Sobre a metodologia de trabalho do Rock City – direito de resposta

Padrão

Saudações, pessoal. Quem acompanhou o último post do Gorpa Music deve ter se deparado com algumas poucas críticas em relação ao festival (que, no geral, é digno de muitos elogios, mas eu acredito que, para crescermos, precisamos debater e estar atentos a todo tipo de reclamação). Não sei qual foi a repercussão real disso, primeiro porque o blog é pouco visitado. E, segundo, conversei apenas com o Alessandro Küster, da Heaven Studio, sobre isso. Tivemos uma longa e extremamente produtiva conversa, pelo Facebook mesmo, onde, posso garantir, imperou o respeito, como é de se esperar de pessoas civilizadas e abertas ao diálogo, e o Alessandro foi impecável nesse sentido. Eu abri espaço no blog para que a empresa colocasse sua visão, e é isso que faremos logo mais, abaixo. Basicamente era um questionamento ao fato das bandas pagarem para gravar uma faixa para a coletânea do festival. Ao fim e ao cabo, o objetivo é a convergência de ideais, dentro do espírito do rock´n´roll, que é definitivamente, antes de tudo, uma filosofia de vida, e não apenas um tipo de som. Claro que, ideologia à parte, todos temos contas a pagar, e nesse sentido, sabemos que promover eventos não é exatamente fácil. Dito isso, vamos às colocações do Alessandro Kuster, da Heaven Studio (além de baterista da Satisfire). Uma coisa eu já deixo claro: gosto de honestidade, de mandar a real. E o Alessandro deixou clara a metodologia utilizada pelo festival, com bastante transparência. Receber críticas e lidar com elas não é fácil. Ninguém curte muito, nem eu (confesso). Mas não é apenas com elogios que evoluímos, isso é um fato inquestionável. O blog não tem fins comerciais, pago para assistir à maioria dos shows, a cobertura de eventos e as entrevistas são feitas para tentar “historiar” a música guarapuavana, e os debates, mesmo os mais acalorados, sempre nos rendem subsídios para novas reflexões e melhorias na prática diária, seja promovendo eventos, compondo músicas, fazendo shows… ou escrevendo em um blog eheh. Em havendo interesse, notas dissonantes e discordantes também terão exatamente o mesmo espaço no blog, para discordar e palestrar, dentro dos limites da civilidade, naturalmente. Vamos lá?

Segundo o Alessandro, ainda não se vislumbra outra forma de fazer o festival, que já está em sua quinta edição, acontecer. Ele funciona como uma grande cooperativa, metaforicamente. É uma união de forças. Os irmãos Kuster, Alessandro e Leandro, vivem do estúdio, com trabalho sério, e tiram seu sustento dali. Ele considera que as bandas fazem um investimento de R$ 400,00 para gravar uma faixa, que é um valor abaixo do preço normal, em torno de 30% a 40% a menos que o cobrado pela produção de uma música. O trabalho sai com qualidade padrão de capitais como Curitiba e São Paulo, e o tempo médio trabalhado em uma faixa é de 20 horas. Em Curitiba, o valor médio cobrado pelos estúdios fica na casa dos R$ 1500,00.

Além da produção, há a prensagem do CD. O sonho deles seria não precisar cobrar esse valor, nem pela produção e nem pela prensagem, e ainda pagar cachê para as bandas participantes. No entanto, não é possível na conjuntura atual, ainda mais considerando que a cena do rock autoral no Brasil é praticamente inexistente hoje.

O lance do Guarapuava Rock City, cujo modelo inexiste, por exemplo, em Curitiba, tem mais a ver com o compromisso e o amor ao Rock, antes de eventuais ganhos financeiros, pois, se fosse só pelo lucro, cobrariam os R$ 700,00 padrão pelas faixas, além de cobrar ingressos. É um festival grande, um dos maiores do gênero no sul do Brasil, cuja organização fica a cargo de praticamente duas pessoas apenas.

A preocupação com a questão da cobrança, que eu coloquei, é a seguinte: muitas das bandas novas são formadas por gente sem grana. A cobrança acaba, assim, “elitizando” o evento, mesmo que não seja um valor tão expressivo. Continuamos a conversa nessa linha, e vamos à análise do Alessandro:  o evento é caro, tem grande estrutura, não há cobrança de ingressos e nem na produção do CD se recupera o investimento. Ou, no mínimo, se deixa de ganhar dinheiro por 2 meses no ano, em função do evento. Para efeito de comparação, a produção de uma faixa para uma dupla sertaneja, por exemplo, chega a algo em torno de R$ 1000,00. E, no período de produção do Rock City, a dedicação é exclusiva ao festival.

Para as bandas iniciantes, sem produção própria ainda, há outro projeto, o “Saia da Garagem”. No Rock City, participam bandas com a carreira em desenvolvimento, além dos destaques vindos do Saia da Garagem. Já no processo de seleção para o GRC, existem critérios que valorizam a história e a produtividade de cada banda, que influenciam na ordem das músicas do CD oficial do evento, e nos horários de apresentação. Já o Saia da Garagem é voltado exclusivamente às bandas iniciantes, mas valorizando, mais uma vez, o som autoral. Podem ser bandas cover também, mas existe o incentivo à produção própria. O projeto é uma espécie de peneira, e serve para abrir espaço e ajudar os novatos a perderem o medo do palco.

A Heaven tem outros projetos para esse ano, incluindo novos eventos beneficentes, além do Rock City Tour, em formato de festival itinerante, visitando outras cidades da região, e convidando uma ou duas bandas locais.

A dupla trabalha no underground desde o ano 2000. Já rodaram o Brasil e países da América do Sul com seus sons, e tem experiência e know-how na promoção e produção de eventos.

Ele ainda comenta que, de modo geral, os shows realizados aqui são relativamente baratos, e que falta o hábito de participar de promoções culturais em Guarapuava. Concordo, e percebo grande melhora na oferta de eventos culturais por aqui. Quando cheguei na cidade, em 2003, havia muito pouca cultura (em termos de eventos) sendo produzida e consumida. Hoje, há oferta, embora a procura ainda não seja tão grande. Questão de hábito mesmo.

Complementando, até o Guarapuava Rock City IV era feito um rateio para a prensagem, o que dava em média R$300 por banda. Posteriormente cada banda recebia 65 cópias para a venda, onde era possível recuperar o investimento que totalizava R$700 (R$400 Produção música e R$300 prensagem). Na quinta edição, as bandas preferiram, por meio de votação, duplicar os discos em CDR mesmo, para reduzir custos.

E, para finalizar, com palavras minhas, o público roqueiro, em especial, também não é tão grande assim por aqui, além de muitos simplesmente não terem condições financeiras para comparecer nos shows. Boa parte do pessoal é gente que conta moeda pra busão e economiza em comida, então é complicado mesmo. Essa é outra faceta da questão, mas bastante relevante também. 

Como coloquei ao Alessandro durante a conversa, eu lamento a ausência de investidores fortes em Guarapuava. Gente com grana que tenha interesse em investir em algumas bandas de grande potencial. Hipoteticamente falando, se eu tivesse nadando em dilmas, adoraria investir em pelo menos umas três bandas, cujo potencial reconheço como forte. Um lance de empresário mesmo. Gravar e distribuir os discos, conseguir turnês, trabalhar na divulgação e tudo o mais. Focando na qualidade do som, na inovação e na capacidade de arregimentar público. Não temos ninguém assim por aqui. Nenhum “Peter Grant” ou “Don Arden”, uns psicopatas que elevam bandas à enésima potência. Delírio? Utopia? Fora do tom, ou de época? Provavelmente. Mas o rock não serve à objetividade. E, enquanto nós, amantes do bom e velhíssimo, quase mofado e musguento rock´n´roll, estivermos por aqui, o estilo não morrerá.

Finalmente, deixo claro aqui que a veracidade de todas as informações prestadas é de responsabilidade de Alessandro Küster, excetuando-se os momentos em que deixo claro que são palavras minhas.

Aquele abraço e foco na música! 

OBSERVAÇÃO: COMENTÁRIOS ANÔNIMOS SERÃO REJEITADOS. CRÍTICAS SÃO SALUTARES, MAS O ANONIMATO É O CANTINHO DO COVARDE. IDENTIFIQUEM-SE AO COMENTAR, POR FAVOR.

Anúncios

»

  1. só pra lembra q o evento foi no chai hall, é provável q o festival teve patrocinadores , e se engana vc se acha q o bar da tanto assim, pois se ganha em centavos, acho isso justo que eles ganham ao menos nisso tinha tbm funcionários do chai hall por lá q eles q tinha q pagar, ñ estou aqui para defender exatamente ninguém, mas esse ano o publico foi muito bom, em especial posso disser q educados coisa q quase n se em outros estilos pelos dados da segurança n ouve nem um incidente, o q estou explicando é q tem eventos q fui esse ano que paguei 50,00 para entra e vi uma pessoa conhecida ser expanda e ninguém fazer nada. Pra eu esse evento é digno dos grandes shows sem atrasos, somente se curto o som e todas as bandas com competitividade tão boas quanto bandas de sp em algumas até melhores dignas de bandas da Europa… Ah custo infelizmente mas sempre foram negociáveis e nunca vi uma banda boa mesmo ficar de fora do evento por grana sempre se deu um jeito, acho que as vezes há muitas pessoas ingratas e invejosas que só sabem criticar, mas na hora de fazer algo só fica no papo.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s