Arquivo da categoria: Resenha de disco

Críticas de discos

Destaques nos vocais do Rock City V

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Prometi ao Fabiano que faria uma análise dos vocais das bandas que tocaram no Guarapuava Rock City V, então vamos lá. Resolvi comentar as que mais se destacam.

Começamos com a Dzarmy, com a primeira faixa do CD, música Contramão.

Voz suave, porém o leve metálico e drives nos lugares adequados fazem com que se encaixe muito bem no estilo. Uma voz aguda bem usada, sem exageros no tom, isso faz com que a música flua bem aos ouvidos. A parte mais gostosa fica no pré refrão, já em 1 minuto de música, aquela energia poderia ser usada nas estrofes também.

Satisfire, com Little Ball Goes, Little Ball Backes.

Nessa música na verdade não há nada de realmente marcante no uso do vocal, mas não posso deixar de registrar. O ponto é que conheci o Daniel cantando loucos guturais, o que diga-se de passagem não é o tipo de vocal que me agrada escutar apesar de respeitar quem faz bem. Quando ouvi ele cantando com voz limpa a primeira vez fiquei muito bem impressionada. A voz dele é realmente bonita, com uma leve rouquidão que dá um charme, tem presença e ainda consegue alternar pra drives e guturais. Está perfeito.

Disaster Boots , com Venus In Furs.

Essa sim foi uma surpresa. Adorei esse vocal por ser diferente do que escuto por aqui. Não se ofendam, mas enquanto nos preparávamos, com eles tocando no outro palco eu tinha que ficar toda hora parando pra conferir se não era uma mulher cantando. É uma voz que tinha jeito pra ser enjoada, mas ele consegue usar muito bem na interpretação e nas melodias que funcionam. Saber usar a voz que se tem é mais importante do que buscar um padrão, e esta é uma voz que certamente marca.

Ultra Violent, música  I.N.E.R.T.E 

Já disse que gutural não é minha praia, mas deles eu gosto principalmente porque entendo o que está sendo cantado. Os vocais são muito bem feitos e meus amigos que curtem o estilo adoraram. Me chama atenção que a voz também não seja tão grave como os guturais que conheço.

Futhark, com  When The Trolls Leave The Stones 

A mistura de vozes aqui é a parte interessante, no refrão. No Rock City IV eles já tinham mostrado vocais bem interessantes, o timbre da voz mais limpa é bem bonito, em contraste com o gutural ficou muito bom.

Astronaut Chimp, com  Rock N’ Roll 

Este é outro vocal que não chama atenção por ser especial mas por funcionar. O estilo casa perfeitamente e devo ressaltar que ao vivo ele desemprenha muito bem. As melodias não são elaboradas mas esse cantar meio arrastado tem seu charme nesse timbre.

 

 

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2ª Edição da Virada Cultural em Guarapuava

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A notícia saiu no site oficial da Prefeitura de Guarapuava. Confira AQUI. Dias 15 e 16 de novembro, no Parque do Lago!

 

Em 2013, tivemos a primeira edição, com muita música. A única coisa que atrapalhou foi a chuva à noite, que acabou causando o cancelamento justamente das atrações principais, que seriam A Banda Mais Bonita da Cidade (de Curitiba) e Fafá de Belém.

 

Mas de onde veio esse evento?

 

A Virada Cultural é uma ideia surgida em 2005, encampada pela Prefeitura de São Paulo, com o objetivo de promover 24h ininterruptas de eventos culturais os mais diversos, com música, teatro, arte, história e o que mais puder ser imaginado. O evento se inspira na Nuit Blanche, de Paris, e hoje já não é mais um evento apenas paulistano. Espalhou-se pelo interior paulista e agora varre diversos estados brasileiros. Guarapuava, felizmente, recebeu uma edição no ano passado, ainda um pouco tímida, mais baseada em eventos musicais, mas que valeu muito como primeira experiência. Esse ano teremos dois dias de eventos, com uma programação ainda não definida, mas acredito que, se o tempo colaborar, o Parque do Lago estará repleto de artistas locais para fazer a alegria da galera da city.

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Daniele Krauz – EP Insight (Heavy Metal)

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Você aí, que conhece a cantora guarapuavana Daniele Krauz como uma artista da MPB, irá se surpreender (e muito) com o EP a ser lançado em breve. Insight traz quatro faixas bem roqueiras, com um estilo próximo do heavy metal progressivo (e óbvias semelhanças com o metal lírico de bandas como Nightwish, até pelo estilo vocal).

Daniele, que gravou as músicas no Estúdio Heaven Kuster, disponibilizou uma prévia das canções. Destaco a faixa 2, que começa aos 33 segundos, pela extrema musicalidade e belíssima melodia. A voz é um espetáculo à parte. Acho que surpreende até quem já a conhece bem. É uma boa prévia do que vem por aí. Vale a pena adquirir o EP. Só falta juntar uma banda e partir pra estrada! Confira abaixo as 4 faixas:

Equipe:

Produção e bateria: Alessandro Kuster

Baixo, guitarra e violao: Tiago Mosh (toca muito!!!)

Teclados: Evandro de Souza

O disquinho ainda não foi lançado, mas tivemos acesso às músicas completas. Façamos aqui uma pequena análise de cada uma:

Divine: esta canção já foi disponibiliza na íntegra. Acesse AQUI.

Não é uma música tão pesada. É mais melodiosa, climática, com vocais bem marcados. A letra, segundo a compositora, fala sobre  sermos “enganados por tradições vazias”. Soa quase esotérico, e a sonoridade puxa para isso também.

Forever: essa começa calminha, melodiosa, pra cair numa porradaria, e depois desce novamente (prog clássico). As melodias vocais são muito bonitas e a música é bem diversificada, com mudanças de andamento interessantes.  A letra fala de insatisfação, ganância e isolamento.

Holy Dance vem na sequência, com uma introdução meio folk, ficando bem pesada, com vocais dissonantes. É a faixa com maior variação rítmica, com clara influência do rock setentista (Queen, em especial). A faixa traz talvez o vocal mais complexo do EP.  O refrão é sensacional! A música toda é uma viagem muito boa, com um belo solo de guitarra e um trabalho instrumental muito bom de forma geral. A letra fala da forma como somos manipulados e de como sempre estamos nas mãos dos outros.

Inner Talk fecha o disco, com uma introdução fantástica e melódica no violão, lembrando a música celta de bandas nórdicas. O refrão é o que há de melhor em todo o disco. Melódico, pesado e arrastado, feito para ser ouvido em altíssimo volume. Grande interpretação, belos teclados e uma guitarra absolutamente inspirada. Enfim, uma canção que demonstra como o nível da música feita em Guarapuava está alto.  A letra é bem introspectiva, e o refrão pergunta: “o que você pensa que ama? o que você chama de amigo? O que você teme? o que você esta fazendo para se tornar mais sábio?”. Lembrando que as músicas são em inglês, e as letras estarão disponíveis em breve, em um site perto de você! ehe

Impressão geral: Daniele Krauz canta muito, mas MUITO mesmo. Sua voz, que tem um timbre único, se encaixa muito bem nesse estilo musical, e acho que é um campo a ser bastante explorado pela artista. As composições são ricas, criativas, a produção ficou bem boa, e a sonoridade é harmoniosa e agradará tanto headbangers quanto, ahn, pessoas “normais”, se é que você me entende! Destaco também as letras, mais introspectivas, fugindo dos batidos temas de espadas e dragões, típicos de heavy metal…

Músicos, juntem-se a ela e voem para a estrada! 🙂

Master of Reality – BLACK SABBATH

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Há 43 anos (e um dia) era lançado o terceiro bolachão da banda que inspirou 99% dos grupos de metal que viriam depois (até porque o Sabbath praticamente inventou o estilo). Ozzy Osbourne, vocal, Tony Iommi, guitarra, Geezer Butler, baixo, e Bill Ward, bateria, são os responsáveis por este grande momento da banda.

Master of Reality foi lançado em 21 de julho de 1971, sendo o terceiro disco em menos de um ano e meio. Eles eram extremamente produtivos nos primeiros tempos, além de absurdamente inspirados. O Master é um disco que vem com uma produção bem mais suja que os anteriores (Black Sabbath e Paranoid), e com um punhado de músicas que se tornaram clássicos do rock.

São cerca de 35 minutos de som, apenas. 35 dos melhores minutos do rock setentista, certamente. O álbum abre com a clássica tosse do guitarrista Tony Iommi, antecedendo a porradaria que dá o tom de Sweet Leaf, “folha doce”, que trata, obviamente, da erva favorita dos doidões: a maconha. A faixa seguinte, After Forever, é das mais inusitadas da banda, já que se trata de uma espécie de defesa da religião (e do Papa!). Conhecendo o contexto em que ela foi escrita, é até compreensível. Grupos satanistas seguiam a banda em shows, causando verdadeiro pânico no quarteto de Birmingham (Inglaterra), que tentou se desvincular desses grupos, diversificando os temas das músicas e simplesmente deixando o lado mais sombrio de lado. Ao menos, até certo ponto, pois neste mesmo disco há um pouco de ocultismo.

Passado o surto religioso, temos uma pequena faixa instrumental intitulada Embryo, rápida e sinistra, que serve como abertura para o próximo clássico, Cildren of the Grave, hino obrigatório até hoje nos shows da banda. A letra volta a tratar de guerra, a exemplo de War Pigs, e traz Bill Ward absolutamente inspirado, com uma forte batida de bateria.

Estamos na metade do disco, o que geralmente significa que o melhor já passou. Pois bem, não é o caso aqui, pois caminhamos para Orchid, mais uma faixa instrumental de Iommi, acústica e singela, que abre caminho para uma porrada: Lord of this World, cujo tema é… possessão! Fim da “singeleza”. Além do tema pesado, a música em si arrebenta tudo, entrando com um riff pesadão de guitarra, além da bateria quebrando tudo! O Ozzy parece realmente possuído nessa faixa, com um vocal doentio, levado pelo ritmo da música, boa pra bater cabeça.

Para dar um descanso aos ouvidos (mas não à alma), a sétima faixa é Solitude, uma música em que muita gente chegou a pensar que fosse cantada por outro integrante, de tão diferente a voz do Ozzy aqui. Muito mais grave e contida. A canção é arrastada, em um tom bem baixo, e triste de fazer palhaço se jogar no abismo. Não recomendo para depressivos. Mas eu adoro essa música!

Fechando o disco, Into the Void! Uma música que, para mim, define e resume o Sabbath com perfeição: riff pesado e criativo, ritmo poderoso entre guitarra, baixo e bateria, uma abertura magistral, e a voz de Ozzy rasgando tudo na sequência! Pesada, suja, destrutiva. Tudo que o metal nunca deveria deixar de ser! Um fechamento perfeito para uma era do Rock.

Redeemer of Souls – JUDAS PRIEST

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A jurássica e imortalmente clássica banda Judas Priest lança seu mais novo disco, intitulado Redeemer of Souls, o décimo sétimo álbum de estúdio de sua longa, longuíssima carreira. Não sei se redime o grupo perante os fãs, mas eu particularmente estou gostando bastante. A crítica musical é de uma subjetividade atroz. Se o crítico acordar de mal com a vida e fizer uma resenha de disco ou filme nesse dia, a impressão causada pode ser bem diferente da que poderia ter ficado em um dia melhor. Resenhar discos de bandas clássicas, então, deveria ser terminantemente proibido. Como não é, vamos nos divertir um pouco!

Bem, isso não é exatamente uma resenha, pois não me sinto suficientemente capaz de construir uma. O que tenho a dizer é que o novo trabalho é entulhado dos clichês mais clichezentos do heavy metal clássico. Está praticamente tudo lá: riffs antológicos, bateria ensandecida, peso e ritmo caminhando de forma harmônica, além dos gritos de praxe. Gritos estes que, naturalmente, não são os mesmos de outrora. Rob Halford praticamente perdeu seus agudos, mas continua mandando muito bem nos graves, além de arriscar uns bons gritos na terceira faixa da bolachinha, Halls of Valhalla.

Bem, se é tudo clichê, o disco é uma bela bosta então, correto? Não, não é. Para este que vos escreve, ao menos, não. A primeira impressão até não foi das melhores. A produção me pareceu abafada, Halford não empolga mais, e as músicas parecem um caso patológico de autoplágio. Porém, à medida que fui ouvindo o disco, em um volume digno de metal, senti que a banda está em forma, mantém a qualidade e continua capaz de arrepiar o ouvinte! O disco é, em geral, muito gostoso de ouvir, até viciante. Sem dúvida, muito superior a vários lançamentos de bandas novas que tentam inovar e conseguem apenas se afastar do estilo. É evidente que os caras estão mais velhos, com menos disposição e criatividade, e reciclar ideias parece o caminho natural, na insistência de se manter a banda na ativa. Mas isso não chega a ser demérito. Há muita dignidade no trabalho, e creio que irá alegrar ouvidos menos frescos. De qualquer forma, para os puristas do metal, o disco é uma maravilha, pois trata-se apenas disso: heavy metal. Exatamente aquele que o Judas ajudou a criar, com todos os clichês e idiossincrasias.

Hob Halford é um dos caras mais íntegros do rock, e adapta as canções de forma a manter a qualidade vocal, fugindo dos agudos e de canções rápidas. Natural. Poucos chegam à idade dele com esse nível de produtividade. Nada a reclamar. Eu me limito a agradecer! 🙂

Lazaretto, novo CD de Jack White

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Lazaretto é o título do novo trabalho solo do guitarrista Jack White. O líder da extinta banda White Stripes continua em plena forma, com um conjunto de excelentes músicas neste que é seu segundo disco solo. É um trabalho desconcertante, diversificado, muito bem tocado e arranjado, extremamente criativo, e difícil de entender na primeira audição. Há óbvios elementos de rock, blues e coutry, misturados ao experimentalismo dessa salada.

Mas indico, de cara, a quarta faixa, “Would You Fight For My Love?”, uma espécie de balada sem pieguismo. Bem a cara do White. Há uma boa dose de experimentalismo no disco, o que pode afugentar ouvidos mais acostumados aos convencionalismos fonográficos, mas que certamente agradarão mentes abertas e ensolaradas.

São 11 faixas distribuídas em menos de 40 minutos, mantendo um padrão do artista, de fazer muito em pouco tempo. De nada adianta entupir um disco de músicas mais ou menos, salvando-se duas ou três boas faixas. Jack quase sempre fez músicas curtas e discos concisos. Direto ao ponto. Parecendo saltar dos anos 70 para os nossos tempos, ele não apenas recicla o que se fazia de bom no período, mas adiciona aqui e ali um tempero mais moderno, com altíssimas doses de belas melodias e arranjos intrincados. Os clips também continuam criativos e plasticamente interessantes. As letras seguem altamente psicodélicas, combinando com o tom multicolorido e maluquete das composições e com as vocalizações já clássicas do doidão.

Lazaretto sai também em disco de vinil, luxuoso e bem trabalhado, trazendo inovações tecnológicas para o formato. É possível, por exemplo, ver uma espécie de holograma quando o disco gira. O vinil voltou com força, é item de colecionador, os audiófilos adoram, e Jack White combina muito bem com o formato, pois traz uma sonoridade “antiga”, em que pese o uso que ele faz da tecnologia, sempre a favor do som. Pessoalmente, considero-o o maior nome do rock dos anos 2000. Vale muito a audição! 🙂

P.S.: ah, e se tua ideia não é comprar o CD ou o vinil, mas bateu a curiosidade… é claro que no Youtube é possível encontrar o disco completo. ehehe,