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SOLOBONIGHT!!! Quase tudo sobre o evento de encerramento da I Copa Mix Tape!

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Saudações, raríssimas e raríssimos leitores! Hoje vamos comentar um pouco do que rolou no sensacional Solobonight, ocorrido na MUV, dia 08 de março, domingo, Dia Internacional da Mulher.

O evento, que encerrou a I Copa Mix Tape (falaremos da copa em outro post… aguardem), trouxe quatro bandas, em uma noite gostosa e extremamente bem organizada pelos Kingargoolas, que tiveram o apoio de diversos parceiros, devidamente citados ao final da matéria.

O INÍCIO

Primeiramente, devo confessar que não sou jornalista. Isso é meramente um hobby de alguém que adora música, e que gosta de acompanhar a cena local. Cena esta que vem se desenvolvendo de uma forma brilhante nos últimos anos. É surpreendente como temos talentos e mais talentos locais, soterrados no mar de mediocridade midiático, com pouco espaço, mas com uma vontade imensa de trabalhar e se mostrar. E é isso que temos percebido a cada evento. Muita boa vontade e qualidade. Os eventos são, muitas vezes, tentativa e erro. Esse eu posso dizer que acertou e muito, e em vários níveis: qualidade das bandas, diversidade musical, pontualidade, local do evento… enfim, vamos destrinchar esses pontos na matéria.

SOLOBO…NIGHT?

Bom, pra começar esse papo, vamos destrinchar o significado de “Solobonight”, para os desinformados que, como eu, não entenderam o nome, eheh. A banda Kingargoolas tem uma música chamada Solobonite em seu primeiro disco. Com a palavra, Mackey, o óme do Teremim: “Ela se chama assim porque faz referência a um filme do Ed Wood, chamado Plan 9. Seria, segundo o filme, uma bomba, uma explosão, que destruiria o universo todo…é uma viagem, porque o filme é B total, mas a gente adora essas porcarias, hehe”. Solobonite, segundo a Wikipedia, é uma bomba imaginária concebida pelo cineasta Ed Wood. “Tal objeto figura no filme de maior sucesso do diretor, Plano 9 do Espaço Sideral (Plan 9 From The Outter Space) de 1956. Segundo o enredo do filme essa bomba, mais poderosa do que qualquer outra já criada pelo homem, seria capaz de explodir a própria luz do Sol, e por consequência, todo o sistema solar!”. Eu adoro saber de onde surgem nomes e ideias, e a Kingargoolas é uma banda que trabalha muitas referências pop (quadrinhos, cinema etc). Mais à frente, inclusive, é uma ideia do Gorpa Music (mais especificamente, do Gustavo da Trupe do Disco Voador) destrinchar referências e composições de músicos locais.

LOCAL DO SHOW

MUV. Como o pessoal de Gorpa sabe, a MUV é reduto da música sertaneja. Eventos de rock são absolutamente raros lá. Então, era uma incógnita, nesse aspecto. O local é muito acolhedor. O palco, bonito. O espaço não é grande, mas perfeito para eventos underground. Não posso deixar de comentar que o público me surpreendeu, pois realmente tinha uma boa quantidade de pessoas no local. O povo foi chegando aos poucos, e o recinto ainda não estava cheio quando a primeira banda, a Feeling Folk´s, tocou. Mas depois encheu, e a galera se divertiu, pulou, dançou e bebeu de forma absolutamente ordeira. Roqueiro é tudo gente boa! 😀

Não vou dizer que a cerveja era barata, mas ao menos as opções eram muito boas, o que não ocorre em todos os eventos, se é que me entendem…

1, 2, 3… FEELING FOLK´S AND REDNECKS

603116_781955448558536_3153684019065502489_nBom, mas isso aqui é rock´n´roll, então chega de papo! A primeira banda a subir ao palco foi, como supracitado, a Feeling Folk´s and Rednecks! É uma banda bem diferente do que estamos acostumados a ver por aqui. Country, country rock, folk, bluegrass, mais ou menos por aí. Com uma pegada forte, de fibra. O som é uma delícia. Imagino o que será o CD desses caras! Fotos e vídeos do evento estão sendo divulgados na página do evento no Facebook. Clique aqui.

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Feeling Folk´s e seu country na Solobonight

Além daquele banjo sensacional (que não é um banjo, e sim um mandolin, mas eu manjo muito dos paranauê…), ainda tem um violoncelo lindo (que também não é um violoncelo, nem um baixolão, como eu pensei, mas um baixo acústico), com um som encorpado e elegante. Realmente muito bom. Os caras mesclaram covers com músicas próprias, e talvez lancem seu primeiro disco ainda esse ano. Na torcida aqui, pois acredito que o potencial é grande. Saquem as músicas tocadas no evento:

1- Interior do Paraná
2- Ring Of Fire
3- Eu Voltei
4- King Of Fools
5- Raízes
6- Rockaway Beach
7- Folsom Prison Blues
8- Velho Bar
9- A Garrafa e a Ansiedade

A formação da piazada é essa:

Lucas Otaki- Vocal/violão
Mattheus Cabeça – Baixo Acústico
Emerson Bolacha – Guitarra
Gabriel Brito – Mandolin (que eu, do alto de meu vasto conhecimento musical, jurava que era um Banjo)

Dr. SKROTONE E A MÁFIA DO SKA

Quem foi ao show, de forma geral, sabe o que é Ska. Mas sei que a maioria das pessoas desconhece o estilo. O Ska é um dos troços mais dançantes já criados pela humanidade. Eu gosto muito, mas foi a primeira vez que vi um grupo do gênero ao vivo. E confesso que adorei. Achei simplesmente inebriante!

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Máfia do Ska no palco da MUV

O ska, embora soe muito diferente do reggae, foi o precursor do gênero que consagrou Bob Marley. Surgido no fim dos anos 50, na Jamaica, mistura ritmos caribenhos como o mento e o calipso, com músicas estadunidenses, sobretudo o jazz, o jump blues e o rhythm blues (valeu, Wikipedia!). Creio que a banda mais conhecida e consagrada do gênero foi a Skatalites, dos anos 60. No Brasil, já naquela década havia reminiscências ao ska dentro da Jovem Guarda. Já nos anos 80, o exemplo mais forte são os  Paralamas do Sucesso, que lançaram várias músicas desse gênero, mas várias bandas dos rock nacional dos 80 e 90´s tem influência desse gênero, por vezes confundido com o reggae.

Voltando ao presente, A Máfia do Ska é uma banda pontagrossense, de enorme10675579_281705848619690_1119410691082465112_n qualidade técnica, com várias composições próprias. A banda também toca alguns covers e versões (rolou inclusive Paralamas no show, além da seminal Skatalites), mas produzem material próprio. O visual da banda é muito legal, com gravatas e tudo o mais, bem típico do vestuário tradicional do ska. Os instrumentos de sopro são muito fortes nesse gênero musical, trazendo uma sonoridade aberta, alegre e dançante. Foi bonito de ver a galera dançando na MUV! O local já tinha bastante gente quando a Máfia subiu ao palco.

Eis uma mensagem da Máfia do Ska que resume o que representou a noite de domingo: “Chega a ser indescritível a atmosfera que vivenciamos aí em Guarapuava. Sabemos das dificuldades em fazer um evento desse porte apenas com artistas regionais. E ontem foi uma prova que o Paraná é um celeiro de talentos da subcultura, e tem toda a capacidade para se tornar um polo nacional e referência não só na música, mas em todos os âmbitos que envolvem a arte. Ficamos extremamente felizes com o retorno do pessoal que compareceu. Reunir tantas pessoas, num domingo com chuva, somente músicos do estado, para a cidade é um privilégio e estão de parabéns; a noite foi perfeita.”

Setlist:

– Intro (Própria)
– Dobrando a esquina (Própria)
– Gangsters – Specials (Versão)
– Somos Brasileiros (Própria)
– Ska ska ska (Própria)
– I chase the devil – Max Romeo (Versão)
– Vida Simples, Luta Dura (Própria)
– Sete Covas (Própria)
– O Patrão – The GodFather (Versão)
– Malaco – Specials – messenge to you rude
– Guns of Brixton – Clash (Versão)
– Guns of Navarrone – Skatalites (Versão)
– Anti Racista (Própria)
– Jam (Própria)
– O Beco – Paralamas (Versão)
– Pressure Drop – Maytals (Versão)
– Monkey Man – Toots and Maytals (Versão)

Formação:

Juninho – Vocalista
Danilo – Bateria
Gabriel – Baixo
Rodrigo – Guitarra
Larissa – Teclado
Elson – Saxfone
Willian – Trompete

KINGARGOOLAS

Kingargoolas, com o Chucrobillyman no centro

Kingargoolas, com o Chucrobillyman no centro, e o Ramon logo atrás (aquele orelhudo ehe)

Após o espetáculo promovido pela galera do ska, presenciamos a dona da bola, promotora do evento, idealizado do conceito. A Kingargoolas, com sua surf music instrumental. O quarteto é tecnicamente muito, mas muito bom. Eu nunca tinha visto ao vivo. Tenho o primeiro disco (o segundo está para ser lançado), e achei que o grupo soa bem mais pesado no palco que em CD. Até me surpreendi nesse sentido. A presença de palco é ótima, e aquela máscara irônica do Mackey (guitarra) é um caso à parte. Também é com ele o momento Theremin do show. Um instrumento inusitado e bastante incomum, de difícil execução. A banda tem bastante material próprio, e mesclou músicas dos dois discos. Pela qualidade apresentada, parece-me que vem algo realmente muito bom por aí. Interessante notar que, com todo o reconhecimento que o grupo já tem, os caras são simples e humildes (as máscaras se restringem ao palco ehe). E, mesmo que não pretendam se tornar promotores de eventos, definitivamente se deram muito bem neste! Durante o show, apareceu até um mascote à la Eddie, distribuindo bebida… divertido e inusitado eheh.

Quanto ao Theremin (ou Teremim), é um dos primeiros instrumentos musicais completamente eletrônicos, tocado sem contato físico do músico. Ele é bem antigo, foi patenteado em 1928, mas inventado em 1919 pelo russo Lev Sergeivitch Termen. Quem quiser entender o seu funcionamento, pode clicar aqui. Basicamente o instrumento é o pai do sintetizador e da música eletrônica. O uso do teremim é comum em trilhas de filmes de terror e ficção científica (como no clássico “O Dia em que a Terra Parou, ou nas aberturas das séries “Doctor Who” e a antiga “Startrek”), e foi “redescoberto” pelas bandas de rock nos anos 60 e 70. Os Rolling Stones e o Led Zepellin fizeram uso do instrumento. O Zep o utilizava ao vivo na execução de “Whole Lotta Love”. O som é etéreo, por vezes fantasmagórico, e definitivamente mágico.

Bom, a Kingargoolas estava encerrando com a música “Wipe Out“, mas o povo pediu, pediu e ganhou mais uma. A galera só pede mais uma música quando a banda agrada de verdade. Do contrário, todo mundo dá graças a Goku e respira aliviada. E assim os mascarados terminam seu set, aclamados e certamente felizes pela missão bem cumprida, abrindo espaço para a última atração da noite, o malucaço Chucrobillyman!

Setlist

Enia, Puxe o Freio!
Lambreta Sunburst
Tit’s a go go
Pullover Tom Pastel
Corra Carlos, Corra!
Rockula
Crazy Race Rock
Le Mequifoá
Solobonite
Tequila
Hipotálamos Reverse
Tantra Wave
Crazy Cuckoo Clock
Surf Party
Fórceps Poseidon
Wipe Out
Acme Speed Dynamite

Formação:

Baixo: Joerto
Guitarra: Aredes
Guitarra/Theremin: Mackey
Bateria: Cerso

BRINDES E PRÊMIOS

Apresentada pelo Duda, da MIXTAPE, tivemos uma sessão de sorteios de brindes, piercings, tatuagens, vestido, bandana e outros prêmios. Momento mimoso do evento 🙂

O LENDÁRIO CHUCROBILLYMAN!

Para encerrar o minifestival, contamos com a presença da lenda viva, insana e11061992_1019596184736480_3095445856824501799_n psicótica, vinda de Curitiba… Chucrobillyman, a banda de um homem só! Com um som pesado, psicodélico e personalíssimo, o Chucro e seu slide fizeram a festa da galera. Acho interessantíssimo perceber que músicos experimentais como ele conseguem ter espaço ainda, num mundo tão monocromático. Pode-se gostar ou não do som. Só não se pode negar a genialidade do cara, que toca violão, bateria e instrumento de sopro, tudo ao mesmo tempo, além de não parar quieto. Lá pelas tantas, circulou pelo recinto, dividindo a viola enquanto quase plantava bananeira. Basicamente um doido. Mas um doido de imensurável talento! O som é uma paulada na orelha.

Uma de suas músicas, Chicken Flow, foi utilizada num clip-divulgação da  11ª Corrida Noturna Unimed Curitiba. Confira o divertido vídeo aí:

10620136_894270167269007_5815615061432568515_oNa própria definição de Klaus Koti, o único membro da banda (que além de músico, é artista plástico), “Chucrobillyman decidiu montar sua “banda de um homem só” e tocar todos os instrumentos sozinho e ao mesmo tempo mesclando o minimalismo do rock, a urgência do blues e do punk e a estética do som garageiro dos anos 60.” Ele cita ainda motores diesel e sistemas elétricos como influências musicais. Há muito material no Youtube sobre o cara. Clique nos links abaixo para conhecer:

Clip de Chicken Flow
The Chicken Album (disco completo)
Show no Psicodália 2012
Para acessar seu site oficial, clique aqui.

Eis a seleção de músicas da noite, que também teve pedido de bis (devidamente concretizado):

1- Viola Intro
2- Heart Ignition
3- Whiskey-o-Wine
4- Nothing to Choose
5- Fried Chicken Blues
6- Ezquizofrenic Love
7 –Space Blues
8- Going to see ma Babe
9- Shinning Light
10- Rollercoaster Love
11 – Chicken Truck
12 – No Enzime Blues
13 – Carmem
14 –Dirty Doll
15 – Chicken Style
16 – Macumba for You

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PARCEIROS

O evento foi realmente fantástico, muito bem organizado pelos Gargoolas, e teve diversos apoiadores, devidamente citados aqui: Armazém do Malte, Beer’s House, Armazém do Rock, Tales Tattoo, Studio Arte & Beleza, Atelier & Brechó Irisdelfane, Revival Bolsas e Artes, Brownie do Chef Guigão, Gráfica Imagem, MixTape, Fosferia e Donizete Krasniak.

E que venha logo o próximo Solobonight!!! 😀

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Maquinária Rock Field – Parte 3 – Crônica de um Massacre Anunciado – Torture Squad!

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Já passava da meia-noite na bela Chácara Morada da Lua. A galera do metal suportava espartanamente o vento gelado em pleno verão. O cansaço era visível em cada canto. Boa parte do pessoal simplesmente desapareceu após o show da Ultra Violent, banda da casa que já entrou com o jogo ganho. Depois da Ultra, ainda tivemos a Darma Khaos, de Curitiba, com seu crossover, já para um público bem menor. Com o tempo estourado e vizinho reclamando do “barulho” (sacanagem chamar de barulho, mas tudo bem…), a Maquinária, dona da festa, realizadora deste monumental evento (junto à Pallco e aos Dead Cowboys), fez um set curto, com pouco público, mas um público que abraça a causa e acompanhou cada momento no palco. Durante o pocket show dessa antiga e clássica banda guarapuavana, chegou a van da atração principal do festival: Torture Squad!

Cansaço. Frio. Muito frio. Cãimbras. Altas horas. Saco cheio àquela altura. Muita gente já tinha ido embora, sem conferir a banda da noite. E foi longo, muito longo o tempo que a Torture levou para deixar seu equipamento absolutamente redondo para o show. Nada poderia ficar abaixo da perfeição, e foi com esse espírito e essa esperança que ficamos aguardando. E a demora desanimava a galera… uns pensavam em ir embora. Outros, mais espertos, trouxeram cobertores. Escuridão e um inusitado silêncio calavam as almas atormentadas. Não contei, mas não devia ter muito mais de 50 pessoas naquele momento, perto das 2h da madruga.

O trio, formado por Amílcar (bateria), Castor (baixo e vocal) e André Evaristo (guitarra e vocal), passava o som, testava, mexia, alterava, testava de novo, e a galera, cheia de olheiras, com sono e frio, observava (só observo…). Mas… o tempo passa, e em algum momento o espetáculo começaria. Ok, os discos são fantásticos. Mas será que ao vivo a banda seria tão impressionante? Valeria aquele “sacrifício”?

A resposta, creio, seria unânime após o show: do caralho!!!!!!!!!

Absolutamente um massacre! Uma porradaria altamente técnica, de uma qualidade assombrosa. Três instrumentistas impressionantes, além de carismáticos e profissionais ao extremo. Extremo como o som. Era inacreditável o que estava acontecendo. E praticamente não havia intervalo. Uma música emendada na outra, pra não dar um instante sequer de sossego aos nossos privilegiados ouvidos. Aqui eu já torno a narrativa absolutamente pessoal. Estava hipnotizado. Esqueci o frio, a vontade de mijar, o sono, a dor nas pernas (véio é foda…), e me senti integrado àquela catarse coletiva, àquela onda sônica que nos arrasava, a todos. Os três músicos são incríveis. O baterista parece ter uns 12 braços. O bumbo duplo fazia o chão tremer. O baixista, um caso à parte. Impressionante a destruição causada pelo cara. Além da presença monstruosa de palco e a voz de trovão. O guitarrista solando lindamente, tirando sons inacreditáveis e pesadíssimos daquelas 6 cordas tonitruantes.

Não havia mais ninguém reclamando de porra alguma. Privilegiados. Uma banda desse quilate tocando para umas 50 pessoas. Pessoas que certamente não esquecerão esse momento. Devo dizer que o profissionalismo da banda é notável. Tocaram com uma garra animal, ofereceram o melhor de seu talento para alguns poucos presentes. Isso é banda!!! Isso é respeito pelos fãs. Tanto faz se são cinco mil pessoas, ou algumas poucas dezenas. Ao final do show (é, infelizmente ele acabou…), demonstraram extrema simpatia conosco, e pela causa do underground. Rolou uma distribuição de baquetas (não consegui uma…) e ainda uma foto coletiva, que pode ser conferida abaixo.

De minha parte, devo dizer que foi um dos melhores shows que já assisti. E ainda, claro,  o privilégio de conferir ao vivo e tão de perto uma das maiores bandas do Brasil, quiçá do mundo! Porque o que esses caras tocam, e quem conhece sabe, não é pra qualquer um. Gênios! Sem viadagem, o som é tão fantástico que uma lágrima quase desceu de um de meus olhos! Houve um momento em que tive uma leve vertigem, com a sensação de que o palco estava se inclinando. Cansaço? Ou o som causou isso? Sei lá. Só sei que não vi ninguém sair triste de lá… quem ficou até o final, sabe que valeu, e muito, a espera, o frio, o cansaço… e ainda lamentou quando o show acabou. Novamente o silêncio, a escuridão, as trevas… e as lembranças de uma barulheira infernal e de altíssima qualidade.

Jamais esqueceremos, tenho certeza disso!

A atual turnê divulga o mais novo disco da banda, lançado em 2013, e intitulado Esquadrão de Tortura. É o primeiro com título em português, o primeiro como um trio (salvo engano, e alguém me corrija, se estiver errado), e o primeiro disco liricamente conceitual. As letras tratam do período em que o Brasil esteve nas mãos de uma ditadura militar.

O setlist apresentado pelo trio foi o seguinte:

NO ESCAPE FROM HELL
PULL THE TRIGGER
PÁTRIA LIVRE
PANDEMONIUM
LIVING FOR THE KILL
COME TO TORTURE
THE UNHOLY SPELL
GENERATION DEAD
CHAOS CORPORATION
HORROR AND TORTURE

Torture Squad em Gorpa!

Torture Squad em Gorpa!

ONSLAUGHT, ARTILLERY, MAQUINÁRIA # Cancelado#

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Bom, pessoal, o evento foi cancelado por questões logísticas relacionadas às próprias bandas, mas vou manter os textos sobre o Onslaught e a Artillery, pois vale a pena conhecer. Muita gente não teve oportunidade de ouvir esses sons, então fica aí o texto com dicas de “audição” e tudo o mais. 🙂

 

Buenas, galera! Dia 28 de novembro, no CTG Fogo de Chão, a partir das 21h, teremos ONSLAUGHT, ARTILLERY E MAQUINÁRIA quebrando tudo em Gorpa!

 

Aproveitando a vinda das bandas estrangeiras Artillery e Onslaught, vamos fazer uma pequena revisão histórica aqui, para relembrar os fãs dos dois grupos, e para fazer conhecer àqueles que ainda não tiveram oportunidade de se deparar com a sonzeira thrash dos dinamarqueses do Artillery e dos britânicos do Onslaught. Ambas surgiram mais ou menos no mesmo período (1982/83, na gênese do Thrash Metal) e, em comum, se dispersaram em algum momento, voltando anos depois.

Comecemos pelo quinteto vindo da Dinamarca, ARTILLERY. A banda renasceu duas vezes e já teve diversas formações. Relegada ao segundo escalão do Thrash, nunca teve o merecido reconhecimento, embora baste ouvir os discos para perceber o tamanho da injustiça.

Formada pelo guitarrista Jørgen Sandau e pelo baterista Carsten Nielsen em 1982, foi com a chegada do vocalista  Per Willem Onink e dos irmãos Michael e Morten Stützer (guitarra e baixo, respectivamente) que a banda tomou corpo. Ainda naquele ano, gravam a demo “We Are Dead” (lançada em 83) e de lá para cá, são 8 álbuns de estúdio, além de compactos, demos e compilações.

A banda lançou três discos considerados clássicos: Fear of Tomorrow (1985), Terror Squad (1987) e By Inheritance (1990) antes de encerrar suas atividades. Após um lapso de oito anos, voltam à ativa, agora com os irmãos Stützer nas guitarras, consagrados pelos seus riffs característicos e timbres únicos. O grupo se desfez novamente em 2000, voltando em 2007, com baixa atividade, mas firme na ativa desde 2009, agora de forma mais consistente.

Além dos brothers, a formação atual ainda conta com Josua Madsen (bateria), Peter Thorslund (baixo) e o versátil vocalista Michael Bastholm Dahl. Eis o vídeo oficial da música “Legions“, do mais recente trabalho da banda, o homônimo Legions (2013).

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Outra banda com um som pesado é a ONSLAUGHT. Formada em 1983, na cidade de Bristol, Reino Unido, chegou a lançar 3 discos nos anos 80: Power from Hell (1985), The Force (86) e In Search of Sanity (89). De tanto procurar, encontraram a sanidade perdida e ficaram um bom tempo sem ela, mas para felicidade dos fãs dos riffs do Thrash, o grupo recuperou a demência com um novo disco em 2007. De lá para cá, a banda lançou mais dois discos, e tem hoje a seguinte formação:

  • Sy Keeler – vocal
  • Nige Rockett – guitarra
  • Andy Rosser-Davies – guitarra
  • Jeff Williams – baixo
  • Mic Hourihan – bateria
  • Leigh Chambers – guitarra

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A abertura do evento ficaria por conta da nossa guarapuavana MAQUINÁRIA, banda fundada em 1989, e que conta hoje com Osni, único membro original,  na guitarra e vocal, Adriano no baixo e Júnior na bateria. Tem vídeos no Youtube, mas você pode ouvir duas das músicas no Soundcloud. Recomendo ainda o divertido clip feito para a música “Conversa Fiada”, com participação de Alex Ferrera, da Sexplose, e direção e produção de Ricardo Kuster, Cris Pawlowski e Marcelo Augusto. Clique AQUI.

Portal G1 investiga a origem do famoso grito ‘Toca Raul!’

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A matéria é antiga, de 2009, e muito interessante! Trata do famoso “Toca Rauuul!”

“Mal eu subo no palco, um mala, um maluco já grita de lá: toca Raul! / a vontade que me dá / é de mandar o cara tomar naquele lugar / mas aí eu paro, penso e reflito / como é poderoso esse Raulzito / puxa vida, esse cara é mesmo um mito”. Retratado na canção “Toca Raul”, lançada pelo maranhense Zeca Baleiro há dois anos, o famoso grito parece perseguir músicos de todos os gêneros até hoje, 20 anos depois da morte de Raul Seixas.”

Matéria completa AQUI. Mas foi no Curta Balada que eu achei essa pérola. 🙂

Qual a origem dos nomes no rock?

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Já parou para pensar nos motivos que levaram aquela banda que você adora a ter o nome que tem? Seguem aí algumas explicações, que eu coletei, ou melhor, clonei, do site da revista Superinteressante.

 

Beatles
Tanta gente perguntava a origem do nome para John Lennon que cada vez ele inventava uma história diferente. A mais aceita é que o primeiro nome, The Beetles (“Os Besouros”), foi inspirado na banda The Crickets (“Os Grilos”). O “a” veio depois, por idéia de Lennon, que gostou do trocadilho com beat (ritmo, batida).

Guns n’Roses
Axl Rose teve uma banda chamada Hollywood Rose até 1985, quando formou outra com o guitarrista Tracii Guns, do L.A. Guns. O nome escolhido para o novo time foi uma mistura dos dois anteriores. Tracii só serviu para batizar a banda, pois logo deixou o grupo para dar lugar ao cabeludo Slash.

AC/DC
Angus e Malcolm Young se inspiraram na máquina de costura da irmã deles, que tinha a inscrição AC/DC (corrente alternada/corrente contínua, que indica que o aparelho funciona tanto na tomada quanto com bateria). Eles não sabiam que a sigla também é uma gíria para bissexuais.

Rolling Stones
Rollin’ Stone era o nome de um blues de Muddy Waters, ídolo do guitarrista Brian Jones, que decidiu botar o nome da música (cuja letra dizia que “pedra que rola não cria musgo”) na banda. O “g” veio anos depois, dada a insistência de um empresário em prol do inglês correto.

Led Zeppelin
Keith Moon, baterista do The Who, disse a Jimmy Page que a banda dele iria voar como um balão de chumbo. Daí o nome “zepelim de chumbo”, lead zeppelin. Depois Page tirou o “a” para que os fãs do grupo não pronunciassem “lid” – som que lead tem quando significa liderança.

Foo Fighters
Na 2ª Guerra, os pilotos americanos freqüentemente viam bolas de fogo e objetos não identificados enquanto sobrevoavam a Europa. Eles chamaram aquelas coisas de foo fighters: foo era o jeito americano de dizer as palavras francesas feu (“fogo”) ou fou (“louco”).

Ramones
Pura inspiração nos Beatles. Paul McCartney usava o nome Paul Ramon para evitar a imprensa quando dava entrada em hotéis. O baixista Douglas Colvin gostou da idéia, mudou seu nome para Dee Dee Ramone e convenceu os colegas a fazer o mesmo.

Limp Bizkit
Há duas teorias não confirmadas, cada uma com um significado da palavra limp. Na primeira, ela significa “mole”, e o biscoito mole seria o cérebro do vocalista Fred Durst sob efeito da maconha. Mas a palavra também significa “manco”, como um cachorro de Durst que se chamava Biscuit – a outra possível inspiração.

Sex Pistols
O nome da banda punk inglesa foi idéia do seu empresário. Malcolm McLaren se inspirou na sua butique de roupas, a Sex, e pensou que ficaria legal estender a marca para o nome da banda, acrescentando a palavra “pistola” para dar uma conotação ainda mais fálica àquele sexo punk.

Legião Urbana
Depois do fim da banda Aborto Elétrico, Renato Russo começou a tocar com o baterista Marcelo Bonfá. Antes de Dado Villa-Lobos aparecer, a idéia dos dois era revezar guitarristas e tecladistas para completar a banda. Uma legião de músicos, no caso.

Os Replicantes
No filme Blade Runner (1982), replicantes eram os andróides criados como réplicas dos humanos que acabavam se revoltando contra seus criadores. História perfeita para a banda punk gaúcha, numa época em que o filme com Harrison Ford era a coisa mais modernosa do mundo.

Paralamas do Sucesso
A banda de Herbert Vianna poderia se chamar As Plantinhas da Mamãe ou As Cadeirinhas da Vovó – o grupo ensaiava na casa da avó do baixista Bi Ribeiro. Foi ele que teve a idéia de mudar para Paralamas, que todos acharam curioso e ridículo o suficiente.

Capital Inicial
O nome da banda de Brasília não tem nada a ver com a capital federal. É que, como os músicos do grupo cantavam em festas e baladas só de brincadeira, não tinham dinheiro pra começar uma carreira profissional. Ou seja, faltava o “capital inicial”.

Biquíni Cavadão
Quando tocavam músicas de Kid Abelha e Paralamas do Sucesso, o grupo de estudantes adolescentes recebeu uma visita do ilustre Herbert Vianna, que comentou: “Se eu tivesse essa idade, só pensaria em mulher, carros e biquíni cavadão”. Daí pegou.

 

Fonte: Revista Supertinteressante

Chifrinhos do Heavy Metal

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Quem inventou o “chifre do diabo”, ou “devil´s horn”, famoso símbolo do heavy metal, feito com os dedos indicador e mindinho levantados?

Direto do livro “Black Sabbath – a Biografia”, de Mick Wall:

“Quero perguntar algo a você”, Ronnie disse quando nos conhecemos. “O que você acha disso?” Ele levantou a mão direita, fazendo a forma que agora, trinta anos depois, o mundo conhece como a saudação do chifre do demônio. Fiquei perplexo. Nunca tinha visto ninguém fazer isso. Ele levantou a outra mão, e fez de novo, dessa vez com as duas mãos levantadas, como se estivesse se dirigindo à multidão. Ele se levantou e caminhou pela sala, os braços levantados, fazendo os sinais, como se estivesse mandando uma mensagem da mais alta importância. O que, claro, ele estava — ou logo estaria —, quando fez sua primeira aparição no palco como o novo vocalista do Black Sabbath.

Até onde se sabe, Ronnie James DIO, uma das maiores vozes da história do rock, adotou o símbolo para se diferenciar de Ozzy, que fazia o símbolo da paz (dedos em “V”). Dio foi quem popularizou o gesto. Mas não necessariamente o inventou.

Gene Simmons, do Kiss, clama pelos créditos do símbolo, mas ele (o símbolo, não o Gene…) já apareceu no rock anos antes. Mas lá no longínquo ano de 1967, em foto de divulgação do animação “Yellow Submarine”, John Lennon aparece fazendo o gesto.

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Dois anos depois, a satânica banda Coven lançou um disco em que o gesto também aparece, no verso da capa de “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”.

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Porém, foi mesmo DIO quem popularizou o gesto e o transformou em símbolo do metal. Usado por roqueiros e mesmo outra tribos atualmente, a impressão é que o símbolo sempre existiu. Nem se imagina que houve um tempo em que as pessoas simplesmente não faziam os chifrinhos durante um show.

Um gesto semelhante já existia em religiões como o budismo e o hinduísmo, com o nome de Karana Mudra. Era usado para afastar problemas e pensamentos negativos.

Taí, galera. Fiquem com o vídeo de Heaven & Hell, do Sabbath, música do disco homônimo, lançado em 1980:

Retornos roqueiros – Robert Plant e Faith No More.

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Enquanto acompanhamos ao vivo o Brasil afundar com a possível e insana eleição de Blablarina Natura Itaú Silva, comemoramos alguns retornos interessantes no mundo do rock.

Robert Plant, eterno vocalista do Led Zeppelin, lança seu décimo álbum solo, de estúdio, “lullaby and… The Ceaseless Roar”. Mas o trabalho já está disponível para audição em streaming. Para conferir, clique AQUI. Role a página até encontrar as faixas. Gostei do pouco que ouvi. É naquele estilo mais folk que dá o tom dos últimos trabalhos dele, que já não tem mais a potência vocal de outrora. Eu particularmente gosto do som que ele faz hoje, mas há quem ache muito sonífero.

Outro retorno, até surpreendente, é o da banda Faith No More, sucesso dos anos 90, que não lança nada desde 1997. O lançamento é para abril de 2015, e deve trazer o amalucado e psicótico Mike Patton nos vocais. Difícil imaginar o que virá por aí, já que lá se vão incríveis 18 anos de “pausa”. Abaixo, o vídeo de uma das faixas novas, tocada ao vivo:

Metallica e Iron Maiden há 3 décadas

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Há 30 anos, tivemos dois lançamentos primorosos no mundo metal.

O Metallica colocava no mercado o seu segundo trabalho, Ride the Lightning. Entre os melhores da banda, certamente (particularmente, meu segundo favorito da banda). Havia uma clara evolução nas composições, em relação ao agressivo primeiro disco, e uma das faixas mais legais é essa abaixo aí, For Whom The Bell Tolls:

Outra gigante do metal, Iron Maiden, já estava em seu quinto disco, o absurdamente clássico Powerslave, com, possivelmente, a melhor capa da história da banda! São 8 faixas carregadas de peso e musicalidade, com grande performance de todos os integrantes, neste que considero o fim de um ciclo na carreira do Maiden.

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Fique com Losfer Words (Big ‘Orra), faixa instrumental de Powerslave, abaixo!

Master of Reality – BLACK SABBATH

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Há 43 anos (e um dia) era lançado o terceiro bolachão da banda que inspirou 99% dos grupos de metal que viriam depois (até porque o Sabbath praticamente inventou o estilo). Ozzy Osbourne, vocal, Tony Iommi, guitarra, Geezer Butler, baixo, e Bill Ward, bateria, são os responsáveis por este grande momento da banda.

Master of Reality foi lançado em 21 de julho de 1971, sendo o terceiro disco em menos de um ano e meio. Eles eram extremamente produtivos nos primeiros tempos, além de absurdamente inspirados. O Master é um disco que vem com uma produção bem mais suja que os anteriores (Black Sabbath e Paranoid), e com um punhado de músicas que se tornaram clássicos do rock.

São cerca de 35 minutos de som, apenas. 35 dos melhores minutos do rock setentista, certamente. O álbum abre com a clássica tosse do guitarrista Tony Iommi, antecedendo a porradaria que dá o tom de Sweet Leaf, “folha doce”, que trata, obviamente, da erva favorita dos doidões: a maconha. A faixa seguinte, After Forever, é das mais inusitadas da banda, já que se trata de uma espécie de defesa da religião (e do Papa!). Conhecendo o contexto em que ela foi escrita, é até compreensível. Grupos satanistas seguiam a banda em shows, causando verdadeiro pânico no quarteto de Birmingham (Inglaterra), que tentou se desvincular desses grupos, diversificando os temas das músicas e simplesmente deixando o lado mais sombrio de lado. Ao menos, até certo ponto, pois neste mesmo disco há um pouco de ocultismo.

Passado o surto religioso, temos uma pequena faixa instrumental intitulada Embryo, rápida e sinistra, que serve como abertura para o próximo clássico, Cildren of the Grave, hino obrigatório até hoje nos shows da banda. A letra volta a tratar de guerra, a exemplo de War Pigs, e traz Bill Ward absolutamente inspirado, com uma forte batida de bateria.

Estamos na metade do disco, o que geralmente significa que o melhor já passou. Pois bem, não é o caso aqui, pois caminhamos para Orchid, mais uma faixa instrumental de Iommi, acústica e singela, que abre caminho para uma porrada: Lord of this World, cujo tema é… possessão! Fim da “singeleza”. Além do tema pesado, a música em si arrebenta tudo, entrando com um riff pesadão de guitarra, além da bateria quebrando tudo! O Ozzy parece realmente possuído nessa faixa, com um vocal doentio, levado pelo ritmo da música, boa pra bater cabeça.

Para dar um descanso aos ouvidos (mas não à alma), a sétima faixa é Solitude, uma música em que muita gente chegou a pensar que fosse cantada por outro integrante, de tão diferente a voz do Ozzy aqui. Muito mais grave e contida. A canção é arrastada, em um tom bem baixo, e triste de fazer palhaço se jogar no abismo. Não recomendo para depressivos. Mas eu adoro essa música!

Fechando o disco, Into the Void! Uma música que, para mim, define e resume o Sabbath com perfeição: riff pesado e criativo, ritmo poderoso entre guitarra, baixo e bateria, uma abertura magistral, e a voz de Ozzy rasgando tudo na sequência! Pesada, suja, destrutiva. Tudo que o metal nunca deveria deixar de ser! Um fechamento perfeito para uma era do Rock.

Redeemer of Souls – JUDAS PRIEST

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A jurássica e imortalmente clássica banda Judas Priest lança seu mais novo disco, intitulado Redeemer of Souls, o décimo sétimo álbum de estúdio de sua longa, longuíssima carreira. Não sei se redime o grupo perante os fãs, mas eu particularmente estou gostando bastante. A crítica musical é de uma subjetividade atroz. Se o crítico acordar de mal com a vida e fizer uma resenha de disco ou filme nesse dia, a impressão causada pode ser bem diferente da que poderia ter ficado em um dia melhor. Resenhar discos de bandas clássicas, então, deveria ser terminantemente proibido. Como não é, vamos nos divertir um pouco!

Bem, isso não é exatamente uma resenha, pois não me sinto suficientemente capaz de construir uma. O que tenho a dizer é que o novo trabalho é entulhado dos clichês mais clichezentos do heavy metal clássico. Está praticamente tudo lá: riffs antológicos, bateria ensandecida, peso e ritmo caminhando de forma harmônica, além dos gritos de praxe. Gritos estes que, naturalmente, não são os mesmos de outrora. Rob Halford praticamente perdeu seus agudos, mas continua mandando muito bem nos graves, além de arriscar uns bons gritos na terceira faixa da bolachinha, Halls of Valhalla.

Bem, se é tudo clichê, o disco é uma bela bosta então, correto? Não, não é. Para este que vos escreve, ao menos, não. A primeira impressão até não foi das melhores. A produção me pareceu abafada, Halford não empolga mais, e as músicas parecem um caso patológico de autoplágio. Porém, à medida que fui ouvindo o disco, em um volume digno de metal, senti que a banda está em forma, mantém a qualidade e continua capaz de arrepiar o ouvinte! O disco é, em geral, muito gostoso de ouvir, até viciante. Sem dúvida, muito superior a vários lançamentos de bandas novas que tentam inovar e conseguem apenas se afastar do estilo. É evidente que os caras estão mais velhos, com menos disposição e criatividade, e reciclar ideias parece o caminho natural, na insistência de se manter a banda na ativa. Mas isso não chega a ser demérito. Há muita dignidade no trabalho, e creio que irá alegrar ouvidos menos frescos. De qualquer forma, para os puristas do metal, o disco é uma maravilha, pois trata-se apenas disso: heavy metal. Exatamente aquele que o Judas ajudou a criar, com todos os clichês e idiossincrasias.

Hob Halford é um dos caras mais íntegros do rock, e adapta as canções de forma a manter a qualidade vocal, fugindo dos agudos e de canções rápidas. Natural. Poucos chegam à idade dele com esse nível de produtividade. Nada a reclamar. Eu me limito a agradecer! 🙂