Música em tempos de crise – um pouco do que rola no 2015 da ditadura “richiana”

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Sabemos que as artes costumam superar barreiras em tempos de crise. O Brasil dos anos de chumbo da ditadura, em seus tempos mais difíceis, foi um celeiro de grandes artistas. Na música, especialmente, éramos espetaculares. Sem a ditadura, curiosamente, a música foi mingando, muito lentamente, até chegar ao nível atual, bastante lamentável, mesmo na MPB, samba e rock, gêneros musicais normalmente associados à canção política e a mensagens absolutamente relevantes e universais. A arte depende de condições essencialmente dramáticas para florescer em sua plenitude. E percebemos isso em alguns lindos exemplos de canções agora surgidas, em meio ao caos vivido pelo povo paranaense. O exemplo mais belo, em minha opinião, é a música “Massacre na Praça – 29 de Abril” (música de Beto Capeletto, letra de Paulo C. Oliveira e Beto, interpretação de Beto e Joba e arranjo de Paulo Machado), cuja letra transcrevo abaixo:

Ontem diante aos soldados com cães e morteiros
Vi os professores pisoteados
Com marcas sangrentas de balas
Todos os nossos mestres foram assim tão humilhados
E o que faziam demais,
se apenas pediam que os seus direitos fossem respeitados?
Eles que levam a luz e a esperança aos nossos filhos ao longo da estrada
Ontem meus olhos choraram com o gás da vergonha

Bombas na praça
Professor a sangrar
A educação é sagrada
Meu Deus, o que é que há?
29 de Abril jamais vai passar
Mancharam a bandeira no meu Paraná

E a dor dos meus mestres irreparável
Lutando apenas com palavras
Prevendo o futuro e um rumo incerto é ignorado
Tinham nas mãos argumentos
Palavras precisas em suas defesas contra a tirania
Sonhavam que um dia o país fosse mesmo nação
Reino de justiça pela educação

Bombas na praça
Professor a sangrar
A educação é sagrada
Meu Deus, o que é que há?
29 de Abril jamais vai passar
Mancharam a bandeira no meu Paraná

Outra música muito boa foi produzida pelo Curitiba in Concert, um novo projeto de humor, dos músicos Edgar Renne, Leonardo Portiolli e Thiago Souza. Clique aqui para acessar a página do trio no Facebook. Os caras são muito bons e fazem um samba de primeiríssima, chamado “Querido Professor“. Sobre até para o Requião, em citação ao episódio em que o atual senador comeu mamona (não lembra? Veja aqui e role de rir). Letra abaixo. Após, o link do vídeo.

Meu querido professor
Levei bomba no vestiba
Fui prefeito em Curitiba
E agora sou governador

Se o assunto é Previdência
Peço calma e paciência
Pois com minha influência
Vou mudar esse valor

Tenho um projeto pra um futuro idealista
Ciclovia pra ciclista e prisão pra educador
Tome cuidado, tem pedágio em cada esquina
Pro menino e pra menina
E também para o senhor

No meu Estado o que não falta é dinheiro
Pra bancar o meu cruzeiro e a mansão em Caiobá (que eu vou comprar)
Se perguntar do tarifaço eu fico quieto
Não adianta ter protesto porque não vai funcionar

Meu querido professor
Levei bomba no vestiba
Fui prefeito em Curitiba
E agora sou governador

Quando a coisa não vai bem
Jogo a culpa em outro alguém
Pois não vou virar refém
de um louco senador

Que anda dizendo que eu sou piá mimado
Coitado do delegado
Já perdeu sua poltrona
Mas eu prefiro soltar pipa na minha sala
Do que rirem da minha cara porque eu comi mamona

Eu tava bem com a minha popularidade
Era querido na cidade
Fui o melhor das eleições (aqui do Sul)
Agora vejo que isso tudo é injustiça
Ponho a culpa na polícia
Que soltou o pitbull

Minha diversão é criar cargo em comissão
Não tem que bater cartão
Ninguém vai fiscalizar (isso daqui)
Abdiquei do meu salário em janeiro
Mas dobrei em fevereiro
E ao povo agradeci
Da educação eu esqueci

Impeachment!” tem música e letra de Fábio Elias, da banda curitibana Relespública. Abaixo da letra, o clip (muito legal) e, a seguir, versão ao vivo de outra banda, a Javali Banguela, na Praça 29 de Abril. Confiram:

Impeachment! Impeachment! Impeachment!

Tudo que sabemos
Aos mestres nós devemos
Ler e escrever

Somar, multiplicar
Dividir, multiplicar
Dividir o que aprendemos
Subtrair o que é de menos

Vamos eliminar
Quem não respeita isso
Quem não tem compromisso
Com nosso professor

Pelo amor de Deus
Seja firme, eleitor
Tirem esse ditador!

Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment! Impeachment! Impeachment!

Ei, soldado! Você está do lado errado!

Não teve educação
Nem um pingo de noção
Ele só tem coragem
Atrás de um batalhão
Mas se sair às ruas
Sem escolta da polícia
Vai ver só que delícia
O povo ter que encarar

Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment!
Impeachment!

Quem souber de outras músicas (e formas diversas de artes relacionadas ao tema), e quiser comentar, manda ver.

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