Arquivo mensal: abril 2015

Destaques nos vocais do Rock City V

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Prometi ao Fabiano que faria uma análise dos vocais das bandas que tocaram no Guarapuava Rock City V, então vamos lá. Resolvi comentar as que mais se destacam.

Começamos com a Dzarmy, com a primeira faixa do CD, música Contramão.

Voz suave, porém o leve metálico e drives nos lugares adequados fazem com que se encaixe muito bem no estilo. Uma voz aguda bem usada, sem exageros no tom, isso faz com que a música flua bem aos ouvidos. A parte mais gostosa fica no pré refrão, já em 1 minuto de música, aquela energia poderia ser usada nas estrofes também.

Satisfire, com Little Ball Goes, Little Ball Backes.

Nessa música na verdade não há nada de realmente marcante no uso do vocal, mas não posso deixar de registrar. O ponto é que conheci o Daniel cantando loucos guturais, o que diga-se de passagem não é o tipo de vocal que me agrada escutar apesar de respeitar quem faz bem. Quando ouvi ele cantando com voz limpa a primeira vez fiquei muito bem impressionada. A voz dele é realmente bonita, com uma leve rouquidão que dá um charme, tem presença e ainda consegue alternar pra drives e guturais. Está perfeito.

Disaster Boots , com Venus In Furs.

Essa sim foi uma surpresa. Adorei esse vocal por ser diferente do que escuto por aqui. Não se ofendam, mas enquanto nos preparávamos, com eles tocando no outro palco eu tinha que ficar toda hora parando pra conferir se não era uma mulher cantando. É uma voz que tinha jeito pra ser enjoada, mas ele consegue usar muito bem na interpretação e nas melodias que funcionam. Saber usar a voz que se tem é mais importante do que buscar um padrão, e esta é uma voz que certamente marca.

Ultra Violent, música  I.N.E.R.T.E 

Já disse que gutural não é minha praia, mas deles eu gosto principalmente porque entendo o que está sendo cantado. Os vocais são muito bem feitos e meus amigos que curtem o estilo adoraram. Me chama atenção que a voz também não seja tão grave como os guturais que conheço.

Futhark, com  When The Trolls Leave The Stones 

A mistura de vozes aqui é a parte interessante, no refrão. No Rock City IV eles já tinham mostrado vocais bem interessantes, o timbre da voz mais limpa é bem bonito, em contraste com o gutural ficou muito bom.

Astronaut Chimp, com  Rock N’ Roll 

Este é outro vocal que não chama atenção por ser especial mas por funcionar. O estilo casa perfeitamente e devo ressaltar que ao vivo ele desemprenha muito bem. As melodias não são elaboradas mas esse cantar meio arrastado tem seu charme nesse timbre.

 

 

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Sobre a metodologia de trabalho do Rock City – direito de resposta

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Saudações, pessoal. Quem acompanhou o último post do Gorpa Music deve ter se deparado com algumas poucas críticas em relação ao festival (que, no geral, é digno de muitos elogios, mas eu acredito que, para crescermos, precisamos debater e estar atentos a todo tipo de reclamação). Não sei qual foi a repercussão real disso, primeiro porque o blog é pouco visitado. E, segundo, conversei apenas com o Alessandro Küster, da Heaven Studio, sobre isso. Tivemos uma longa e extremamente produtiva conversa, pelo Facebook mesmo, onde, posso garantir, imperou o respeito, como é de se esperar de pessoas civilizadas e abertas ao diálogo, e o Alessandro foi impecável nesse sentido. Eu abri espaço no blog para que a empresa colocasse sua visão, e é isso que faremos logo mais, abaixo. Basicamente era um questionamento ao fato das bandas pagarem para gravar uma faixa para a coletânea do festival. Ao fim e ao cabo, o objetivo é a convergência de ideais, dentro do espírito do rock´n´roll, que é definitivamente, antes de tudo, uma filosofia de vida, e não apenas um tipo de som. Claro que, ideologia à parte, todos temos contas a pagar, e nesse sentido, sabemos que promover eventos não é exatamente fácil. Dito isso, vamos às colocações do Alessandro Kuster, da Heaven Studio (além de baterista da Satisfire). Uma coisa eu já deixo claro: gosto de honestidade, de mandar a real. E o Alessandro deixou clara a metodologia utilizada pelo festival, com bastante transparência. Receber críticas e lidar com elas não é fácil. Ninguém curte muito, nem eu (confesso). Mas não é apenas com elogios que evoluímos, isso é um fato inquestionável. O blog não tem fins comerciais, pago para assistir à maioria dos shows, a cobertura de eventos e as entrevistas são feitas para tentar “historiar” a música guarapuavana, e os debates, mesmo os mais acalorados, sempre nos rendem subsídios para novas reflexões e melhorias na prática diária, seja promovendo eventos, compondo músicas, fazendo shows… ou escrevendo em um blog eheh. Em havendo interesse, notas dissonantes e discordantes também terão exatamente o mesmo espaço no blog, para discordar e palestrar, dentro dos limites da civilidade, naturalmente. Vamos lá?

Segundo o Alessandro, ainda não se vislumbra outra forma de fazer o festival, que já está em sua quinta edição, acontecer. Ele funciona como uma grande cooperativa, metaforicamente. É uma união de forças. Os irmãos Kuster, Alessandro e Leandro, vivem do estúdio, com trabalho sério, e tiram seu sustento dali. Ele considera que as bandas fazem um investimento de R$ 400,00 para gravar uma faixa, que é um valor abaixo do preço normal, em torno de 30% a 40% a menos que o cobrado pela produção de uma música. O trabalho sai com qualidade padrão de capitais como Curitiba e São Paulo, e o tempo médio trabalhado em uma faixa é de 20 horas. Em Curitiba, o valor médio cobrado pelos estúdios fica na casa dos R$ 1500,00.

Além da produção, há a prensagem do CD. O sonho deles seria não precisar cobrar esse valor, nem pela produção e nem pela prensagem, e ainda pagar cachê para as bandas participantes. No entanto, não é possível na conjuntura atual, ainda mais considerando que a cena do rock autoral no Brasil é praticamente inexistente hoje.

O lance do Guarapuava Rock City, cujo modelo inexiste, por exemplo, em Curitiba, tem mais a ver com o compromisso e o amor ao Rock, antes de eventuais ganhos financeiros, pois, se fosse só pelo lucro, cobrariam os R$ 700,00 padrão pelas faixas, além de cobrar ingressos. É um festival grande, um dos maiores do gênero no sul do Brasil, cuja organização fica a cargo de praticamente duas pessoas apenas.

A preocupação com a questão da cobrança, que eu coloquei, é a seguinte: muitas das bandas novas são formadas por gente sem grana. A cobrança acaba, assim, “elitizando” o evento, mesmo que não seja um valor tão expressivo. Continuamos a conversa nessa linha, e vamos à análise do Alessandro:  o evento é caro, tem grande estrutura, não há cobrança de ingressos e nem na produção do CD se recupera o investimento. Ou, no mínimo, se deixa de ganhar dinheiro por 2 meses no ano, em função do evento. Para efeito de comparação, a produção de uma faixa para uma dupla sertaneja, por exemplo, chega a algo em torno de R$ 1000,00. E, no período de produção do Rock City, a dedicação é exclusiva ao festival.

Para as bandas iniciantes, sem produção própria ainda, há outro projeto, o “Saia da Garagem”. No Rock City, participam bandas com a carreira em desenvolvimento, além dos destaques vindos do Saia da Garagem. Já no processo de seleção para o GRC, existem critérios que valorizam a história e a produtividade de cada banda, que influenciam na ordem das músicas do CD oficial do evento, e nos horários de apresentação. Já o Saia da Garagem é voltado exclusivamente às bandas iniciantes, mas valorizando, mais uma vez, o som autoral. Podem ser bandas cover também, mas existe o incentivo à produção própria. O projeto é uma espécie de peneira, e serve para abrir espaço e ajudar os novatos a perderem o medo do palco.

A Heaven tem outros projetos para esse ano, incluindo novos eventos beneficentes, além do Rock City Tour, em formato de festival itinerante, visitando outras cidades da região, e convidando uma ou duas bandas locais.

A dupla trabalha no underground desde o ano 2000. Já rodaram o Brasil e países da América do Sul com seus sons, e tem experiência e know-how na promoção e produção de eventos.

Ele ainda comenta que, de modo geral, os shows realizados aqui são relativamente baratos, e que falta o hábito de participar de promoções culturais em Guarapuava. Concordo, e percebo grande melhora na oferta de eventos culturais por aqui. Quando cheguei na cidade, em 2003, havia muito pouca cultura (em termos de eventos) sendo produzida e consumida. Hoje, há oferta, embora a procura ainda não seja tão grande. Questão de hábito mesmo.

Complementando, até o Guarapuava Rock City IV era feito um rateio para a prensagem, o que dava em média R$300 por banda. Posteriormente cada banda recebia 65 cópias para a venda, onde era possível recuperar o investimento que totalizava R$700 (R$400 Produção música e R$300 prensagem). Na quinta edição, as bandas preferiram, por meio de votação, duplicar os discos em CDR mesmo, para reduzir custos.

E, para finalizar, com palavras minhas, o público roqueiro, em especial, também não é tão grande assim por aqui, além de muitos simplesmente não terem condições financeiras para comparecer nos shows. Boa parte do pessoal é gente que conta moeda pra busão e economiza em comida, então é complicado mesmo. Essa é outra faceta da questão, mas bastante relevante também. 

Como coloquei ao Alessandro durante a conversa, eu lamento a ausência de investidores fortes em Guarapuava. Gente com grana que tenha interesse em investir em algumas bandas de grande potencial. Hipoteticamente falando, se eu tivesse nadando em dilmas, adoraria investir em pelo menos umas três bandas, cujo potencial reconheço como forte. Um lance de empresário mesmo. Gravar e distribuir os discos, conseguir turnês, trabalhar na divulgação e tudo o mais. Focando na qualidade do som, na inovação e na capacidade de arregimentar público. Não temos ninguém assim por aqui. Nenhum “Peter Grant” ou “Don Arden”, uns psicopatas que elevam bandas à enésima potência. Delírio? Utopia? Fora do tom, ou de época? Provavelmente. Mas o rock não serve à objetividade. E, enquanto nós, amantes do bom e velhíssimo, quase mofado e musguento rock´n´roll, estivermos por aqui, o estilo não morrerá.

Finalmente, deixo claro aqui que a veracidade de todas as informações prestadas é de responsabilidade de Alessandro Küster, excetuando-se os momentos em que deixo claro que são palavras minhas.

Aquele abraço e foco na música! 

OBSERVAÇÃO: COMENTÁRIOS ANÔNIMOS SERÃO REJEITADOS. CRÍTICAS SÃO SALUTARES, MAS O ANONIMATO É O CANTINHO DO COVARDE. IDENTIFIQUEM-SE AO COMENTAR, POR FAVOR.

Planos das bandas Rock City para 2015

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Saudações

Não, esse post não trata do Rock City, o festival. Eu não estive lá, portanto, não posso falar (do que não vi). Óbvio, né? Isto posto, quero falar um pouco sobre as bandas presentes no já tradicional festival, em sua quinta edição. É um evento importante, que reúne algumas ótimas bandas da cidade. Bom para o público, que entra quase de graça (quilo de alimento como ingresso), e bom para as bandas presentes, pois participam da coletânea relacionada ao evento (embora não seja exatamente barato gravar a faixa, uma situação pitoresca onde a banda paga para tocar, mas isso é outra história. Atualizando: farei um post sobre a Heaven Studio, promotora do Rock City, a pedido do Alessandro Küster, abordando a visão deles sobre o tema. Em breve). Outro lado positivo é o incentivo ao trabalho autoral. Isso é importantíssimo em meio à overdose de bandas cover que temos por aí. Mais relevante ainda, claro, foi a arrecadação de uma tonelada e meia de alimentos, entregues à Provopar. Este é o legado mais importante, sem dúvida.

Além do tradicional Rock City, a Gorpa atual conta com o Maquinária Rock Field e o Mobiliza (esperamos que haja a segunda edição em breve), além dos eventos organizados no Serv Car (os reis da cerveja ruim), que sempre apresentam bandas bem novas. Algumas ótimas revelações, e outras, empulhações execráveis. Enfim, vale a tentativa e o amor pelo roquenrou, né? Não dá pra saber se o cara é bom de palco, se ele nunca subiu em um. Entre ovos e tomates, todos acabam vivos e bêbados, e o objetivo é esse mesmo: diversão! E novos eventos não faltam. Tivemos o Solobonight recentemente, e no domingo, 26 de abril, rola o Rock Falido (na verdade, enquanto escrevo este artigo).

Bem, mas vamos falar das bandas que passaram pela quinta edição do ROCK CITY! Aproveitando, você pode ouvir a coletânea aqui no Soundcloud.

Bem, vamos às bandas!

ROCK REVIVE

Tem previsão para lançamento de um disco em  meados de novembro. No momento, as músicas estão em processo de composição. Estúdio, só daqui alguns meses. Mas a banda acaba de lançar um vídeo clipe para a música “Power Pray”. Confira aqui.

PRIME REVENGE

Não consegui contato com a banda, mas seu primeiro EP (Shades of Pain) pode ser ouvido neste link. O novo single, Hey Man, faz parte da coletânea do V Rock City. Ótimo som. Confira aqui, que vale a pena.

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Outra banda com quem não conversei ainda. Por enquanto, fiquem com a música selecionada para o disco do evento, aqui.

DZARMY

A banda está na ativa há 13 anos, e conta com dois discos lançados. Colocou dois singles na área nos últimos dois anos também, e está trabalhando no terceiro álbum full, que talvez venha a ser um disco conceitual (uma ideia muito interessante, diga-se). As letras estão praticamente prontas, bem como algumas melodias. O material pode ser lançado ainda esse ano, mas creio que a tendência é que fique para o primeiro semestre de 2016.

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Com dois discos (e alguns singles), a banda prepara o lançamento de seu terceiro álbum. Falta finalizar a mixagem de 4 faixas apenas. O disco terá 12 músicas, e será lançado nos formatos físico e digital (iTunes, por exemplo). Deve rolar no segundo semestre. Para quem não ouviu os primeiros discos da banda, é possível conferir no Soundcloud. A música escolhida para a coletânea do festival é uma parceria com a holandesa Wick Bambix, fundadora da banda Bambix, nomeada My Alibi, um punk rock vigoroso, com guitarras marcantes e melodias grudentas. Vai por mim: coloque no volume máximo e sinta a sonzeira.

SATISFIRE

Intenções: lançamento do segundo disco full, além de um vídeo clipe. Deve rolar mais para o fim do ano (eventualmente, 2016). A banda lançou seu primeiro álbum lá em 2008, e um EP no ano passado. É uma banda de inegável criatividade musical.

FUTHÄRK

A banda é relativamente nova, e os planos são seguir fazendo shows e gravar alguns singles, até ter material suficiente para um EP. Ainda sem previsão de lançamentos (é mais provável que role algumas coisa em 2016). O show deles é muito bom, e o grupo já tem um público fiel.

ULTRA VIOLENT

Sem planos para lançamentos, no momento. A banda é figurinha carimbada no rock local, tem um público fiel, e já lançou alguns singles. Falta o disco, agora, né, Rocha? ehe

DISASTER BOOTS

A Disaster é uma banda bastante ativa, tocando com certa frequência, e é alvo de muitos elogios. Tem uma sonoridade personalíssima, um ótimo vocalista, um instrumental foda, e uma identidade própria. Das melhores de nossa cena, hoje, certamente. Com 2 singles lançados, a proposta é concluir mais 8 faixas para fechar em 10 para um disco. As gravações devem ficar para o segundo semestre. Talvez o disco não nasça ainda em 2015, mas creio que há boas chances para o primeiro semestre de 2016. Ouça aqui a song Mr. Lakeman.

D KRAUZ

Daniele Krauz Lançou o EP Insight, no ano passado, apenas em formato digital, e trabalha na composição de músicas para um disco full. Serão 12 faixas, ao estilo das que já foram lançadas. A banda é tecnicamente muito afiada, contando com ótimos músicos. As letras também serão na mesma (autoavaliação, crescimento, força e amor). A ideia é lançar ainda esse ano, em formato físico. Vamos aguardar. Acredito que se conseguir estabilizar a formação, vai longe.

THE EMPIRE RISE

Também não consegui contatar esta banda ainda, mas uma das músicas tocadas no evento, Waiting For The End, fará parte do primeiro EP da banda, a ser lançado em breve.

BAGRE VÉIO

A banda pretende lançar talvez mais duas músicas esse ano. O EP sairá quando tiver umas quatro prontas, mas não há previsão de lançamento ainda. Confira o primeiro single da banda aqui.

KINGARGOOLAS

Estava na programação, mas por compromissos firmados anteriormente, não pôde se apresentar. Porém, lança em breve seu segundo disco FULL. Além disso, já foi lançada a  coletânea “Weirdo Fervo! – Bizarre wild trash garage surf & primitive rock compilation”, que conta com songs de bandas bizarras como  O Lendário Chucrobillyman, Movie Star Trash, Horror Deluxe, Strato Feelings, Reverendo Frankenstein, Mauk e os Cadillacs Malditos, além da faixa “Fórceps Poseidon”, dos Kingargoolas. Detalhe: EM VINIL! Quem quiser adquirir, é só entrar em contato com a banda.

De momento, é isso. Atualizações em breve! Abraço, tudo de bom e mantenham a fé na estrada ehehe.

Novo visual do blog!

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Saudações!

Em breve, pretendemos repaginar o visual do blog. Visual novo, equipe nova, tudo novo ehe. De momento, temos um logotipo e uma capa para a página do Gorpa Music no Facebook.

A iniciativa foi do Lucas Rudiero, baixista da Trupe do Disco Voador, membro do nosso blog, e que atua na BZZ, Agência Experimental do curso de Publicidade da Faculdade Campo Real. O desenho em si foi uma criação do talentosíssimo aluno Alesson Santos, que captou muito bem a ideia que tínhamos (a palavra-chave era “blues”). Um lance retrô, que transpirasse música por todos os poros. O resultado pode ser conferido em nossa página no Facebook, e coloco também abaixo:

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Que que eu posso dizer desse logo…? Cara, é simplesmente espetacular! Um vinilzão, o G representando o braço e a agulha, e aquele botão vermelho (que é o pingo do “i” da palavra “music”) é o REC (afinal, o blog faz entrevistas também, certo?). Conceitualmente brilhante. Simples e evocativo. Obra de quem sabe muito, realmente. Por isso sempre digo… valorizemos os verdadeiros talentos, porque o que temos de gente enganando a galera por aí não é brincadeira…

Agora, sobre a capa, abaixo… de cara, a bela sacada do fio saindo do amplificador. Na imagem abaixo, ele aparece solto, mas na página do Face, está conectado ao toca-discos, que é a foto de perfil. Show! ehehe. A parede descascada, dando aquela sensação bem underground e antiga. O som pelo som! Caras… pirei! Muito bom. Parabéns à galera da BZZ.

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Planalto Falante (segundo disco da Traça do Mestre Graça)

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Capa do novo disco da Traça do Mestre Graça

Planalto Falante é o nome do segundo álbum da Traça do Mestre Graça. Enquanto seu predecessor, Na Terra do Visconde, foca nas histórias de Guarapuava, este expande os horizontes para o estado do Paraná (uma das músicas se chama “Canção de Matinhos”, terra de coração do músico). Alexandre Leocádio, seu idealizador, dá um salto não apenas geográfico, mas conceitual e de qualidade. O primeiro disco saiu com 10 faixas, enquanto o novo vem com 23. Manteve algumas das cantoras do trabalho anterior, e incluiu novas vozes, femininas e masculinas. E diversifica o som, sem perder a identidade. Enfim, vamos aos fatos!

Começando pelo começo: a belíssima capa. É uma obra do artista plástico Valdoni Ribeiro, que mostra um pai contando histórias para sua filha. Fecha com perfeição a ideia do trabalho, além de ser esteticamente lindíssima, contrastando com a simplicidade da capa do primeiro disco.

Planalto Falante tem 18 vozes cantando, além dos narradores. O próprio Leocádio se arrisca em algumas faixas. Se no primeiro disco ele fez tudo, menos cantar, agora pode-se dizer que não faltou nada. Todas as letras são dele também.

Neste link há uma boa matéria sobre o disco. Destaca a diversidade musical (do reggae ao metal), e temática (Cataratas, gralha-azul, araucária… símbolos paranaenses).

Vamos ao faixa-faixa:

1. Nosso mundo é literário
A intérprete é Carine Nunes, que já tinha cantado em duas faixas no primeiro disco. Neste, ela canta mais três, sendo esta primeira a abertura, colocada aqui de forma proposital, pois trata do mundo da imaginação através da literatura, e apresenta a concepção do trabalho. É o mundo mágico infantil em versos como “nosso mundo é literário / um reino inteiro de imaginação / mas olhe bem em sua volta / nosso mundo é literalmente real”. Devemos lembrar também que, além do disco, há o espetáculo derivado, e não me surpreenderá se o show começar por essa faixa. Essa canção foi composta em homenagem ao setor infantil da Biblioteca Pública do Paraná. É até difícil falar do disco sem ter visto o show, pois as músicas ganham força ao vivo. Mas vamos lá. 🙂

2. Fome de Leão
Interpretada por Júlia Matos, é uma música suingada, com sopros e uma levada feliz. Cita o chimarrão, e trabalha imagens de animais através da poesia, com forte apelo lúdico. A voz infantil no início da faixa é da própria Julia Matos, quando criança. Resgatada de uma fita K7, tem até aquele típico ruído de estática. Grande sacada!

3. Lilás
Tati Sila é a intérprete desta faixa, que brinca com a cor lilás, da flor de mesmo nome. A música é mais falada que cantada, e tem um tom muito suave.

4. A Terra gira
Esta faixa trata dos movimentos de rotação e translação da Terra (enquanto a Terra gira o Sol ilumina / de acordo com a inclinação). Ótima para trabalhar em sala de aula. A intérprete é a Camila Galarça e a música é mais agitada que as anteriores, com sopros animados e uma bateria firme.

5. A lenda das Cataratas
Esta é bem paranaense. Traz novamente a Carine Nunes, agora em um tom bem messiânico, que lembra a música Tristeza das Águas, do primeiro disco. Traz ainda narração de Márcia Cebulski. Conta a lenda de Naipi, e é uma das faixas mais bonitas do disco.

6. De galho em galho
A sexta faixa faz referência à araucária e ao pinhão, e também brinca com a sonoridade das palavras. É interpretada por Guilherme Rocha, em uma voz irreconhecível para quem o ouve na banda Ultra Violent.

7. Curiaçu
Outra narração de lenda, agora a do guerreiro Curiaçu, caçador cujo peito virou tronco de um pinheiro do Paraná. A intérprete, Cynthia Rosolen, canta maravilhosamente bem. Márcia Cebulski participa desta faixa, como narradora.

8. Curupira pira Curitiba
Interpretada por Roberto Scienza, da banda Disaster Boots, a faixa brinca com lendas e imagens curitibanas, com uma levada mais roqueira e psicodélica.

9. Canção de Matinhos
Uma das faixas mais poéticas do disco, com apelo crítico à poluição das praias, ficou a cargo de Daniele Krauz, presente em outras duas faixas do trabalho. A sonoridade é mais fechada, triste, seguindo o tema. Canção de Matinhos também é o nome do hino da cidade litorânea de Matinhos. Alexandre Leocádio Santana, o avô do nosso Leocádio, foi o primeiro salva-vidas da cidade. A composição é dos tempos em que o músico trabalhava com Educação Ambiental na cidade.

10. Eu e Josefina
Fazendo contraponto à faixa anterior, esta é bem alegre e dançante, fazendo uso de um ritmo nativista, o vanerão. Conta história da mula de um tropeiro, a Josefina. A cantora é Marilde Lima, em boa emulação do jeito gaúcho de cantar.

11. O Visconde do frio
Essa faixa traz uma das melodias mais bonitas do disco, com a voz super suave da Heloisa Stoeberl. O Visconde aqui cantado em verso é o Visconde que dá nome ao primeiro disco, finalmente revelado agora.

12. Deve ser algo viral
A narração no início dá uma zoada na diferença de tratamento dos médicos em relação aos pacientes particulares e conveniados. A música tem uma sonoridade épica, progressiva, e a letra é engraçada. Os intérpretes são Aniely Mussoi e Ricardo Almeida. A cômica narração ficou a cargo de Alexandre Leocádio e Marina Santana.

13. Menina bonita
Com um ritmo bem soul, vem com uma letra mais infantil, interpretada por uma criança, a Helena Stoeberl. Aposto que será uma das favoritas da criançada.

14. A valsinha da Têre
Tati Sila volta nessa faixa, que nos remete às músicas infantis clássicas, no instrumental cheio de “barulhinhos”, e na melodia vocal suave e gostosa de ouvir. A música homenageia a Têre, já falecida, mãe da cantora Tati Sila. A inspiração para a composição veio da música Angel, de Jimi Hendrix.

15. Vou viajar
Cynthia Rosolen canta a evolução nessa viagem através da História. É uma faixa com musicalidade quase minimalista, sintética, que transpira tranquilidade, embora vá crescendo durante a audição. Ótima melodia.

16. Montezuma se enganou
Uma das melhores letras do disco, tratando da violência das colonizações, em história cantada pela Daniele Krauz – com um trecho narrado pela Márcia Cebulski – (as garras espanholas foram implacáveis e responsáveis pelo fim de mais uma civilização).

17. Pense duas vezes
Essa faixa traz 5 intérpretes, é uma música bem infantil e alerta para o desperdício. O ínicio da faixa é engraçado, com uma das cantoras “ensaiando” – só isso? Daí eu acho que repete isso umas cinco vezes. A cantora é questão é a irmã da Tati Sila, a Thamy. Quem participa dessa faixa também é a pequena Emily Campos, de 7 anos, que estava no show do SESC no ano passado, e cativou a galera cantando com vontade as músicas, como fã.

18. Uma estória ambiental
Outra letra muito criativa, lúdica, riquíssima em imagens (acho que ficaria sensacional ao vivo). Conta a saga de um oxigênio e seus amigos hidrogênios. É interpretada por Daniele Krauz. A faixa tem uma levada meio “Legião Urbana for Kids”.

19. Macuco Beleza
A terceira participação de Carine Nunes tem uma introdução épica e uma letra bem infantil, brincando com imagens e sons. Para quem, como eu, não sabe o que é Macuco, eis a explicação do Prof. Leocádio: “Macuco – é uma ave da Floresta Atlântica bastante ameaçada. A música descreve os hábitos dela. “Jussara” é uma palmeira mais ameaçada ainda pelo corte predatório para extração de palmito. O Macuco se alimenta do açaí que essa árvore produz.” Mais uma canção de verve ecológica, bastante alegórica.

20. Papel de Meu Herói
Outra introdução incrivelmente criativa, e que traz a participação da Fabi Stoeberl, estrela do show e disco anteriores. A faixa é uma homenagem aos (bons) pais. Alexandre Leocádio e Marina Santana participam da música.

As três últimas faixas tem características bem específicas: são mais pesadas, bem ao gosto do autor pelo thrash metal, e homenageiam a sobrinha do músico. Ei-las!

21. Isão
“Isão” é um dos apelidos da Isadora, a sobrinha do Leocádio. Essa faixa brinca com os apelidos, e é entoada pelo Guilherme Rocha, nessa vez fazendo uso de seu gutural. A música começa lenta e quase meiga, e torna-se “slayeriana” em seu refrão. Thrash metal for babies! 😀

22. Download Fralda Larga
Nessa o próprio Alexandre interpreta, com uma voz sintetizada, em meio à pesada camada sonora. A letra é das mais divertidas do disco (minha fralda armazena / um thera de informação).

23. Não é Maria, Não!
Começando com um ataque de bateria, é a mais “pesada” das três, trazendo novamente o Leocádio no vocal, nessa vez mandando um gutural dos quintos dos infernos. A letra se refere ao segundo nome da sobrinha Isadora, que é Maria.

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Só para finalizar, além de todos os citados, o disco ainda contou com o trabalho de Desirée Melo no design gráfico, e com as fotógrafas Janaína Carvalho e Mariana Arboit.

Resumo da ópera: se o primeiro disco já foi uma grata surpresa, este certamente é uma evolução, trazendo mais diversidade musical e letras ainda melhores. É, sem dúvida, um belo trabalho, de um artista extremamente dedicado, e que tem uma óbvia capacidade de aglutinar e integrar talentos (“cultive as amizades”, já dizia um amigo meu). Dessa forma, não é difícil entender os motivos que levam o segundo CD a apresentar tanta qualidade. Parabéns e que venha a turnê! Torço para que o disco seja valorizado, especialmente pelos educadores e pelo poder público.