Arquivo do autor:Fabiano de Queiroz

Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 7

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Sétima parte de nossa série! A última, também, no momento, e temos mais quatro grandes depoimentos, com citações a bandas relevantes e de qualidade de nossa cidade. Começando pelo Ricardo Kuster, da banda 350ml, que traça um perfil bem interessante da Sexplose. Na sequência, outra música escolhida pela Daniele Krauz (a canção da vez é da eclética banda SatisFire). Depois, o Lucas Otaki cita a Kingargoolas, e concordo quando diz que é uma das melhores bandas instrumentais destas plagas. Por fim, o Luciano, da Rock Revive, cita a banda Bagre Véio, que ainda não conheço, mas parece ser muito boa. Vamos lá?

RICARDO KUSTER (350 ml)
Música: O QUE É ISSO?
Banda: SEXPLOSE
Minha música preferida atualmente é “O que é isso?” da Sexplose. Gosto de muitas bandas da cidade, mas essa especialmente explode um rock nacional, cantando em português e com a realidade que vivemos jogada na cara de quem ouve. Isso define o rock na minha opinião. Uma música sem muita “firula”, exatamente como um tapa na cara. Acho que o rock tem que ser assim.

DANIELE KRAUZ (Vocalista / compositora / professora de canto)
Música: SEM TITUBEAR
Banda: SATISFIRE
Mais uma: Sem titubear – SatisFire. Adorei os vocais, tem energia, é melódica, tem uma boa colagem de ritmos, é envolvente. Tem agradado a todos para quem eu tenho mostrado.

LUCAS OTAKI (Voz e violâo da Feeling Folk’s and Rednecks / Johnny Beer)
Música: TITS A GO-GO
Banda: KINGARGOOLAS
Dentre tanta coisa foda que temos na cidade e região, escolho o single ” Tits A Go-Go “. Consigo perceber a mistura de vários estilos numa música só e uma criatividade de dar inveja. E apesar de toda técnica, ela soa simples. Sem “paga pauzisse ” pros meus amigos, Kingargoolas é umas das melhores bandas instrumental do Brasil!

LUCIANO ESMOLENKOS (Guitarrista da Rock Revive)
Música: GANÂNCIA
Banda: BAGRE VÉIO
Confesso que essa banda me surpreendeu muito positivamente pela sincronia das guitarras, bem elaboradas e de muito bom gosto… uma levada empolgante, o pré refrão lembra muito Titãs na fase da década de 80 (pelo menos pra mim), a qual gosto muito, vamos aguardar e ver se a banda continua na mesma linha de composição!

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Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 6

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Buenas, galera! Eis a sexta e penúltima parte de nossa série! As duas últimas listas trarão 4 depoimentos cada. Nessa de hoje, temos as palavras do Joãozito (da BUP), que enviou duas músicas. A anterior, da Trupe, está na matéria passada. A de hoje é da banda ADOC, outra grande do Rock do bairro Santa Cruz! O segundo “depoente” é o blogueiro e estudioso da música Renilson Bail, também pela segunda vez. A citação é à excelente Disaster Boots. Na sequência, temos o guitarrista Lukas Almeida, que escolheu uma song da Dzarmy. O quarto colaborador de nosso quadro é o Gabriel, da Neanderdogs. Ele escolheu uma música da Futhärk, banda já mencionada anteriormente. Vamos aos depoimentos e aos vídeos, portanto!

JOÃO VITOR GOMES MARTINS, O JOÃOZITO (Vocalista da Bup & Roxetin)
Música: O TREM DA SANTA CRUZ
Banda: ADOC
Saudações! Bom, vou fugir à regra e de cara vou falar de duas músicas que, por sua vez, são de autoria de duas
bandas de Guarapuava as quais sou muito fã. A primeira banda é a ADOC. [O Blog inverteu os depoimentos. A outra música já foi citada na parte 5]. Sou super fã dessa banda pela sua mistura de ritmos  e originalidade. Banda das antigas do meu bairro, o Santa Cruz. A formação é o Duda (guitarra/voz), Andrezão (baixo) e o Andreos (bateria). Bom, o que posso dizer da música é que como vocês podem perceber fala da energia do Bairro Santa Cruz, grande reduto artístico de Guarapuava no qual nasceu a minha banda, a Bup & Roxetin. Em suma o Trem da Santa Cruz define, na medida em que navegamos em seus compassos, o dia-dia do Santa Cruz de forma poética e a melodia é linda. Vale a pena ouvir.

Se alguém quiser indicar um vídeo com qualidade melhor que esse que encontrei, por favor, indique-me, que troco aqui. Obrigado.

RENILSON BAIL (Blogueiro)

Música: HALLELUCINATE
Banda: DISASTER BOOTS
“Hallelucinate”: single de estreia da Disaster Boots, “Hallelucinate” é uma faixa eletromagneticamente pulsante
que leva o ouvinte a uma jornada sonora, na direção de alguma galáxia perdida. Contendo uma série de citações ao mundo do  Rock & Roll, aqui a letra é o grande destaque.
Eis uma versão ao vivo, já que tivemos a de estúdio publicada anteriormente.

LUKAS ALMEIDA (Guitarrista da DKrauz)
Música: MARCAS
Banda: DZARMY
A segunda música é Marcas, do Dzarmy. A única coisa que tenho a dizer é que, não só esta música, mas a banda por
inteira, é uma grande influência na minha vida, musicalmente falando. Qualquer pessoa que convive comigo sabe disso
Kkkkk…


GABRIEL RAMOS (Vocalista da Neanderdogs)
Música: WHEN THE TROLLS LEAVE THE ALONE
Banda: FUTHÄRK
Eu simplesmente tenho que escolher a “when the trolls leave the stones” da Futhärk. Eu nunca fui muito fã do
folk metal, sempre flertei um pouco mais com o folk punk ou celtic punk, mas desde a primeira vez que ouvi o som dos meus brothers ao vivo eu me tornei fã deles e não do estilo em si. Todos os arranjos vibram entre si e trazem um conjunto musicalmente lindo de se ouvir. Com “When the trolls leave the stone” minha paixonite aguda se transformou em amor declarado pelo som deles e mal posso esperar pra ouvir mais e saciar minha sede pelo lado pagão que existe em mim hahahah!

Sexta parte concluída, com a citação de 4 bandas importantes no cenário guarapuavano. Nesses tempos musicalmente monocromáticos, é bonito ver essa diversidade, aliada à qualidade das composições. São quatro estilos inteiramente diversos aqui representados, e bem representados, por gente que leva a música a sério, e que certamente merecia ser mais valorizada. Infelizmente, o estado de coisas em nosso país já não nos permite sonhar muito. Basta observar as músicas mais ouvidas pelas rádios do Brasil afora. Algo simplesmente se deteriorou em nossas mentes, desde o fim dos anos 80. Desejo muita força e garra para essa galera do rock levar o estilo adiante, com qualidade, inovação e, claro, mensagem, pois as letras são um ponto forte no rock. Especialmente no BROCK, celeiro de bandas que transformaram vidas.

Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 5

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Saudações, galera!

Não, o blog não está completamente morto. Ainda temos 3 partes da série “Minha Canção Favorita” a serem publicadas, mais uma pequena matéria sobre o trabalho da Carine Nunes (que lançou um ótimo clip recentemente), e aí as postagens serão ainda mais esporádicas, por motivos pessoais (pós-graduação e produção de um livro). Mas vamos lá, que o rock não morre jamais, e pretendo terminar a publicação da série em 2015 eheh.

JOÃO VITOR GOMES MARTINS, O JOÃOZITO (Vocalista da Bup & Roxetin.)

Música: JÚPITER BLUES
Banda: A TRUPE DO DISCO VOADOR
Depoimento: Bom, não poderia deixar de falar dos meus amigos da Trupe. Junto com a Bup são as novas bandas surgidas no bairro Santa Cruz, formada por Luiz Gustavo (voz/guitarra), Lucas (baixo), Mariana (bateria/percussão), Mazepa (bateria/percussão), Dani (bateria/percussão) e Thiago (guitarra).

A Júpiter se destaca na minha opinião pela poética simples que mexe com o emocional da minha pessoa (hehe). Simples porque fala da amizade e não é qualquer amizade. O Júpiter era um cachorrinho muito esperto que encantava a república dessa turma antigamente, mas infelizmente teve sua vida ceifada pela ignorância humana. A beleza dessa música se dá na minha opinião, em sua completude tanto na melodia certeira e na letra honesta e lindamente bem escrita.

RENILSON BAIL (Blogueiro do Mr. Blues, que recentemente concluiu seu excelente TCC, “Do Fonógrafo ao Streaming”, que inclui entrevistas com bandas locais – a Cris, da 350ml, fez parte da banca. Clique em Artigo para ler)
Música: ABRAKADABRA
Banda: BUP & ROXETIN
Palavras: “Abrakadabra”: é um tanto complicado falar dela, mas… “há algo mais que essa gritaria”. Na primeira vez que ouvi essa música, imaginei um bando de zumbis anunciando que o Renato Russo tinha ressuscitado e estava gravando um tributo ao Raul Seixas. Aqui tem de tudo um pouco: crítica à superficialidade das novelas, alusão ao mago Aleister Crowley e um pé de inconformismo juvenil. Sensacional.

GIOVANE PILAR (Guitarrista da Desert Eagle)
Música: I FEEL MY SOUL BLAZING
Banda: INCEPTION
Palavras: eu gosto da I Feel My Soul Blazing do Inception, pra mim uma das melhores composições das bandas de Gorpa, tudo no lugar, o solo é muito bem feito, talvez uma mixagem melhor, mas fora isso é uma música muito foda mesmo, é uma que eu escuto com frequência.

ELIEZER KAILER (Guitarrista)
Música: PERISH
Banda: EMDROMA
Palavras: O que dizer quando quatro músicos realmente ”fudidos” em seus respectivos instrumentos encontram um vocal que canta basicamente tudo, drive, vocal limpo e gutural, e resolvem fazer um som viajante, com solos loucos, melodias quebradas, compassos imparem e muito peso?
O resultado é em minha opinião uma das melhores bandas da região. Acompanho o trabalho desses caras desde 2010, e sempre fico admirado em vê-los tocar, sou o primeiro a estar na frente do palco para berrar pedaços das letras de Forsake the Dark, Reality, Endless Circle e, é claro, Perish, sem contar os covers fantasticos de Adagio, Circus Maximus etc…
Resumindo em poucas palavras: “Excelentes Músicos + Rock Progressivo + Metal Pesado = EMDROMA!”

DANIELE KRAUZ (Vocalista / compositora / professora de canto)
Música: VENUS IN FURS
Banda: DISASTER BOOTS
Palavras: Vou mandar mais um voto pra Venus in Furs, da Disaster Boots. O vocal me impressionou de cara, gostei da letra e o refrão é positivamente grudento.

Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 4

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Com um pequeno atraso, cá estamos, trazendo a quarta parte da série. Agora, com depoimentos de MAX NUNES,
KELLEN VOLOCHATI, ANTONIO CARLOS KUBINSKI (TONI), KAIO MIOTTI RIBEIRO e LUKAS ALMEIDA. Um quinteto de responsa, que manja dos paranauê! Bora pro blá-blá-blá e pras músicas da semana, então!

MAX NUNES (Baixista da Desert Eagle e mais algumas centenas de bandas / organizador de eventos / entregador de água)

Música: ABRAKADABRA
Artista: BUP & ROXETIN
Bom, confesso que sou fã da banda há algum tempo, mas a música que escolhi não é a minha favorita dela, apesar de gostar muito dela e de várias outras. Acho o instrumental do grupo impecável e extremamente envolvente, as letras do João são sensacionais, mas o que me deixa mesmo impressionado é a apresentação ao vivo. O domínio de público e a presença de palco da Bup é inexplicável, principalmente a de seu front man. A escolha da música foi porque foi a primeira música que escutei da banda, o que me fez gostar e procurar saber mais sobre os caras.

KELLEN VOLOCHATI (Vocalista da Desert Eagle)

Música: I FEEL MY SOUL BLAZING
Artista: INCEPTION
Banda foda, em questão de composição, companheirismo da banda, amor ao som que curtem, sem se importar com o modismo, nao só essa música mas a banda em si é muito boa. O black metal eh muito bem representado por eles, e essa música em questão é bem marcante, com riffs bem criativos e o vocal… admiro muito o Alesandro porque eu nunca vou fazer o que ele faz hehe. Muito bom, com muito feeling. Tem que ser bom mesmo pra cantar do jeito que ele canta, sem machucar a garganta. É uma musica de músicos que eu admiro muito. Lembro do começo da banda, na mesma época que eu comecei com minha primeira banda, e de 2010 para cá (se nã)o me engano hehe), eles evoluiram muito, e prova disso é essa composição rica. Tem traços marcantes de suas influências, irreverência, técnica e sentimento … um obscuro sentimento!

ANTONIO CARLOS KUBINSKI, O TONI (Fotógrafo)

Música: HALLELUCINATE
Artista: DISASTER BOOTS
Foi a música que fez eu virar o fã número um da banda,  tem tudo que eu gosto no rock desde uma letra sensacional, que me inspira, até  os riffs marcantes que viciam.

KAIO MIOTTI RIBEIRO (Compositor)

Música: JOSÉ WYLKER
Artista: ADOC
Sem titubeios: a música José Wylker, da banda ADOC. Quando ouvi essa música, já me bateu: porra, que sacana, puta bom humor na figura de José Wylker, a suruba global, pornochanchada, galãs de meia idade, pêlos e diálogos banais em novelas das oito. Fico em dúvida às vezes se não é música em quadrinhos. São caricaturas, estereótipos esses tipos que penso que a música esculacha. Até hoje (ouvi pela primeira vez idos de 2011, 12?) fico dando risada, como agora… ah, os romances baratos do padrão telenovela… E fora os timbres do ADOC que são muito próprios, com a maneira de tocar também. Salve ADOC! Salve a tragicomédia de produtos brasileiros de exportação como a telenovela…ah, não né! José Wyl-yl-ke-eeer…

LUKAS ALMEIDA (Guitarrista da DKrauz)

Música: EMINENT
Artista: ULTRA VIOLENT
Então, há duas músicas. A primeira é Eminent, da banda Ultra Violent. Esta música significa muito pra mim e para a banda que eu tinha, o por que disso eu não sei, kkkkkk… E por outro lado ela é um dos “clássicos” do Ultra Violent e chegou a estar nos repertórios da minha banda (mas nunca chegamos à tocar). Rsrs…
A segunda banda citada será publicada na parte 6 da série.

Música em tempos de crise – um pouco do que rola no 2015 da ditadura “richiana”

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Sabemos que as artes costumam superar barreiras em tempos de crise. O Brasil dos anos de chumbo da ditadura, em seus tempos mais difíceis, foi um celeiro de grandes artistas. Na música, especialmente, éramos espetaculares. Sem a ditadura, curiosamente, a música foi mingando, muito lentamente, até chegar ao nível atual, bastante lamentável, mesmo na MPB, samba e rock, gêneros musicais normalmente associados à canção política e a mensagens absolutamente relevantes e universais. A arte depende de condições essencialmente dramáticas para florescer em sua plenitude. E percebemos isso em alguns lindos exemplos de canções agora surgidas, em meio ao caos vivido pelo povo paranaense. O exemplo mais belo, em minha opinião, é a música “Massacre na Praça – 29 de Abril” (música de Beto Capeletto, letra de Paulo C. Oliveira e Beto, interpretação de Beto e Joba e arranjo de Paulo Machado), cuja letra transcrevo abaixo:

Ontem diante aos soldados com cães e morteiros
Vi os professores pisoteados
Com marcas sangrentas de balas
Todos os nossos mestres foram assim tão humilhados
E o que faziam demais,
se apenas pediam que os seus direitos fossem respeitados?
Eles que levam a luz e a esperança aos nossos filhos ao longo da estrada
Ontem meus olhos choraram com o gás da vergonha

Bombas na praça
Professor a sangrar
A educação é sagrada
Meu Deus, o que é que há?
29 de Abril jamais vai passar
Mancharam a bandeira no meu Paraná

E a dor dos meus mestres irreparável
Lutando apenas com palavras
Prevendo o futuro e um rumo incerto é ignorado
Tinham nas mãos argumentos
Palavras precisas em suas defesas contra a tirania
Sonhavam que um dia o país fosse mesmo nação
Reino de justiça pela educação

Bombas na praça
Professor a sangrar
A educação é sagrada
Meu Deus, o que é que há?
29 de Abril jamais vai passar
Mancharam a bandeira no meu Paraná

Outra música muito boa foi produzida pelo Curitiba in Concert, um novo projeto de humor, dos músicos Edgar Renne, Leonardo Portiolli e Thiago Souza. Clique aqui para acessar a página do trio no Facebook. Os caras são muito bons e fazem um samba de primeiríssima, chamado “Querido Professor“. Sobre até para o Requião, em citação ao episódio em que o atual senador comeu mamona (não lembra? Veja aqui e role de rir). Letra abaixo. Após, o link do vídeo.

Meu querido professor
Levei bomba no vestiba
Fui prefeito em Curitiba
E agora sou governador

Se o assunto é Previdência
Peço calma e paciência
Pois com minha influência
Vou mudar esse valor

Tenho um projeto pra um futuro idealista
Ciclovia pra ciclista e prisão pra educador
Tome cuidado, tem pedágio em cada esquina
Pro menino e pra menina
E também para o senhor

No meu Estado o que não falta é dinheiro
Pra bancar o meu cruzeiro e a mansão em Caiobá (que eu vou comprar)
Se perguntar do tarifaço eu fico quieto
Não adianta ter protesto porque não vai funcionar

Meu querido professor
Levei bomba no vestiba
Fui prefeito em Curitiba
E agora sou governador

Quando a coisa não vai bem
Jogo a culpa em outro alguém
Pois não vou virar refém
de um louco senador

Que anda dizendo que eu sou piá mimado
Coitado do delegado
Já perdeu sua poltrona
Mas eu prefiro soltar pipa na minha sala
Do que rirem da minha cara porque eu comi mamona

Eu tava bem com a minha popularidade
Era querido na cidade
Fui o melhor das eleições (aqui do Sul)
Agora vejo que isso tudo é injustiça
Ponho a culpa na polícia
Que soltou o pitbull

Minha diversão é criar cargo em comissão
Não tem que bater cartão
Ninguém vai fiscalizar (isso daqui)
Abdiquei do meu salário em janeiro
Mas dobrei em fevereiro
E ao povo agradeci
Da educação eu esqueci

Impeachment!” tem música e letra de Fábio Elias, da banda curitibana Relespública. Abaixo da letra, o clip (muito legal) e, a seguir, versão ao vivo de outra banda, a Javali Banguela, na Praça 29 de Abril. Confiram:

Impeachment! Impeachment! Impeachment!

Tudo que sabemos
Aos mestres nós devemos
Ler e escrever

Somar, multiplicar
Dividir, multiplicar
Dividir o que aprendemos
Subtrair o que é de menos

Vamos eliminar
Quem não respeita isso
Quem não tem compromisso
Com nosso professor

Pelo amor de Deus
Seja firme, eleitor
Tirem esse ditador!

Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment! Impeachment! Impeachment!

Ei, soldado! Você está do lado errado!

Não teve educação
Nem um pingo de noção
Ele só tem coragem
Atrás de um batalhão
Mas se sair às ruas
Sem escolta da polícia
Vai ver só que delícia
O povo ter que encarar

Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment! Impeachment! Impeachment!
Impeachment!
Impeachment!

Quem souber de outras músicas (e formas diversas de artes relacionadas ao tema), e quiser comentar, manda ver.

Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 3

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Chegamos à terceira parte da nossa série de sucesso, a “Minha canção favorita de Gorpa e região“! Aqui, mais cinco depoimentos, mais cinco músicas, mais cinco ótimas bandas. A Ultra Violent volta a ser citada, desta vez pelo Mestre Graça, o Alexandre Leocádio, grande fã de Thrash Metal, e admirador confesso dos Ultras. Temos também o depoimento do Junior Batista, baterista da mítica Maquinária, e organizador do festival Maquinária Rock Field. Ele cita uma banda de Irati, a Beltane. O guitarrista Anthony fala da banda Dzarmy, outra das antigas aqui da cidade. O Felipe, guitar da Neanderdogs, também se faz presente aqui, falando de uma música da excelente banda Coyotes. Por fim, temos o primeiro depoimento da cantora Daniele Krauz, que escolheu três músicas para a série. Neste parte, ela fala da maior banda de rock instrumental da região, a Kingargoolas! Com a palavra, os cinco músicos da semana:

ALEXANDRE LEOCÁDIO (A Traça do Mestre Graça / Professor)

Música: SICK SCARS ON ME
Banda: ULTRA VIOLENT

“Sick scars on me” foi o primeiro som, por meio do videoclipe, que ouvi da banda capitaneada por Guilherme Rocha do Armazém do Rock. Acachapante! Dialogou diretamente com a minha veia thrash. Mais do que isso, contribuiu para resgatar o gênero em minha rotina de ouvinte. Os riffs do Rocha e o seu vocal gutural são certeiros. A agressividade do som me chamou muita atenção, sobretudo na pitada de brasilidade. Numa das passagens, o baixo do Rudy Alves recebe verdadeiras tijoladas em compasso com uma pegada de baião (ou algo semelhante) executada pelo exímio batera Rafael Pelete, músico que muito admiro.

JUNIOR BATISTA (Baterista da Maquinária)

Música: LORD OF DEATH
Banda: BELTANE

Formada em Irati em meados dos anos 90, esta Banda tem como estilo o Heavy Metal Tradicional. Lançaram dois discos e vídeo clip. Beltane e Maquinária surgiram no mesmo tempo, fazendo shows juntos e divulgando a cena do Metal. Marcos Buhrer, vocalista da Banda teve uma participação no single “Durante muito Tempo” da Banda
Maquinária. É uma Banda de renome em nosso Estado.

ANTHONY LUIGGI EGIERT (Guitarrista)

Banda: DZARMY
Música: HOJE

Tem várias músicas ótimas aqui das bandas de Guarapuava. O pessoal tem feito um ótimo trabalho, e posso citar VÁRIAS:
– Kingargoolas, com a maioria das suas composições cheias de carisma e identidade;
– Divine da D. Krauz, com uma qualidade instrumental e vocal fantástica;
– Futhärk, também com muito carisma e autenticidade, e sua In the Forest muito cativante;
– SatisFire, por um tempo não conseguia parar de escutar a “Sem Titubear”, swing fantástico, cativante, letra muito inteligente, som característico e criativo… Muito bom; Sem contar várias outras que poderia citar, como a Disaster Boots e Neanderdogs sempre matando a pau com o rockzão, Rock Revive destruindo, Ultra Violent e Prime Revenge tocando o terror…
Mas A minha top, que sempe escuto e sempre curto , é “Hoje” da Dzarmy… Sou fã declarado da banda desde que conheci, e eles lançaram muitas músicas boas, tanto no primeiro quanto no segundo álbum (que teve um salto muito grande em musicalidade e arranjos), e nos dois singles que foram lançados (que a banda teve que mudar um pouco sua identidade devido à troca do vocal). Mas a Hoje sempre me cativa, é uma música simples, com uma letra simples e arranjo simples, mas sempre, por alguma razão que não sei explicar, me vejo escutando essa música… Dzarmy é uma boa pedida pra qualquer hora. Valorizo muito as músicas com letras em português, não acredito muito que o Inglês é a língua universal do Rock, e gosto muito das composições em português das bandas guarapuavanas, como as músicas da Bup & Roxetin, algumas da SatisFire, Rock Revive, e várias outras.
Clique AQUI para ouvir a versão de estúdio.

FELIPE KOSOUSKI (Guitarrista da Neanderdogs)

Música: MR. HOFFMAN
Banda: COYOTES

Bom, escolho a música Mr Hoffman da banda Coyotes. Foi há alguns anos quando ouvi a música ao vivo no porão do London Pub e fiquei me perguntando se aquela música era
um cover ou não. Marquei o refrão e fui procurar no youtube. Dei de cara a música la. Pra mim o Coyotes está no meu top 3 de bandas da cidade.
Ouça a música no site da banda, clicando AQUI.

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DANIELE KRAUZ (Vocalista / compositora / professora de canto)
Música: CADAFALSO
Banda: KINGARGOOLAS

Kingargoolas, apesar de não ter vocais, o que sempre faz falta pra mim, é uma das bandas guarapuavanas que eu considero especiais. São uma banda única no estilo aqui, e o pessoal agita muito com eles. Som de primeiríssima em todas as músicas que ouvi, mas vou escolher a cadafalso, que esteve no GRC IV.

Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 2

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Daê, povo!

Dando sequência aos depoimentos da galera, apresentamos a segunda parte da série de artigos com depoimentos sobre as músicas mais queridas de Gorpa e região. A primeira parte foi um sucesso, muita gente acessou, os vídeos, em torno de 30 pessoas enviaram depoimentos, e esperamos aumentar esses números agora, divulgando mais 5 canções essa semana.

Como podemos conferir abaixo, a Ultra Violent recebe sua primeira citação. Temos citações também à stoner Disaster Boots (pela segunda vez), à psicodélica A Trupe do Disco Voador, à brutal Open Scars e à tradicional 350ml. É notável a dificuldade em escolher apenas uma dentre tantas excelentes músicas (sem demagogia alguma. Quem manja minimamente de música percebe que qualidade é o que não falta em nossa cena). Alguns até pediram para mandar mais de uma música. Liberado. Quem quiser citar duas ou três, tá valendo também. Até mais, se a dúvida persistir ehehe. Bora conferir?

RODRIGO KEEPER (Professor de inglês e fanático por Heavy Metal)

Música: EMINENT
Banda: ULTRA VIOLENT
Palavras: É uma música que acho perfeita, peso, melodia, refrão marcante, fica ótima ao vivo, tenho ela no meu MP3 e curto com a mesma frequência de bandas mundialmente conhecidas, como Trivium, Caliban, In Flames, etc…
ao vivo, sempre garanto um lugar na frente do palco pra curtir e cantar junto, essa música tem muita energia,
mas bem sinceramente, agora que peguei os dois últimos CDs do Guarapuava Rock City, é notável o alto nível das bandas locais. Tem muita banda e músicas que adoro escutar, estão todos de parabéns.
Clique aqui para ouvir a versão de estúdio.

RAFAEL PELETE (Baterista da Ultra Violent)

Música: VENUS IN FURS
Banda: DISASTER BOOTS

São tantas bandas fodas!! Admiro muito o trabalho da galera de nossa cidade, mais a que eu mais me surpreendi foi com a Venus In Furs, do Disaster Boots. Foi a música que eu viciei, tive que baixar no pen-drive e no celular, porque não conseguia parar de escutar! Muito boa!!

DINIZ, EL CUERVO (Vocalista e baixista da Stone Crow)

Música: CANÇÃO NADA CONVENCIONAL
Banda: A TRUPE DO DISCO VOADOR
Palavras: Uma música que eu gosto muito é a Canção Nada Convencional, escrita pela carismática Trupe Do disco Voador. Essa música é daquelas que não conseguimos deixar passar em branco nem nos concertos acústicos improvisados hahahahaha!
Clique AQUI para ouvir.

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LUCAS REMES NUNES (Guitarrista da Inception e da Slug Killer)

Música: I SHIT FOR RELIGION
Banda: OPEN SCARS
Palavras: Escolho a música I Shit For Religion, dos caras do Open Scars, já que é de uma das bandas da cidade que faz um som na linha do que costumo ouvir; além de tratar de um tema polêmico, o som é violento pra caralho, as linhas de guitarra e baixo são pancada nos miolos, a batera não fica atrás, e o vocal, como dizem, parece de um urso fumante. Recomendo para quem curte brutal death metal sem frescura.
Clique aqui para ouvir a versão de estúdio.

ALEX FERRERA (vocalista da Sexplose)

Música: QUERIDA MAMÃE
Banda: 350ML
Palavras: Música com uma ótima sonoridade, refrão marcante e que traz uma coisa nova para o rock nacional. Não podemos esquecer também da ótima produção musical, dirigida por Ricardo Küster, vocalista e guitarrista da banda. O Rock nacional não está morto ele apenas espera que os vivos acordem para procurar pelo o que há de novo.

Isso aí, galera! Parte 2 concluída. Temos material para pelo menos mais 3 semanas. Portanto, quem ainda não mandou seu depoimento, mas quer participar da brincadeira, dá tempo de pensar com calma em sua música favorita! 😀

Abraço, povo!

Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 1

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Saudações, galera da música!

Estamos iniciando uma série de posts aqui no Gorpa Music, que tem como objetivo mostrar as canções feitas aqui na região de Guarapuava, que o pessoal da música (músicos, fãs…) curte. Nossa ideia é colocar uns cinco depoimentos por post, e publicar semanalmente uma nova lista. Hoje, o escritor não sou eu, e sim vocês, povo musicado! 😀

Claro que a série é, de certa forma, uma brincadeira, mas também é didática no sentido de fazer com que possamos conhecer melhor o trabalho de nossos artistas. Temos uma cena forte e de grande qualidade hoje. A mídia tradicional não conspira a nosso favor, então a divulgação deve partir de nós mesmos. Com esses posts, teremos mais contato com músicas bem interessantes e que, eventualmente, desconhecíamos. Também é um termômetro interessante do que pensam nossas companheiras e companheiros de palco. A sequência dos depoimentos é por ordem de chegada. Não é alfabética, de “importância”, de amizade. É de chegada, ehe.

Mas chega de enrolação e vamos aos depoimentos!


GUILHERME ROCHA
(Armazém do Rock / vocalista e guitarrista da Ultra Violent, guitarrista da SOAD Tribute e vocalista da Emdroma)

Música: POWER PRAY
Banda: ROCK REVIVE
Palavras: Simplesmente incrível como a banda evoluiu em seu novo single. Hard Rock com muita pulsação!

MATEUS GODOI COUTINHO (Mix Tape / banda Lascívia)

Música: IN THE FOREST
Banda: FUTHÄRK
Palavras: Gosto muito das bandas de Guarapauva, tenho um carinho mais que especial pela Adoc e Satisfire, mas tenho escutado muito a In the forest da Futhärk, nunca tinha ouvido nada relacionado ao Folk Metal, mas depois da apresentação apoteótica no Maquinária Rock Field a banda ganhou meu coração.

ALESSANDRO KÜSTER (Heaven Studios / baterista da SatisFire)

Música: HALLELUCINATE
Banda: DISASTER BOOTS
Palavras: Excelente composição não linear e que não segue um padrão. Ótima melodia vocal, excelente timbre e interpretação do Roberto Scienza.O instrumental é vigoroso, criativo e dialóga com várias vertentes do Rock, principalmente o Rock Setentista e o Rock contemporâneo. Também nota-se uma grande influência do Stoner Rock que começou a ser desenvolvido nos anos 90, com bandas como “Sleep”, por exemplo.

DIENIFER HORST (vocalista e guitarrista da Marlla Singer, guitarrista da Offspring Cover e da Super Heroina)

Música: THE ROAD OF METAL
Banda: DESERT EAGLE
Palavras: Não segue tanto o meu estilo, mas eu gosto das linhas de guitarra. São auditivamente interessantes pra mim.

LUIS GUSTAVO CORDEIRO (vocalista e guitarrista da Trupe do Disco Voador, integra a equipe do blog Gorpa Music)

Música: ABRAKADABRA
Banda: BUP & ROXETIN
Palavras: Conheci Dom joãozito no fim de 2013, e junto disso a canção da qual vou falar algumas palavras. Estava voltando da aula, quando encontro meu amigo dando um rolê para espairecer as ideias. Na época não nos conhecíamos muito bem, só do nosso santo ter batido de primeira, sentia como se fossemos amigos desde sempre. No dia, depois de uns minutos de conversa no meio da rua, eu estava com um violão (tinha gravado alguns trabalhos na faculdade) e decidimos ir para praça pra mostrar um pro outro nossas composições. Foi quando me deparei com Abrakadabra, da sua então recém nascida banda Bup & Roxetin. À primeira vista, a canção me deixou boquiaberto pela quantidade de referências presentes em sua letra. Na época estava internado no ritmo do blues, então, já imaginam a minha reação. Fiz então, algumas perguntas sobre frases que considero geniais dentro da composição. Passeando pelo rock nacional e pelo misticismo, eis meu trecho preferido:

“Faz o que tu queres, que é pra não se arrepender
mandei fora o conformismo, pra não mais me aborrecer
agora meus vizinhos me chamam de bruxo imoral
que aprendi com Mr.Crowley alcançar meu nono grau”

Considero essa canção um dos clássicos guarapuavanos, é do tipo das canções que sempre toco nas rodas de violões entre amigos. Um baita som, de uma baita banda!

Sobre a metodologia de trabalho do Rock City – direito de resposta

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Saudações, pessoal. Quem acompanhou o último post do Gorpa Music deve ter se deparado com algumas poucas críticas em relação ao festival (que, no geral, é digno de muitos elogios, mas eu acredito que, para crescermos, precisamos debater e estar atentos a todo tipo de reclamação). Não sei qual foi a repercussão real disso, primeiro porque o blog é pouco visitado. E, segundo, conversei apenas com o Alessandro Küster, da Heaven Studio, sobre isso. Tivemos uma longa e extremamente produtiva conversa, pelo Facebook mesmo, onde, posso garantir, imperou o respeito, como é de se esperar de pessoas civilizadas e abertas ao diálogo, e o Alessandro foi impecável nesse sentido. Eu abri espaço no blog para que a empresa colocasse sua visão, e é isso que faremos logo mais, abaixo. Basicamente era um questionamento ao fato das bandas pagarem para gravar uma faixa para a coletânea do festival. Ao fim e ao cabo, o objetivo é a convergência de ideais, dentro do espírito do rock´n´roll, que é definitivamente, antes de tudo, uma filosofia de vida, e não apenas um tipo de som. Claro que, ideologia à parte, todos temos contas a pagar, e nesse sentido, sabemos que promover eventos não é exatamente fácil. Dito isso, vamos às colocações do Alessandro Kuster, da Heaven Studio (além de baterista da Satisfire). Uma coisa eu já deixo claro: gosto de honestidade, de mandar a real. E o Alessandro deixou clara a metodologia utilizada pelo festival, com bastante transparência. Receber críticas e lidar com elas não é fácil. Ninguém curte muito, nem eu (confesso). Mas não é apenas com elogios que evoluímos, isso é um fato inquestionável. O blog não tem fins comerciais, pago para assistir à maioria dos shows, a cobertura de eventos e as entrevistas são feitas para tentar “historiar” a música guarapuavana, e os debates, mesmo os mais acalorados, sempre nos rendem subsídios para novas reflexões e melhorias na prática diária, seja promovendo eventos, compondo músicas, fazendo shows… ou escrevendo em um blog eheh. Em havendo interesse, notas dissonantes e discordantes também terão exatamente o mesmo espaço no blog, para discordar e palestrar, dentro dos limites da civilidade, naturalmente. Vamos lá?

Segundo o Alessandro, ainda não se vislumbra outra forma de fazer o festival, que já está em sua quinta edição, acontecer. Ele funciona como uma grande cooperativa, metaforicamente. É uma união de forças. Os irmãos Kuster, Alessandro e Leandro, vivem do estúdio, com trabalho sério, e tiram seu sustento dali. Ele considera que as bandas fazem um investimento de R$ 400,00 para gravar uma faixa, que é um valor abaixo do preço normal, em torno de 30% a 40% a menos que o cobrado pela produção de uma música. O trabalho sai com qualidade padrão de capitais como Curitiba e São Paulo, e o tempo médio trabalhado em uma faixa é de 20 horas. Em Curitiba, o valor médio cobrado pelos estúdios fica na casa dos R$ 1500,00.

Além da produção, há a prensagem do CD. O sonho deles seria não precisar cobrar esse valor, nem pela produção e nem pela prensagem, e ainda pagar cachê para as bandas participantes. No entanto, não é possível na conjuntura atual, ainda mais considerando que a cena do rock autoral no Brasil é praticamente inexistente hoje.

O lance do Guarapuava Rock City, cujo modelo inexiste, por exemplo, em Curitiba, tem mais a ver com o compromisso e o amor ao Rock, antes de eventuais ganhos financeiros, pois, se fosse só pelo lucro, cobrariam os R$ 700,00 padrão pelas faixas, além de cobrar ingressos. É um festival grande, um dos maiores do gênero no sul do Brasil, cuja organização fica a cargo de praticamente duas pessoas apenas.

A preocupação com a questão da cobrança, que eu coloquei, é a seguinte: muitas das bandas novas são formadas por gente sem grana. A cobrança acaba, assim, “elitizando” o evento, mesmo que não seja um valor tão expressivo. Continuamos a conversa nessa linha, e vamos à análise do Alessandro:  o evento é caro, tem grande estrutura, não há cobrança de ingressos e nem na produção do CD se recupera o investimento. Ou, no mínimo, se deixa de ganhar dinheiro por 2 meses no ano, em função do evento. Para efeito de comparação, a produção de uma faixa para uma dupla sertaneja, por exemplo, chega a algo em torno de R$ 1000,00. E, no período de produção do Rock City, a dedicação é exclusiva ao festival.

Para as bandas iniciantes, sem produção própria ainda, há outro projeto, o “Saia da Garagem”. No Rock City, participam bandas com a carreira em desenvolvimento, além dos destaques vindos do Saia da Garagem. Já no processo de seleção para o GRC, existem critérios que valorizam a história e a produtividade de cada banda, que influenciam na ordem das músicas do CD oficial do evento, e nos horários de apresentação. Já o Saia da Garagem é voltado exclusivamente às bandas iniciantes, mas valorizando, mais uma vez, o som autoral. Podem ser bandas cover também, mas existe o incentivo à produção própria. O projeto é uma espécie de peneira, e serve para abrir espaço e ajudar os novatos a perderem o medo do palco.

A Heaven tem outros projetos para esse ano, incluindo novos eventos beneficentes, além do Rock City Tour, em formato de festival itinerante, visitando outras cidades da região, e convidando uma ou duas bandas locais.

A dupla trabalha no underground desde o ano 2000. Já rodaram o Brasil e países da América do Sul com seus sons, e tem experiência e know-how na promoção e produção de eventos.

Ele ainda comenta que, de modo geral, os shows realizados aqui são relativamente baratos, e que falta o hábito de participar de promoções culturais em Guarapuava. Concordo, e percebo grande melhora na oferta de eventos culturais por aqui. Quando cheguei na cidade, em 2003, havia muito pouca cultura (em termos de eventos) sendo produzida e consumida. Hoje, há oferta, embora a procura ainda não seja tão grande. Questão de hábito mesmo.

Complementando, até o Guarapuava Rock City IV era feito um rateio para a prensagem, o que dava em média R$300 por banda. Posteriormente cada banda recebia 65 cópias para a venda, onde era possível recuperar o investimento que totalizava R$700 (R$400 Produção música e R$300 prensagem). Na quinta edição, as bandas preferiram, por meio de votação, duplicar os discos em CDR mesmo, para reduzir custos.

E, para finalizar, com palavras minhas, o público roqueiro, em especial, também não é tão grande assim por aqui, além de muitos simplesmente não terem condições financeiras para comparecer nos shows. Boa parte do pessoal é gente que conta moeda pra busão e economiza em comida, então é complicado mesmo. Essa é outra faceta da questão, mas bastante relevante também. 

Como coloquei ao Alessandro durante a conversa, eu lamento a ausência de investidores fortes em Guarapuava. Gente com grana que tenha interesse em investir em algumas bandas de grande potencial. Hipoteticamente falando, se eu tivesse nadando em dilmas, adoraria investir em pelo menos umas três bandas, cujo potencial reconheço como forte. Um lance de empresário mesmo. Gravar e distribuir os discos, conseguir turnês, trabalhar na divulgação e tudo o mais. Focando na qualidade do som, na inovação e na capacidade de arregimentar público. Não temos ninguém assim por aqui. Nenhum “Peter Grant” ou “Don Arden”, uns psicopatas que elevam bandas à enésima potência. Delírio? Utopia? Fora do tom, ou de época? Provavelmente. Mas o rock não serve à objetividade. E, enquanto nós, amantes do bom e velhíssimo, quase mofado e musguento rock´n´roll, estivermos por aqui, o estilo não morrerá.

Finalmente, deixo claro aqui que a veracidade de todas as informações prestadas é de responsabilidade de Alessandro Küster, excetuando-se os momentos em que deixo claro que são palavras minhas.

Aquele abraço e foco na música! 

OBSERVAÇÃO: COMENTÁRIOS ANÔNIMOS SERÃO REJEITADOS. CRÍTICAS SÃO SALUTARES, MAS O ANONIMATO É O CANTINHO DO COVARDE. IDENTIFIQUEM-SE AO COMENTAR, POR FAVOR.

Planos das bandas Rock City para 2015

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Saudações

Não, esse post não trata do Rock City, o festival. Eu não estive lá, portanto, não posso falar (do que não vi). Óbvio, né? Isto posto, quero falar um pouco sobre as bandas presentes no já tradicional festival, em sua quinta edição. É um evento importante, que reúne algumas ótimas bandas da cidade. Bom para o público, que entra quase de graça (quilo de alimento como ingresso), e bom para as bandas presentes, pois participam da coletânea relacionada ao evento (embora não seja exatamente barato gravar a faixa, uma situação pitoresca onde a banda paga para tocar, mas isso é outra história. Atualizando: farei um post sobre a Heaven Studio, promotora do Rock City, a pedido do Alessandro Küster, abordando a visão deles sobre o tema. Em breve). Outro lado positivo é o incentivo ao trabalho autoral. Isso é importantíssimo em meio à overdose de bandas cover que temos por aí. Mais relevante ainda, claro, foi a arrecadação de uma tonelada e meia de alimentos, entregues à Provopar. Este é o legado mais importante, sem dúvida.

Além do tradicional Rock City, a Gorpa atual conta com o Maquinária Rock Field e o Mobiliza (esperamos que haja a segunda edição em breve), além dos eventos organizados no Serv Car (os reis da cerveja ruim), que sempre apresentam bandas bem novas. Algumas ótimas revelações, e outras, empulhações execráveis. Enfim, vale a tentativa e o amor pelo roquenrou, né? Não dá pra saber se o cara é bom de palco, se ele nunca subiu em um. Entre ovos e tomates, todos acabam vivos e bêbados, e o objetivo é esse mesmo: diversão! E novos eventos não faltam. Tivemos o Solobonight recentemente, e no domingo, 26 de abril, rola o Rock Falido (na verdade, enquanto escrevo este artigo).

Bem, mas vamos falar das bandas que passaram pela quinta edição do ROCK CITY! Aproveitando, você pode ouvir a coletânea aqui no Soundcloud.

Bem, vamos às bandas!

ROCK REVIVE

Tem previsão para lançamento de um disco em  meados de novembro. No momento, as músicas estão em processo de composição. Estúdio, só daqui alguns meses. Mas a banda acaba de lançar um vídeo clipe para a música “Power Pray”. Confira aqui.

PRIME REVENGE

Não consegui contato com a banda, mas seu primeiro EP (Shades of Pain) pode ser ouvido neste link. O novo single, Hey Man, faz parte da coletânea do V Rock City. Ótimo som. Confira aqui, que vale a pena.

NEANDERDOGS

Outra banda com quem não conversei ainda. Por enquanto, fiquem com a música selecionada para o disco do evento, aqui.

DZARMY

A banda está na ativa há 13 anos, e conta com dois discos lançados. Colocou dois singles na área nos últimos dois anos também, e está trabalhando no terceiro álbum full, que talvez venha a ser um disco conceitual (uma ideia muito interessante, diga-se). As letras estão praticamente prontas, bem como algumas melodias. O material pode ser lançado ainda esse ano, mas creio que a tendência é que fique para o primeiro semestre de 2016.

350ML

Com dois discos (e alguns singles), a banda prepara o lançamento de seu terceiro álbum. Falta finalizar a mixagem de 4 faixas apenas. O disco terá 12 músicas, e será lançado nos formatos físico e digital (iTunes, por exemplo). Deve rolar no segundo semestre. Para quem não ouviu os primeiros discos da banda, é possível conferir no Soundcloud. A música escolhida para a coletânea do festival é uma parceria com a holandesa Wick Bambix, fundadora da banda Bambix, nomeada My Alibi, um punk rock vigoroso, com guitarras marcantes e melodias grudentas. Vai por mim: coloque no volume máximo e sinta a sonzeira.

SATISFIRE

Intenções: lançamento do segundo disco full, além de um vídeo clipe. Deve rolar mais para o fim do ano (eventualmente, 2016). A banda lançou seu primeiro álbum lá em 2008, e um EP no ano passado. É uma banda de inegável criatividade musical.

FUTHÄRK

A banda é relativamente nova, e os planos são seguir fazendo shows e gravar alguns singles, até ter material suficiente para um EP. Ainda sem previsão de lançamentos (é mais provável que role algumas coisa em 2016). O show deles é muito bom, e o grupo já tem um público fiel.

ULTRA VIOLENT

Sem planos para lançamentos, no momento. A banda é figurinha carimbada no rock local, tem um público fiel, e já lançou alguns singles. Falta o disco, agora, né, Rocha? ehe

DISASTER BOOTS

A Disaster é uma banda bastante ativa, tocando com certa frequência, e é alvo de muitos elogios. Tem uma sonoridade personalíssima, um ótimo vocalista, um instrumental foda, e uma identidade própria. Das melhores de nossa cena, hoje, certamente. Com 2 singles lançados, a proposta é concluir mais 8 faixas para fechar em 10 para um disco. As gravações devem ficar para o segundo semestre. Talvez o disco não nasça ainda em 2015, mas creio que há boas chances para o primeiro semestre de 2016. Ouça aqui a song Mr. Lakeman.

D KRAUZ

Daniele Krauz Lançou o EP Insight, no ano passado, apenas em formato digital, e trabalha na composição de músicas para um disco full. Serão 12 faixas, ao estilo das que já foram lançadas. A banda é tecnicamente muito afiada, contando com ótimos músicos. As letras também serão na mesma (autoavaliação, crescimento, força e amor). A ideia é lançar ainda esse ano, em formato físico. Vamos aguardar. Acredito que se conseguir estabilizar a formação, vai longe.

THE EMPIRE RISE

Também não consegui contatar esta banda ainda, mas uma das músicas tocadas no evento, Waiting For The End, fará parte do primeiro EP da banda, a ser lançado em breve.

BAGRE VÉIO

A banda pretende lançar talvez mais duas músicas esse ano. O EP sairá quando tiver umas quatro prontas, mas não há previsão de lançamento ainda. Confira o primeiro single da banda aqui.

KINGARGOOLAS

Estava na programação, mas por compromissos firmados anteriormente, não pôde se apresentar. Porém, lança em breve seu segundo disco FULL. Além disso, já foi lançada a  coletânea “Weirdo Fervo! – Bizarre wild trash garage surf & primitive rock compilation”, que conta com songs de bandas bizarras como  O Lendário Chucrobillyman, Movie Star Trash, Horror Deluxe, Strato Feelings, Reverendo Frankenstein, Mauk e os Cadillacs Malditos, além da faixa “Fórceps Poseidon”, dos Kingargoolas. Detalhe: EM VINIL! Quem quiser adquirir, é só entrar em contato com a banda.

De momento, é isso. Atualizações em breve! Abraço, tudo de bom e mantenham a fé na estrada ehehe.