Arquivo da categoria: Clássicos do Rock

Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 1

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Saudações, galera da música!

Estamos iniciando uma série de posts aqui no Gorpa Music, que tem como objetivo mostrar as canções feitas aqui na região de Guarapuava, que o pessoal da música (músicos, fãs…) curte. Nossa ideia é colocar uns cinco depoimentos por post, e publicar semanalmente uma nova lista. Hoje, o escritor não sou eu, e sim vocês, povo musicado! 😀

Claro que a série é, de certa forma, uma brincadeira, mas também é didática no sentido de fazer com que possamos conhecer melhor o trabalho de nossos artistas. Temos uma cena forte e de grande qualidade hoje. A mídia tradicional não conspira a nosso favor, então a divulgação deve partir de nós mesmos. Com esses posts, teremos mais contato com músicas bem interessantes e que, eventualmente, desconhecíamos. Também é um termômetro interessante do que pensam nossas companheiras e companheiros de palco. A sequência dos depoimentos é por ordem de chegada. Não é alfabética, de “importância”, de amizade. É de chegada, ehe.

Mas chega de enrolação e vamos aos depoimentos!


GUILHERME ROCHA
(Armazém do Rock / vocalista e guitarrista da Ultra Violent, guitarrista da SOAD Tribute e vocalista da Emdroma)

Música: POWER PRAY
Banda: ROCK REVIVE
Palavras: Simplesmente incrível como a banda evoluiu em seu novo single. Hard Rock com muita pulsação!

MATEUS GODOI COUTINHO (Mix Tape / banda Lascívia)

Música: IN THE FOREST
Banda: FUTHÄRK
Palavras: Gosto muito das bandas de Guarapauva, tenho um carinho mais que especial pela Adoc e Satisfire, mas tenho escutado muito a In the forest da Futhärk, nunca tinha ouvido nada relacionado ao Folk Metal, mas depois da apresentação apoteótica no Maquinária Rock Field a banda ganhou meu coração.

ALESSANDRO KÜSTER (Heaven Studios / baterista da SatisFire)

Música: HALLELUCINATE
Banda: DISASTER BOOTS
Palavras: Excelente composição não linear e que não segue um padrão. Ótima melodia vocal, excelente timbre e interpretação do Roberto Scienza.O instrumental é vigoroso, criativo e dialóga com várias vertentes do Rock, principalmente o Rock Setentista e o Rock contemporâneo. Também nota-se uma grande influência do Stoner Rock que começou a ser desenvolvido nos anos 90, com bandas como “Sleep”, por exemplo.

DIENIFER HORST (vocalista e guitarrista da Marlla Singer, guitarrista da Offspring Cover e da Super Heroina)

Música: THE ROAD OF METAL
Banda: DESERT EAGLE
Palavras: Não segue tanto o meu estilo, mas eu gosto das linhas de guitarra. São auditivamente interessantes pra mim.

LUIS GUSTAVO CORDEIRO (vocalista e guitarrista da Trupe do Disco Voador, integra a equipe do blog Gorpa Music)

Música: ABRAKADABRA
Banda: BUP & ROXETIN
Palavras: Conheci Dom joãozito no fim de 2013, e junto disso a canção da qual vou falar algumas palavras. Estava voltando da aula, quando encontro meu amigo dando um rolê para espairecer as ideias. Na época não nos conhecíamos muito bem, só do nosso santo ter batido de primeira, sentia como se fossemos amigos desde sempre. No dia, depois de uns minutos de conversa no meio da rua, eu estava com um violão (tinha gravado alguns trabalhos na faculdade) e decidimos ir para praça pra mostrar um pro outro nossas composições. Foi quando me deparei com Abrakadabra, da sua então recém nascida banda Bup & Roxetin. À primeira vista, a canção me deixou boquiaberto pela quantidade de referências presentes em sua letra. Na época estava internado no ritmo do blues, então, já imaginam a minha reação. Fiz então, algumas perguntas sobre frases que considero geniais dentro da composição. Passeando pelo rock nacional e pelo misticismo, eis meu trecho preferido:

“Faz o que tu queres, que é pra não se arrepender
mandei fora o conformismo, pra não mais me aborrecer
agora meus vizinhos me chamam de bruxo imoral
que aprendi com Mr.Crowley alcançar meu nono grau”

Considero essa canção um dos clássicos guarapuavanos, é do tipo das canções que sempre toco nas rodas de violões entre amigos. Um baita som, de uma baita banda!

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Chifrinhos do Heavy Metal

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Quem inventou o “chifre do diabo”, ou “devil´s horn”, famoso símbolo do heavy metal, feito com os dedos indicador e mindinho levantados?

Direto do livro “Black Sabbath – a Biografia”, de Mick Wall:

“Quero perguntar algo a você”, Ronnie disse quando nos conhecemos. “O que você acha disso?” Ele levantou a mão direita, fazendo a forma que agora, trinta anos depois, o mundo conhece como a saudação do chifre do demônio. Fiquei perplexo. Nunca tinha visto ninguém fazer isso. Ele levantou a outra mão, e fez de novo, dessa vez com as duas mãos levantadas, como se estivesse se dirigindo à multidão. Ele se levantou e caminhou pela sala, os braços levantados, fazendo os sinais, como se estivesse mandando uma mensagem da mais alta importância. O que, claro, ele estava — ou logo estaria —, quando fez sua primeira aparição no palco como o novo vocalista do Black Sabbath.

Até onde se sabe, Ronnie James DIO, uma das maiores vozes da história do rock, adotou o símbolo para se diferenciar de Ozzy, que fazia o símbolo da paz (dedos em “V”). Dio foi quem popularizou o gesto. Mas não necessariamente o inventou.

Gene Simmons, do Kiss, clama pelos créditos do símbolo, mas ele (o símbolo, não o Gene…) já apareceu no rock anos antes. Mas lá no longínquo ano de 1967, em foto de divulgação do animação “Yellow Submarine”, John Lennon aparece fazendo o gesto.

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Dois anos depois, a satânica banda Coven lançou um disco em que o gesto também aparece, no verso da capa de “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”.

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Porém, foi mesmo DIO quem popularizou o gesto e o transformou em símbolo do metal. Usado por roqueiros e mesmo outra tribos atualmente, a impressão é que o símbolo sempre existiu. Nem se imagina que houve um tempo em que as pessoas simplesmente não faziam os chifrinhos durante um show.

Um gesto semelhante já existia em religiões como o budismo e o hinduísmo, com o nome de Karana Mudra. Era usado para afastar problemas e pensamentos negativos.

Taí, galera. Fiquem com o vídeo de Heaven & Hell, do Sabbath, música do disco homônimo, lançado em 1980:

Andre Matos + Desert Eagle

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TEXTO DE DANIELE KRAUZ

 

Infelizmente o Fabiano não pode estar presente ao show ontem. Azar dele que perdeu um evento maravilhoso. Para não passar em branco vou deixar as minhas impressões.

Comecemos pela banda Desert Eagle, que abriu o show com músicas autorais. A banda guarapuavana chegou mando bem. Com muita desenvoltura no palco representaram com estilo o rock local.  Giovane de Oliveira Pilar na guitarra,  vocal de Kellen Volochati,  Max Nunes no baixo  e Douglas Carvalho na bateria esbanjaram energia. Apesar da apresentação curta acredito que todos, inclusive quem ainda não conhecia a banda, ficaram bem impressionados. As músicas agitadas, a ótima interpretação da banda toda e a simpatia de Kellen fizeram um bom aperitivo para animar o pessoal.

Outro ponto que não posso deixar de comentar é a qualidade do público. Os rockeiros guarapuavanos não são exatamente de agitar nos shows, mas é um pessoal que presta muita atenção. Vários instrumentistas presentes, pessoal muito educado, apesar de várias vezes o Hugo Mariutti entregar a guitarra literalmente na mão do público o pessoal só tocava (e com carinho rs) quando não interferia na música. Todo o pessoal curtiu cantando e gritando o show inteiro, todo o pessoal da frente do palco pode apertar a mão do André, que pegou alguns celulares para gravar o show de cima do palco. Todo mundo interagiu, se emocionou e se assustou quando por três vezes André Matos quase nocauteou o baixista com o pedestal do microfone. E ainda foi encontrada uma criatura que conseguiu gritar tão agudo que o próprio André fez questão de apontar.

Foi um show bem mais longo do que eu esperava e extremamente prazeroso em todos os aspectos. Parabéns e agradecimentos ao Leandro Kuster e equipe pelo esforço para trazer um show de tamanha qualidade por um preço acessível em uma organização que permitiu ao público assisti-lo confortavelmente. Para quem perdeu a oportunidade só resta ficar esperto para a próxima que esperamos anciosamente.

Site oficial de André Matos: http://www.bandaandrematos.com/

Para quem ainda não conhece a Desert Eagle:

Canal da banda – https://www.youtube.com/channel/UCG1Lc1Q1qnOQujCcITwUByw

Fan Page – https://www.facebook.com/pages/Banda-Desert-Eagle/283283628361447

Cinebiografia de Jimi Hendrix… sem suas músicas?

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A cinebiografia do maior guitarrista de todos os tempos tem estreia marcada para o dia 26 de setembro.

Ok, Jimi Hendrix é mais que merecedor de filmes, livros e todo tipo de material que nos possibilite lembrar dessa lenda. O problema é que essa cinebiografia simplesmente não trará músicas do cara…

All Is by My Side é o nome do filme que traz André 3000, da banda Outkast, no papel do gênio. Honestamente, vendo o trailler, parece um filme perfeito para a Sessão da Tarde. Mas esse está longe de ser o pior dos problemas. A família do guitarrista não liberou suas músicas para a obra. Desconheço os motivos, mas o filme não me parece dos mais dignos. E certamente será “esquecível”, sem suas canções. É um belo de um desperdício de recursos. Hendrix merece um grande, um puta filme! Demorou. Mas não foi dessa vez.

Confira o trailler e tire suas conclusões:

Metallica e Iron Maiden há 3 décadas

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Há 30 anos, tivemos dois lançamentos primorosos no mundo metal.

O Metallica colocava no mercado o seu segundo trabalho, Ride the Lightning. Entre os melhores da banda, certamente (particularmente, meu segundo favorito da banda). Havia uma clara evolução nas composições, em relação ao agressivo primeiro disco, e uma das faixas mais legais é essa abaixo aí, For Whom The Bell Tolls:

Outra gigante do metal, Iron Maiden, já estava em seu quinto disco, o absurdamente clássico Powerslave, com, possivelmente, a melhor capa da história da banda! São 8 faixas carregadas de peso e musicalidade, com grande performance de todos os integrantes, neste que considero o fim de um ciclo na carreira do Maiden.

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Fique com Losfer Words (Big ‘Orra), faixa instrumental de Powerslave, abaixo!

Master of Reality – BLACK SABBATH

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Há 43 anos (e um dia) era lançado o terceiro bolachão da banda que inspirou 99% dos grupos de metal que viriam depois (até porque o Sabbath praticamente inventou o estilo). Ozzy Osbourne, vocal, Tony Iommi, guitarra, Geezer Butler, baixo, e Bill Ward, bateria, são os responsáveis por este grande momento da banda.

Master of Reality foi lançado em 21 de julho de 1971, sendo o terceiro disco em menos de um ano e meio. Eles eram extremamente produtivos nos primeiros tempos, além de absurdamente inspirados. O Master é um disco que vem com uma produção bem mais suja que os anteriores (Black Sabbath e Paranoid), e com um punhado de músicas que se tornaram clássicos do rock.

São cerca de 35 minutos de som, apenas. 35 dos melhores minutos do rock setentista, certamente. O álbum abre com a clássica tosse do guitarrista Tony Iommi, antecedendo a porradaria que dá o tom de Sweet Leaf, “folha doce”, que trata, obviamente, da erva favorita dos doidões: a maconha. A faixa seguinte, After Forever, é das mais inusitadas da banda, já que se trata de uma espécie de defesa da religião (e do Papa!). Conhecendo o contexto em que ela foi escrita, é até compreensível. Grupos satanistas seguiam a banda em shows, causando verdadeiro pânico no quarteto de Birmingham (Inglaterra), que tentou se desvincular desses grupos, diversificando os temas das músicas e simplesmente deixando o lado mais sombrio de lado. Ao menos, até certo ponto, pois neste mesmo disco há um pouco de ocultismo.

Passado o surto religioso, temos uma pequena faixa instrumental intitulada Embryo, rápida e sinistra, que serve como abertura para o próximo clássico, Cildren of the Grave, hino obrigatório até hoje nos shows da banda. A letra volta a tratar de guerra, a exemplo de War Pigs, e traz Bill Ward absolutamente inspirado, com uma forte batida de bateria.

Estamos na metade do disco, o que geralmente significa que o melhor já passou. Pois bem, não é o caso aqui, pois caminhamos para Orchid, mais uma faixa instrumental de Iommi, acústica e singela, que abre caminho para uma porrada: Lord of this World, cujo tema é… possessão! Fim da “singeleza”. Além do tema pesado, a música em si arrebenta tudo, entrando com um riff pesadão de guitarra, além da bateria quebrando tudo! O Ozzy parece realmente possuído nessa faixa, com um vocal doentio, levado pelo ritmo da música, boa pra bater cabeça.

Para dar um descanso aos ouvidos (mas não à alma), a sétima faixa é Solitude, uma música em que muita gente chegou a pensar que fosse cantada por outro integrante, de tão diferente a voz do Ozzy aqui. Muito mais grave e contida. A canção é arrastada, em um tom bem baixo, e triste de fazer palhaço se jogar no abismo. Não recomendo para depressivos. Mas eu adoro essa música!

Fechando o disco, Into the Void! Uma música que, para mim, define e resume o Sabbath com perfeição: riff pesado e criativo, ritmo poderoso entre guitarra, baixo e bateria, uma abertura magistral, e a voz de Ozzy rasgando tudo na sequência! Pesada, suja, destrutiva. Tudo que o metal nunca deveria deixar de ser! Um fechamento perfeito para uma era do Rock.