eu diria, o que surpreende, pela história do estilo, que mudou a cultura, o vestuário, os hábitos de gerações), e lida com uma situação dúbia, em que é estruturalmente parte de um sistema já definido, mas luta para se manter na trincheira, em desigualdade absoluta com ritmos ditos populares, estes que invadem as rádios e tevês mais comerciais do nosso país.

E é nessas trincheiras que a gente nota algumas coisas muito interessantes. Há gente boa pra caramba no nosso meio musical. Bons músicos, ótimos instrumentistas, alguns poucos bons vocalistas, e compositores talentosos. Claro que ser um ótimo instrumentista não torna ninguém necessariamente um sucesso da noite pro dia, assim como nem todo compositor criativo será compreendido de cara. Nem levanto essa hipótese, pois sabemos bem o que vende e o que não vende hoje em dia.

Mas a nossa cidade tem sido pródiga na arte de revelar talentos, em geral ainda escondidos nas cavernas da música underground, com pouco público e muito suor. São pessoas que não vivem da música. Que estudam e/ou trabalham, que dedicam seu pouco tempo livre para a música, para uma banda, para novas composições… creio firmemente que a quantidade de esforço empregado tem bastante a ver com o sucesso coletado, embora isso nem sempre seja verdade.

Em geral, bandas novas não contam com pessoas que as gerenciem. E os empresários da área musical, creio que de uma forma geral, com algumas felizes exceções, visam exclusivamente o lucro, investindo mesmo na monocultura. Sertanejos e funkeiros recebem muito mais atenção midiática, e acabamos nos deparando com situações grotescas, como as vistas naquelas eleições de melhores do ano de um certo programa dominical que nos atormenta em uma grande rede de televisão.

Tive a felicidade de conhecer várias boas bandas por aqui. Algumas das quais eu imagino que já teriam sido descobertas, se vivêssemos em outra época, talvez. Temos pelo menos uma banda que já quebrou várias fronteiras, a Kingargoolas, com sua surf music poderosa e de grande qualidade. Provavelmente a banda mais ativa da região nos últimos tempos, com um grau de reconhecimento bacana. Temos a Ultra Violent, com sua sonzeira pesada e personalíssima, que deve lançar algum EP em breve. O show dos caras é presença total. Cito a Bup & Roxetin, com sua verve Raul/Legião, mas sem parecer cópia de nada. O show é ótimo, e já coleciona hits locais. Músicas autorais aprovadíssimas pela audiência, e já conhecidas de público roqueiro de Gorpa. A Sexplose também vem se destacando, ainda com poucas, mas boas músicas próprias, que soam realmente muito bem. Ainda cito o diferenciado projeto A Traça do Mestre Graça, voltado ao público infantil, com o segundo disco a ser lançado em breve. Alexandre Leocádio é um compositor extremamente prolífico. E o que dizer da Trupe do Disco Voador, outra banda nova, mas que também já demonstra uma personalidade única, com um som cativante e grandes sacadas? Temos a Daniele Krauz, excelente vocalista, com seu primeiro EP – quatro ótimas músicas de um metal com sabor nórdico. O Tiago Mosh, guitarrista respeitadíssimo na cidade, lançando seus primeiros singles – ótimos números instrumentais. A Lukewarm, com sua sonoridade pesada e lisérgica. Slug Killer, com uma monstruosa presença de palco, ainda com pouco material próprio, mas trabalhando firme nisso e com um grande potencial. E por aí vai… há dezenas de bandas e projetos rolando por aí. Centenas, talvez.

E, claro, há os apoiadores. A banda Desert Eagle, com seus sempre excelentes festivais. A Maquinária, revelando talentos e lançando novas bandas. Os irmãos Küster, da Heaven, também com um festival já lendário na região. A Pallco, trazendo ótimos eventos e movimentando a cidade de uma forma que simplesmente não ocorria até bem pouco tempo. O programa Mix Tape, com entrevistas bem conduzidas e profissionais. Sem esses caras, a cena estaria trincada, com alguma coisa aqui e ali, sem organização, sem grandes encontros. E esses encontros e as amizades feitas a partir daí definem novas bandas e sonoridades, e fazem com que a cena cresça mais e mais, justamente pela troca de ideias e novas parcerias.

Que em 2015 esses laços sejam fortalecidos, e facilitem a inserção de tantos bons nomes no mercado fonográfico. Este blog veio para falar principalmente daqueles que estão começando, ou que estão por aí há mais tempo, mas sem tanto espaço ainda, e também busca acompanhar as histórias da música local. Focamos no rock, este ano, mas a ideia é expandir para outros estilos marginais. E, para o próximo ano, pretendemos implantar novas ideias, com entrevistas, perfis, resenhas de discos e o que mais surgir. Saiamos das trincheiras! 😉

Um grande 2015 a todas e todos, repletos de riffs, paz, amor e saúde!

“Você diz a verdade, eu digo obrigado-sai” (Roland de Gilead, Torre Negra, de Stephen King)

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III Rock Christmas!

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E eis que vamos a mais um texto bêbado sobre um grande evento roqueiro em Gorpan City! A organização do evento (leia-se Desert Eagle) absolutamente se superou, trazendo ótimas bandas e com a presença de um belíssimo público às vésperas do Natal. Isso demonstra algumas coisas:

1. Sim, a cena guarapuavana está mesmo forte;

2. Há gente capacitada para produzir eventos de qualidade por aqui;

3. Ninguém morreu, apesar da fama de bandido dos roqueiros.

Isto posto, vamos as fatos. Aos que pude observar, pois a Conti não me permitiu ir muito longe. Nos próximos shows, substituirei por água, para acompanhar melhor… 😛

Naturalmente, este é um texto altamente profissional feito por um completo amador, então não espere ver esmiuçadas as performances de todas as bandas, pois eu simplesmente não vi todas. Cheguei ao SERV CAR debaixo d´um aguaceiro aquático. Minha sensação foi a de que não haveria muita gente por lá. Balela. O povo não teme a água! E encheu o recinto. O início dos trabalhos foi com o João Marcos Kinseler e sua bela voz, num set mais light, pra fazer aquela ambientação da galera, sem apelar para o som mecânico. Na sequência, adivinhem… sim, ele, o baixista MAX NUNES, em uma de suas dezenas de participações! 😀 Agora, com a No Name Band! (banda sem nome ainda, com Max, Luis Felipe e Leonei. É uma banda nova, fez sua parte, preencheu os espaços sonoros e deu o seu recado, abrindo o evento).

Ainda com pouca gente rodopiando na pista, a galera da RAW MADNESS subiu no palco e mandou seu hard oitentista (Bon Jovi, Guns…), com direito a participação de, adivinhem, Max Nunes em uma das faixas, além de trocas de livros e leitura de teleprompter manual (by Marco “multiuso”, na definição do Max ahahah!). Foi apenas o segundo show da história do quarteto, já com algumas mudanças na formação. Além das “titulares” Dienifer (vocal e guita-base) e Milena (guitar), tivemos a presença do Leonei Almeida na bateria (o mesmo que tocara anteriormente com o Max e o Luis Felipe), e do baixista Lucas Dias. Banda nova, galera nova, músicos abaixo dos 20 anos ainda. Acredito que no ano que vem já veremos o grupo mais amadurecido e com melhor domínio de palco. E palco, para dominar, só tem um jeito… é encarando o monstro. Eis o setlist, gentilmente cedido pela Milena:

Wild Side – Motley Crue
Russian Roulette – Kiss
Welcome to the jungle – Guns n’ Roses
Lick it up – Kiss
Talk Dirty to me – Poison
Girls,girls,girls – Motley Crue
Heavens on Fire – Kiss
Blaze on glory – Bon Jovi

Raw Madness - Milena em ação

Raw Madness – Milena em ação

O zumzumzum rolou no local, anunciando um show bastante esperado, o da DANIELE KRAUZ, apresentando seu recém-lançado EP Insight (compre AQUI). Pude perceber que havia uma expectativa no ar, uma curiosidade, pois o EP foi bem recebido, mas a artista é mais conhecida por cantar MPB. Daria conta de cantar essas músicas ao vivo? Sem contar que a banda precisaria ser muito boa para reproduzir as nuances desse estilo musical. Então, vamos à banda: nas guitarras, Luciano Esmolenkos e Lukas Almeida (esse tocou até sem corda lá pelas tantas… toca muito o guri!!!); Cleiton Vicentin no baixo; José Zander, de apenas 15 anos, na batera! Pelo menos a princípio, o Zander e o Lukas permanecem na banda como titulares. Bom, com ensaios de última hora, mas muito know-how, tudo rolou melhor do que o esperado. Krauz estava segura e cantou muito bem (demonstrando na prática a importância de estudar canto). A banda, afiadíssima. Excelentes instrumentistas. Para um primeiro show, foi arrepiante, e a galera realmente adorou. Encheu de gente pra acompanhar. Além das quatro músicas do EP, rolaram covers de Nightwish (Over The Hills And Far Away, ótima na voz da Dani, que se adequa especialmente bem nesse estilo musical), Bruce Dickinson (Tears of the Dragon – arriscou a vida nessa… mas mandou muito bem em seu estilo Tarjiano de cantar, talvez a música que mais empolgou a galera da peita preta) e Scorpions (Rock You Like a Hurricane). A Tarja de Gorpa dá um passo importante rumo ao reconhecimento, com esse show. Aposto que rola um disco em 2015. Clique AQUI para ver o clip feito para a música Divine.

A Tarja de Gorpa

A Tarja de Gorpa

Lukas e Zander estraçalhando no palco

Lukas e Zander estraçalhando no palco

Mesma aposta eu faço para a banda seguinte, que teve que se atirar de cabeça no palco para manter a adrenalina lá em cima. Sem problemas: com a BUP & ROXETIN não tem tempo feio. Eu já cansei de dizer que o grupo é afiadíssimo. Tudo funciona de forma absolutamente integrada, um lance meio holístico. Bruxaria, claro. Page baixa em Dom Joãozito e não há o que errar. Com um setlist já padrão e bastante conhecido da torcida, a Bup lavou a alma da galera sedenta por um punk cheio de mensagens difusas e uma puta psicodelia. Em dois momentos, houve pico de luz. Coisa breve, foi e voltou. A banda não recuou em nenhum momento. Ninguém parou, simplesmente continuaram a performance. Possuídos! Sempre vale citar essa trupe (que não é a do disco voador): Joãozito na piração, Jhone e Gustavão nas guitars, Fábio na batera e o Alemão no baixo, vocais de apoio e chapelão. As canções da Bup já estão se tornando clássicos locais, visto que conhecidas do povo que canta e bebe e pula. A Garota e a Pistola, Pé de Cannabis, Abrakadabra, Tarô (essa, com uma participação especialíssima – Dom Marco, o Maicon, um dos compositores da song, subiu ao palco para dividir os vocais com o João). Lá pelas tantas, o Bocão também foi ao palco, acompanhado de sua enorme boca! A peleja do diabo terminou, claro, com a seminal, imortal e nada sazonal Sociedade Alternativa, com a Leitura da Lei. A banda estava ensandecida, Joãozito com um vocal altíssimo, e não tenho dúvida de que teremos um disco sendo lançado em breve. Apenas um ano de banda, e já com esse potencial para hits e essa presença de palco, realmente… só para os iluminados. Foco, galera! Eis o set da noite:

1 – Instrumental
2- Cannabel
3- A garota e a pistola
4- Tarô
5- Pé de cannabis
6- Abrakadabra
7- Sociedade Alternativa

Gustavão na sua levada psicotrópica

Gustavão na sua levada psicotrópica

Dom Maicon e Dom Joãozito

Dom Maicon e Dom Joãozito

Depois da Bup tivemos uma banda thrasheira, a Slug Killer! Ok, eu confesso… acompanhei de longe. Culpa da Conti em parte, mas também porque fiquei por ali conversando e tal. Eu não conhecia e continuo não conhecendo, mas algumas coisas ficaram óbvias: tocam muito; o gutural do cara é animal (não sei como consegue cantar daquele jeito, sem cair a garganta); pleno domínio de palco. Bastante gente na pista, pirando legal. Bonito de ver. Sei que rolou Brujeria e Slayer, entre outros petardos, além de sons próprios. É uma banda que parece se destacar dentro de um estilo que conta com várias bandas em Guarapuava. Com tanta concorrência, os caras tem que ser bons, ou acabam engolidos. Prometo que na próxima eu ouço mais de perto… 😛 . Acompanhe no youtube a música The Void, primeiro trabalho registrado da banda, e confira a porrada. Atualizando a bagaça aqui, eis o setlist dos óme:

Territory – Sepultura
Laid To Rest – Lamb Of God
Anti Castri – Brujeria
Bloodline – Slayer
Black Metal – Venom
Only – Slug Killer
World Painted Blood – Slayer
Troops of doom – Sepultura
The Void – Slug Killer
Domination – Pantera

Slug Killer

Slug Killer

Eu confesso que meu principal objetivo nesse festival, especificamente, era ver a KINGARGOOLAS ao vivo. O povo só fala bem desses caras! Não é à toa. O disco é bom demais (recomendo muito. Tem no Armazém do Rock, ou dá pra comprar com a piazada da banda. Ou ainda, pra ouvir na íntegra no Youtube), e a banda já foi muito além das nossas fronteiras, obtendo reconhecimento real em seu estilo, que é uma surf instrumental criativa e impactante. PORÉÉÉM… eu não pude ficar para essa sequência, e acabei perdendo tanto a King (que manteve a pista lotada) quanto o encerramento com a Desert Eagle, a dona do evento, que teve umas mudanças em sua formação e pouco tempo para ensaiar. Mas, nas palavras do Giovane Kstor, foi o maior show da história de Guarapuava, e não sou eu que vou duvidar, né? 😀

Kingargoolas

Kingargoolas

O setlist dos surfistas foi esse aí, ó:

1- ENIA PUXE O FREIO!
2- PULLOVER TOM PASTEL
3- CORRA CARLOS, CORRA
4- SURF PARTY
5- ROCKULA
6- SOLOBONITE
7- LAMBRETA SUNBURST
8- CRAZY CUCKOO CLOCK
9- LE MEQUIFOÁ
10- MISERLOU
11- TITS A GO-GO
12- FÓRCEPS POSEIDON
13- RACE ROCK
14- TANTRA WAVE
15- ACME SPEED DINAMITE
16- BREAK BEACH

A Desert Eagle, com apenas um ensaio, batera novo e tudo o mais, mandou as seguintes songs:

Aces High – Iron Maiden
I Want Out – Helloween
Wish I Had An Angel – Nightwish
Superheroes – Edguy
Feelings Return – Desert Eagle
Sign of the Cross – Avantasia

E sobreviveu! Fechou a noite em grande estilo, consciente de que, com todas as dificuldades, conseguiu organizar um excelente festival, com participação efetiva da galera que compareceu. Parabéns à banda! Que 2015 seja um ano de muito sucesso a todos que se esforçarem e trabalharem para realizar seus sonhos. Novas músicas, discos, festivais e tudo conspirando para termos uma cena cada vez mais forte e produtiva.

Max, o óme das mil bandas!

Max, o óme das mil bandas, além de organizador do festival, incentivador da cena, entregador de água…

Agradeço ao Toni pelas fotos. Na página dele, há dezenas de películas referentes ao festival. Clique AQUI e seja feliz.

Aproveito para agradecer também às bandas que conheci e curti em 2014. Descobri muita coisa boa. Obrigado ao Joãozito pela amizade, à Bup pela sonzeira, ao pessoal da Trupe do Disco Voador (pessoas fantásticas) e tantas outras pessoas que tive a felicidade de conhecer (se começar a citar aqui, não paro mais…).

Desejo muito SUCESSO na música e na vida a toda a galera, nesse próximo ano, e que a cena possa crescer mais e mais. Há vários eventos agendados para o início do ano. Bora lotar e cantar! 🙂 FELIZ NATAL.