A Trupe do Disco Voador está chegando!

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A Trupe do Disco Voador

A Trupe do Disco Voador

“Era com certeza o melhor dos companheiros, uivando pra Lua, chorando nesse Júpiter Blues” (Júpiter Blues)

Você, prezado cético, que não crê em disco voador, saiba, meu caro amigo… que você está errado. Eu digo isso porque estive, juro pela face de meu pai, estive em um Disco Voador no dia 07 de janeiro de 2015. E esse Disco aterrissou há tempos em Guarapuava, sem data para retorno. Sorte nossa, pois esses aliens estão aqui para fazer o bem através da música, de ótima música, de uma música orgânica, emocional e salpicada de belas notações blueseiras.

“Fico aqui sentado esperando a minha carona / Sei que o velho disco voador vai voltar e me levar pra onde sempre sonhei ir” (Caroneiro Astronauta)

Bem, bem… Disco Voador é o nome da república. Mas esse nome não surgiu do vácuo absoluto nem pulou de uma buraco negro. Ele veio justamente de uma das maiores influências musicais dessa trupe. Arnaldo Baptista, o  Mutante louco, que lançou em 1987 um vinil nomeado Disco Voador. Um trabalho raríssimo e experimental ao extremo, realizado logo após sair do setor psiquiátrico de um hospital em São Paulo.. É um trabalho caseiro, com letras psicodélicas e sonoridade claudicante. (Inevitavelmente, a memória busca um cara chamado Syd Barrett, o fundador do Pink Floyd, que também lançou músicas experimentais de forma bem rudimentar, material absolutamente clássico hoje).

O conceito básico da república é que, uma vez lá dentro, você deve pegar alguma coisa pra batucar ou cantarolar ou qualquer “atitude” que contribua com o estado musical que ali grassa. Em tese, pisou na Disco Voador, faz parte da Trupe. A Trupe do Disco Voador, sem formação fixa (embora os fundadores da banda continuem firmes). Em verdade, em verdade vos digo: torço pela continuidade dessa equipe, pois o som que eles fazem simplesmente transcende as paredes de madeira da casa. Tive a felicidade de ouvir um belo set acústico, e honestamente, eu me surpreendo ao notar que a boa música anda com tão pouco espaço no Brasil. É chocante. Porque, creio sinceramente, a boa música é aquela que te toca, que mexe com a alma, que leva uma mensagem, que faz sorrir (ou chorar) sem medo nem vergonha. Música boa é sentida, percebida física e emocionalmente. Mas, voltando à formação, ei-la:

Carlos Mazepa (bateria e percussão)
Danielle Baldissera (voz e percussão)
Lucas Rudiero (baixo)
Luiz Gustavo (voz e guitarra)
Mariana Natali (bateria e percussão)
Thiago Cordeiro (guitarra e harmônicas)
Zig Squeeze (sorriso)

É uma banda recheada de publicitários. Portanto, recheada de criatividade, pois é uma área que realmente puxa gente que adora atravessar fronteiras. As exceções são a Dani, que faz Psicologia (um curso bastante útil no meio desse bando… se é que me entendem… zoeira, calma ehe) e é a integrante mais nova da trupe – tempo de casa, não de idade… não perguntei a idade de ninguém, afinal isso aqui não é Caras nem Contigo, é ROCK´N´ROLL bebê! E onde as pedras rolam, só a música importa! – e o Thiago, que faz Direito (e manja das cordas que é uma beleza. Manda muito bem no violão, como pude conferir).

“Sair de casa pra sonhar
Sair de casa e imaginar
Que o dia chegou ao fim
Que o dia não vai voltar
A ser o mesmo” (Canção Nada Convencional)

O quarteto fantástico no Mix Tape, com o Andrezão (Andréééé)

O som da Trupe, como já disse (escrevi) antes, é bem orgânico. É setentista (lembrando, em alguns momentos, o blues rock do final dos ´60). Nos shows, é eletrificado, com alguns momentos mais acelerados e pesados (herança da cena metal de Gorpa?), mas manda muito, MUITO bem num set acústico também. Fico imaginando essa sonoridade em um disco. Chegamos a conversar sobre essa questão. A banda considera que pode precisar de um produtor tarimbado pra transpor o som ao vivo para o meio digital. São comuns os casos de bandas que soam muito bem in loco, mas travadas e secas no disco (ou MP3). Esse é um desafio constante. E não é apenas uma questão de equipamento. Ajuda, sem dúvida, mas músicos experientes que já tenham trabalhado o tipo de som desejado pela banda acabam sendo fundamentais nesse processo. É o papel do produtor, mas mais ainda do engenheiro de som, que normalmente é quem faz o milagre acontecer. Na torcida para que o EP da Trupe possa soar tão bem quanto a Trupe em pessoa. Se isso acontecer, adeus sertanejo universitário.

Embora rolem alguns covers (ou melhor dizendo, releituras, o que é bem diferente de simplesmente reproduzir uma gravação), a base da Trupe são os sons autorais. Eis os títulos trabalhados em 2014:

Gilda (intro instrumental) + Caroneiro Astronauta
Sem Nome
Júpiter Blues (clássico instantâneo… falaremos dessa música mais à frente)
Canção Nada Convencional
Cê Tu, Me Entenda
Pensamento Engarrafado

Júpiter Blues é uma canção sobre o cãozinho que morava na Disco Voador, chamado Júpiter, e que morreu no ano que passou. A tristeza foi tanta que o Gustavo não conseguiu escrever uma letra sobre o episódio. Mas acabou ganhando a letra (espetacular) de um poeta catarinense (Gabriel, mais conhecido como o Lagarto Rei). O refrão inclui uivos que costumam encantar o público (que, claro, uiva junto). A companheira de Júpiter, a gata Vênus, continua morando na república, e está grávida. Adorei a sacada de nomear os bichinhos com nomes cósmicos.

A Caroneiro Astronauta é uma canção diretamente relacionada ao universo arnaldobaptistiano. A ideia, inclusive, é gravar esta música como single, antes de produzir o EP.

Para 2015, devem entrar mais duas ou três autorais no repertório.

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Set acústico na Virada Cultural – da esquerda para direita: Lucas, Mazepa, Mariana, Gustavo e Thiago

E quanto às referências musicais? Em um grupo com seis integrantes, é natural que as referências (inclusive cruzadas) sejam as mais diversas. Algumas saltam aos olhos (ouvidos seria mais adequado). Mutantes (com e sem Rita), Arnaldo Baptista, Tom Zé. Aos olhos também. A entrada espetaculosa, circense. Tendência entre bandas psicodélicas. Um lance (sem comparações, please) meio Teatro Mágico. Performático. “Atenção, senhoras e senhores, tripulantes, nosso cordial boa noite!“. Mas há também fortíssimas influências mais próximas. Kaio Miotti, o blueseiro de Gorpa. Sonzeira. Empreendedor. Som de grande qualidade. Negomantra, banda paulistana de ótimas letras. O Clayton, professor da Geografia da Unicentro, é um dos bateras do grupo e chegou a tocar com o pessoal da Trupe. Como um cara mais experiente, somou muito e ajudou a desenvolver e maturar a sonoridade da rapaziada, antes de serem Trupe ainda. Aliás, eles tinham uma banda chamada 14 Polegadas nos primórdios, formada por Gustavo, Lucas, Mazepa e Thiago.

Mas a Trupe cita ainda uma outra influência, menos óbvia à primeira vista, mas bastante lógica. A própria cena musical guarapuavana, especialmente as bandas do bairro Santa Cruz. Aqui cabe falar um pouco das transformações pelas quais a cena tem passado. De tempos em tempos, ela se fortalece, e depois cai num ostracismo, com poucos locais pra tocar e tudo o mais. Nos últimos dois anos, a cidade tem se desenvolvido de forma bem interessante, na parte cultural. Isso é um fenômeno inédito, eu diria, pelo menos no que tange à força do movimento. Até um tempo atrás, as bandas cover dominavam a city. Aparentemente, houve um desgaste do modelo, que abriu espaço para sons autorais. Isso é algo que gosto de destacar. O momento é bom para os compositores. Há gente ávida por coisa nova. A reação de parte do público em shows da Trupe ou da Bup Roxetin, por exemplo, demonstra isso de forma clara. Algumas músicas próprias já estão se tornando parte do cancioneiro local, clássicos regionais, cantadas a plenos pulmões. Há também um orgulho, essa coisa de dizer: “essa banda é da minha região”. Assim, temos outro fenômeno, que é um público heterogêneo, que curte bandas de várias vertentes do rock, sem grandes preconceitos.

Banda em ação no Ensaio Geral (Danielle Baldissera em destaque, Gustavo na guitarra, e Mazepa ao fundo)

Banda em ação no Ensaio Geral (Danielle Baldissera em destaque, Gustavo na guitarra, e Mazepa ao fundo)

Durante o bate-papo (não chamaria de entrevista), rolaram várias das músicas da Trupe (dois violões, baixo, percussão, meia-lua e várias vozes), e tivemos ainda a presença de Dom Joãozito, da Bup Roxetin. Rolou Abrakadabra, som da Bup, lá pelas tantas. Ter o privilégio de ver um show desses ao vivo, num ensaio bem informal, e ainda por cima de graça, é uma grande alegria. Quem frequenta o Disco Voador sabe como é a sensação.

Vamos listar os eventos em que esse povo tocou em 2014:

Lado B (maio)
Mobiliza Rock (13 de setembro)
Festival Universitário da Canção (Unicentro, 17-19 de setembro), com a música Pensamento Engarrafado (premiada pelo público)
Octobeer Rock (26 de outubro)
Comunicabera (08 de novembro)
Virada Cultural (set acústico no “esquenta” do evento, dia 12 de novembro)
Ensaio Geral no RS (14-16 de novembro. A Trupe tocou no dia 15)
Show no cedeteg na 8º JOPARPET (06 de dezembro)

Links relacionados à banda:

NOISE: um livro-reportagem sobre bandas de rock alternativo de Guarapuava (Produção do segundo ano de Jornalismo da Unicentro)
ENSAIO GERAL (RS) – vídeo
Página no Facebook
Vídeo da entrevista ao quadro Cenatório (MIX TAPE)
WIKI da banda (em breve, postaremos informações mais detalhadas no WIKI, inclusive letras de músicas da Trupe)

Ensaio Geral, no Rio Grande

Ensaio Geral, no Rio Grande

Você não sabe quem é Zig Squeeze? Nem desconfia? Ora… lá no festival Ensaio Geral, realizado no Rio Grande do Sul, uma banda que tocou antes da Trupe tinha um sapo de pelúcia em cima de um dos amplis. A mascote, digamos assim. Quanto a Trupe entrou, pendurou sua mascote de sorriso psicótico no pedestal do microfone… e aí, sacou agora?

O que será que tem atrás daquela porta? Não é só o som que é psycho… a própria casa também é!

Finalizando, gostaria de agradecer o convite para conhecer o Disco Voador. Agradeço pela cerva, pela ótima música, pelas histórias compartilhadas, a cada um dos presentes: Dani, Gustavo, Lucas, Mazepa, Thiago, e ao Joãozito, que marcou presença, rolando ainda uma participação em Abrakadabra, música da Bup Roxetin, banda em que o João é vocalista. Ficou espetacular! (só faltou a capa). E à Mariana, que não estava presente, mas faz parte da Trupe. 🙂

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