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Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 7

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Sétima parte de nossa série! A última, também, no momento, e temos mais quatro grandes depoimentos, com citações a bandas relevantes e de qualidade de nossa cidade. Começando pelo Ricardo Kuster, da banda 350ml, que traça um perfil bem interessante da Sexplose. Na sequência, outra música escolhida pela Daniele Krauz (a canção da vez é da eclética banda SatisFire). Depois, o Lucas Otaki cita a Kingargoolas, e concordo quando diz que é uma das melhores bandas instrumentais destas plagas. Por fim, o Luciano, da Rock Revive, cita a banda Bagre Véio, que ainda não conheço, mas parece ser muito boa. Vamos lá?

RICARDO KUSTER (350 ml)
Música: O QUE É ISSO?
Banda: SEXPLOSE
Minha música preferida atualmente é “O que é isso?” da Sexplose. Gosto de muitas bandas da cidade, mas essa especialmente explode um rock nacional, cantando em português e com a realidade que vivemos jogada na cara de quem ouve. Isso define o rock na minha opinião. Uma música sem muita “firula”, exatamente como um tapa na cara. Acho que o rock tem que ser assim.

DANIELE KRAUZ (Vocalista / compositora / professora de canto)
Música: SEM TITUBEAR
Banda: SATISFIRE
Mais uma: Sem titubear – SatisFire. Adorei os vocais, tem energia, é melódica, tem uma boa colagem de ritmos, é envolvente. Tem agradado a todos para quem eu tenho mostrado.

LUCAS OTAKI (Voz e violâo da Feeling Folk’s and Rednecks / Johnny Beer)
Música: TITS A GO-GO
Banda: KINGARGOOLAS
Dentre tanta coisa foda que temos na cidade e região, escolho o single ” Tits A Go-Go “. Consigo perceber a mistura de vários estilos numa música só e uma criatividade de dar inveja. E apesar de toda técnica, ela soa simples. Sem “paga pauzisse ” pros meus amigos, Kingargoolas é umas das melhores bandas instrumental do Brasil!

LUCIANO ESMOLENKOS (Guitarrista da Rock Revive)
Música: GANÂNCIA
Banda: BAGRE VÉIO
Confesso que essa banda me surpreendeu muito positivamente pela sincronia das guitarras, bem elaboradas e de muito bom gosto… uma levada empolgante, o pré refrão lembra muito Titãs na fase da década de 80 (pelo menos pra mim), a qual gosto muito, vamos aguardar e ver se a banda continua na mesma linha de composição!

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Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 6

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Buenas, galera! Eis a sexta e penúltima parte de nossa série! As duas últimas listas trarão 4 depoimentos cada. Nessa de hoje, temos as palavras do Joãozito (da BUP), que enviou duas músicas. A anterior, da Trupe, está na matéria passada. A de hoje é da banda ADOC, outra grande do Rock do bairro Santa Cruz! O segundo “depoente” é o blogueiro e estudioso da música Renilson Bail, também pela segunda vez. A citação é à excelente Disaster Boots. Na sequência, temos o guitarrista Lukas Almeida, que escolheu uma song da Dzarmy. O quarto colaborador de nosso quadro é o Gabriel, da Neanderdogs. Ele escolheu uma música da Futhärk, banda já mencionada anteriormente. Vamos aos depoimentos e aos vídeos, portanto!

JOÃO VITOR GOMES MARTINS, O JOÃOZITO (Vocalista da Bup & Roxetin)
Música: O TREM DA SANTA CRUZ
Banda: ADOC
Saudações! Bom, vou fugir à regra e de cara vou falar de duas músicas que, por sua vez, são de autoria de duas
bandas de Guarapuava as quais sou muito fã. A primeira banda é a ADOC. [O Blog inverteu os depoimentos. A outra música já foi citada na parte 5]. Sou super fã dessa banda pela sua mistura de ritmos  e originalidade. Banda das antigas do meu bairro, o Santa Cruz. A formação é o Duda (guitarra/voz), Andrezão (baixo) e o Andreos (bateria). Bom, o que posso dizer da música é que como vocês podem perceber fala da energia do Bairro Santa Cruz, grande reduto artístico de Guarapuava no qual nasceu a minha banda, a Bup & Roxetin. Em suma o Trem da Santa Cruz define, na medida em que navegamos em seus compassos, o dia-dia do Santa Cruz de forma poética e a melodia é linda. Vale a pena ouvir.

Se alguém quiser indicar um vídeo com qualidade melhor que esse que encontrei, por favor, indique-me, que troco aqui. Obrigado.

RENILSON BAIL (Blogueiro)

Música: HALLELUCINATE
Banda: DISASTER BOOTS
“Hallelucinate”: single de estreia da Disaster Boots, “Hallelucinate” é uma faixa eletromagneticamente pulsante
que leva o ouvinte a uma jornada sonora, na direção de alguma galáxia perdida. Contendo uma série de citações ao mundo do  Rock & Roll, aqui a letra é o grande destaque.
Eis uma versão ao vivo, já que tivemos a de estúdio publicada anteriormente.

LUKAS ALMEIDA (Guitarrista da DKrauz)
Música: MARCAS
Banda: DZARMY
A segunda música é Marcas, do Dzarmy. A única coisa que tenho a dizer é que, não só esta música, mas a banda por
inteira, é uma grande influência na minha vida, musicalmente falando. Qualquer pessoa que convive comigo sabe disso
Kkkkk…


GABRIEL RAMOS (Vocalista da Neanderdogs)
Música: WHEN THE TROLLS LEAVE THE ALONE
Banda: FUTHÄRK
Eu simplesmente tenho que escolher a “when the trolls leave the stones” da Futhärk. Eu nunca fui muito fã do
folk metal, sempre flertei um pouco mais com o folk punk ou celtic punk, mas desde a primeira vez que ouvi o som dos meus brothers ao vivo eu me tornei fã deles e não do estilo em si. Todos os arranjos vibram entre si e trazem um conjunto musicalmente lindo de se ouvir. Com “When the trolls leave the stone” minha paixonite aguda se transformou em amor declarado pelo som deles e mal posso esperar pra ouvir mais e saciar minha sede pelo lado pagão que existe em mim hahahah!

Sexta parte concluída, com a citação de 4 bandas importantes no cenário guarapuavano. Nesses tempos musicalmente monocromáticos, é bonito ver essa diversidade, aliada à qualidade das composições. São quatro estilos inteiramente diversos aqui representados, e bem representados, por gente que leva a música a sério, e que certamente merecia ser mais valorizada. Infelizmente, o estado de coisas em nosso país já não nos permite sonhar muito. Basta observar as músicas mais ouvidas pelas rádios do Brasil afora. Algo simplesmente se deteriorou em nossas mentes, desde o fim dos anos 80. Desejo muita força e garra para essa galera do rock levar o estilo adiante, com qualidade, inovação e, claro, mensagem, pois as letras são um ponto forte no rock. Especialmente no BROCK, celeiro de bandas que transformaram vidas.

Série Minha Canção Favorita, de Gorpa e Região – parte 5

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Saudações, galera!

Não, o blog não está completamente morto. Ainda temos 3 partes da série “Minha Canção Favorita” a serem publicadas, mais uma pequena matéria sobre o trabalho da Carine Nunes (que lançou um ótimo clip recentemente), e aí as postagens serão ainda mais esporádicas, por motivos pessoais (pós-graduação e produção de um livro). Mas vamos lá, que o rock não morre jamais, e pretendo terminar a publicação da série em 2015 eheh.

JOÃO VITOR GOMES MARTINS, O JOÃOZITO (Vocalista da Bup & Roxetin.)

Música: JÚPITER BLUES
Banda: A TRUPE DO DISCO VOADOR
Depoimento: Bom, não poderia deixar de falar dos meus amigos da Trupe. Junto com a Bup são as novas bandas surgidas no bairro Santa Cruz, formada por Luiz Gustavo (voz/guitarra), Lucas (baixo), Mariana (bateria/percussão), Mazepa (bateria/percussão), Dani (bateria/percussão) e Thiago (guitarra).

A Júpiter se destaca na minha opinião pela poética simples que mexe com o emocional da minha pessoa (hehe). Simples porque fala da amizade e não é qualquer amizade. O Júpiter era um cachorrinho muito esperto que encantava a república dessa turma antigamente, mas infelizmente teve sua vida ceifada pela ignorância humana. A beleza dessa música se dá na minha opinião, em sua completude tanto na melodia certeira e na letra honesta e lindamente bem escrita.

RENILSON BAIL (Blogueiro do Mr. Blues, que recentemente concluiu seu excelente TCC, “Do Fonógrafo ao Streaming”, que inclui entrevistas com bandas locais – a Cris, da 350ml, fez parte da banca. Clique em Artigo para ler)
Música: ABRAKADABRA
Banda: BUP & ROXETIN
Palavras: “Abrakadabra”: é um tanto complicado falar dela, mas… “há algo mais que essa gritaria”. Na primeira vez que ouvi essa música, imaginei um bando de zumbis anunciando que o Renato Russo tinha ressuscitado e estava gravando um tributo ao Raul Seixas. Aqui tem de tudo um pouco: crítica à superficialidade das novelas, alusão ao mago Aleister Crowley e um pé de inconformismo juvenil. Sensacional.

GIOVANE PILAR (Guitarrista da Desert Eagle)
Música: I FEEL MY SOUL BLAZING
Banda: INCEPTION
Palavras: eu gosto da I Feel My Soul Blazing do Inception, pra mim uma das melhores composições das bandas de Gorpa, tudo no lugar, o solo é muito bem feito, talvez uma mixagem melhor, mas fora isso é uma música muito foda mesmo, é uma que eu escuto com frequência.

ELIEZER KAILER (Guitarrista)
Música: PERISH
Banda: EMDROMA
Palavras: O que dizer quando quatro músicos realmente ”fudidos” em seus respectivos instrumentos encontram um vocal que canta basicamente tudo, drive, vocal limpo e gutural, e resolvem fazer um som viajante, com solos loucos, melodias quebradas, compassos imparem e muito peso?
O resultado é em minha opinião uma das melhores bandas da região. Acompanho o trabalho desses caras desde 2010, e sempre fico admirado em vê-los tocar, sou o primeiro a estar na frente do palco para berrar pedaços das letras de Forsake the Dark, Reality, Endless Circle e, é claro, Perish, sem contar os covers fantasticos de Adagio, Circus Maximus etc…
Resumindo em poucas palavras: “Excelentes Músicos + Rock Progressivo + Metal Pesado = EMDROMA!”

DANIELE KRAUZ (Vocalista / compositora / professora de canto)
Música: VENUS IN FURS
Banda: DISASTER BOOTS
Palavras: Vou mandar mais um voto pra Venus in Furs, da Disaster Boots. O vocal me impressionou de cara, gostei da letra e o refrão é positivamente grudento.

Sobre a metodologia de trabalho do Rock City – direito de resposta

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Saudações, pessoal. Quem acompanhou o último post do Gorpa Music deve ter se deparado com algumas poucas críticas em relação ao festival (que, no geral, é digno de muitos elogios, mas eu acredito que, para crescermos, precisamos debater e estar atentos a todo tipo de reclamação). Não sei qual foi a repercussão real disso, primeiro porque o blog é pouco visitado. E, segundo, conversei apenas com o Alessandro Küster, da Heaven Studio, sobre isso. Tivemos uma longa e extremamente produtiva conversa, pelo Facebook mesmo, onde, posso garantir, imperou o respeito, como é de se esperar de pessoas civilizadas e abertas ao diálogo, e o Alessandro foi impecável nesse sentido. Eu abri espaço no blog para que a empresa colocasse sua visão, e é isso que faremos logo mais, abaixo. Basicamente era um questionamento ao fato das bandas pagarem para gravar uma faixa para a coletânea do festival. Ao fim e ao cabo, o objetivo é a convergência de ideais, dentro do espírito do rock´n´roll, que é definitivamente, antes de tudo, uma filosofia de vida, e não apenas um tipo de som. Claro que, ideologia à parte, todos temos contas a pagar, e nesse sentido, sabemos que promover eventos não é exatamente fácil. Dito isso, vamos às colocações do Alessandro Kuster, da Heaven Studio (além de baterista da Satisfire). Uma coisa eu já deixo claro: gosto de honestidade, de mandar a real. E o Alessandro deixou clara a metodologia utilizada pelo festival, com bastante transparência. Receber críticas e lidar com elas não é fácil. Ninguém curte muito, nem eu (confesso). Mas não é apenas com elogios que evoluímos, isso é um fato inquestionável. O blog não tem fins comerciais, pago para assistir à maioria dos shows, a cobertura de eventos e as entrevistas são feitas para tentar “historiar” a música guarapuavana, e os debates, mesmo os mais acalorados, sempre nos rendem subsídios para novas reflexões e melhorias na prática diária, seja promovendo eventos, compondo músicas, fazendo shows… ou escrevendo em um blog eheh. Em havendo interesse, notas dissonantes e discordantes também terão exatamente o mesmo espaço no blog, para discordar e palestrar, dentro dos limites da civilidade, naturalmente. Vamos lá?

Segundo o Alessandro, ainda não se vislumbra outra forma de fazer o festival, que já está em sua quinta edição, acontecer. Ele funciona como uma grande cooperativa, metaforicamente. É uma união de forças. Os irmãos Kuster, Alessandro e Leandro, vivem do estúdio, com trabalho sério, e tiram seu sustento dali. Ele considera que as bandas fazem um investimento de R$ 400,00 para gravar uma faixa, que é um valor abaixo do preço normal, em torno de 30% a 40% a menos que o cobrado pela produção de uma música. O trabalho sai com qualidade padrão de capitais como Curitiba e São Paulo, e o tempo médio trabalhado em uma faixa é de 20 horas. Em Curitiba, o valor médio cobrado pelos estúdios fica na casa dos R$ 1500,00.

Além da produção, há a prensagem do CD. O sonho deles seria não precisar cobrar esse valor, nem pela produção e nem pela prensagem, e ainda pagar cachê para as bandas participantes. No entanto, não é possível na conjuntura atual, ainda mais considerando que a cena do rock autoral no Brasil é praticamente inexistente hoje.

O lance do Guarapuava Rock City, cujo modelo inexiste, por exemplo, em Curitiba, tem mais a ver com o compromisso e o amor ao Rock, antes de eventuais ganhos financeiros, pois, se fosse só pelo lucro, cobrariam os R$ 700,00 padrão pelas faixas, além de cobrar ingressos. É um festival grande, um dos maiores do gênero no sul do Brasil, cuja organização fica a cargo de praticamente duas pessoas apenas.

A preocupação com a questão da cobrança, que eu coloquei, é a seguinte: muitas das bandas novas são formadas por gente sem grana. A cobrança acaba, assim, “elitizando” o evento, mesmo que não seja um valor tão expressivo. Continuamos a conversa nessa linha, e vamos à análise do Alessandro:  o evento é caro, tem grande estrutura, não há cobrança de ingressos e nem na produção do CD se recupera o investimento. Ou, no mínimo, se deixa de ganhar dinheiro por 2 meses no ano, em função do evento. Para efeito de comparação, a produção de uma faixa para uma dupla sertaneja, por exemplo, chega a algo em torno de R$ 1000,00. E, no período de produção do Rock City, a dedicação é exclusiva ao festival.

Para as bandas iniciantes, sem produção própria ainda, há outro projeto, o “Saia da Garagem”. No Rock City, participam bandas com a carreira em desenvolvimento, além dos destaques vindos do Saia da Garagem. Já no processo de seleção para o GRC, existem critérios que valorizam a história e a produtividade de cada banda, que influenciam na ordem das músicas do CD oficial do evento, e nos horários de apresentação. Já o Saia da Garagem é voltado exclusivamente às bandas iniciantes, mas valorizando, mais uma vez, o som autoral. Podem ser bandas cover também, mas existe o incentivo à produção própria. O projeto é uma espécie de peneira, e serve para abrir espaço e ajudar os novatos a perderem o medo do palco.

A Heaven tem outros projetos para esse ano, incluindo novos eventos beneficentes, além do Rock City Tour, em formato de festival itinerante, visitando outras cidades da região, e convidando uma ou duas bandas locais.

A dupla trabalha no underground desde o ano 2000. Já rodaram o Brasil e países da América do Sul com seus sons, e tem experiência e know-how na promoção e produção de eventos.

Ele ainda comenta que, de modo geral, os shows realizados aqui são relativamente baratos, e que falta o hábito de participar de promoções culturais em Guarapuava. Concordo, e percebo grande melhora na oferta de eventos culturais por aqui. Quando cheguei na cidade, em 2003, havia muito pouca cultura (em termos de eventos) sendo produzida e consumida. Hoje, há oferta, embora a procura ainda não seja tão grande. Questão de hábito mesmo.

Complementando, até o Guarapuava Rock City IV era feito um rateio para a prensagem, o que dava em média R$300 por banda. Posteriormente cada banda recebia 65 cópias para a venda, onde era possível recuperar o investimento que totalizava R$700 (R$400 Produção música e R$300 prensagem). Na quinta edição, as bandas preferiram, por meio de votação, duplicar os discos em CDR mesmo, para reduzir custos.

E, para finalizar, com palavras minhas, o público roqueiro, em especial, também não é tão grande assim por aqui, além de muitos simplesmente não terem condições financeiras para comparecer nos shows. Boa parte do pessoal é gente que conta moeda pra busão e economiza em comida, então é complicado mesmo. Essa é outra faceta da questão, mas bastante relevante também. 

Como coloquei ao Alessandro durante a conversa, eu lamento a ausência de investidores fortes em Guarapuava. Gente com grana que tenha interesse em investir em algumas bandas de grande potencial. Hipoteticamente falando, se eu tivesse nadando em dilmas, adoraria investir em pelo menos umas três bandas, cujo potencial reconheço como forte. Um lance de empresário mesmo. Gravar e distribuir os discos, conseguir turnês, trabalhar na divulgação e tudo o mais. Focando na qualidade do som, na inovação e na capacidade de arregimentar público. Não temos ninguém assim por aqui. Nenhum “Peter Grant” ou “Don Arden”, uns psicopatas que elevam bandas à enésima potência. Delírio? Utopia? Fora do tom, ou de época? Provavelmente. Mas o rock não serve à objetividade. E, enquanto nós, amantes do bom e velhíssimo, quase mofado e musguento rock´n´roll, estivermos por aqui, o estilo não morrerá.

Finalmente, deixo claro aqui que a veracidade de todas as informações prestadas é de responsabilidade de Alessandro Küster, excetuando-se os momentos em que deixo claro que são palavras minhas.

Aquele abraço e foco na música! 

OBSERVAÇÃO: COMENTÁRIOS ANÔNIMOS SERÃO REJEITADOS. CRÍTICAS SÃO SALUTARES, MAS O ANONIMATO É O CANTINHO DO COVARDE. IDENTIFIQUEM-SE AO COMENTAR, POR FAVOR.

Planos das bandas Rock City para 2015

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Saudações

Não, esse post não trata do Rock City, o festival. Eu não estive lá, portanto, não posso falar (do que não vi). Óbvio, né? Isto posto, quero falar um pouco sobre as bandas presentes no já tradicional festival, em sua quinta edição. É um evento importante, que reúne algumas ótimas bandas da cidade. Bom para o público, que entra quase de graça (quilo de alimento como ingresso), e bom para as bandas presentes, pois participam da coletânea relacionada ao evento (embora não seja exatamente barato gravar a faixa, uma situação pitoresca onde a banda paga para tocar, mas isso é outra história. Atualizando: farei um post sobre a Heaven Studio, promotora do Rock City, a pedido do Alessandro Küster, abordando a visão deles sobre o tema. Em breve). Outro lado positivo é o incentivo ao trabalho autoral. Isso é importantíssimo em meio à overdose de bandas cover que temos por aí. Mais relevante ainda, claro, foi a arrecadação de uma tonelada e meia de alimentos, entregues à Provopar. Este é o legado mais importante, sem dúvida.

Além do tradicional Rock City, a Gorpa atual conta com o Maquinária Rock Field e o Mobiliza (esperamos que haja a segunda edição em breve), além dos eventos organizados no Serv Car (os reis da cerveja ruim), que sempre apresentam bandas bem novas. Algumas ótimas revelações, e outras, empulhações execráveis. Enfim, vale a tentativa e o amor pelo roquenrou, né? Não dá pra saber se o cara é bom de palco, se ele nunca subiu em um. Entre ovos e tomates, todos acabam vivos e bêbados, e o objetivo é esse mesmo: diversão! E novos eventos não faltam. Tivemos o Solobonight recentemente, e no domingo, 26 de abril, rola o Rock Falido (na verdade, enquanto escrevo este artigo).

Bem, mas vamos falar das bandas que passaram pela quinta edição do ROCK CITY! Aproveitando, você pode ouvir a coletânea aqui no Soundcloud.

Bem, vamos às bandas!

ROCK REVIVE

Tem previsão para lançamento de um disco em  meados de novembro. No momento, as músicas estão em processo de composição. Estúdio, só daqui alguns meses. Mas a banda acaba de lançar um vídeo clipe para a música “Power Pray”. Confira aqui.

PRIME REVENGE

Não consegui contato com a banda, mas seu primeiro EP (Shades of Pain) pode ser ouvido neste link. O novo single, Hey Man, faz parte da coletânea do V Rock City. Ótimo som. Confira aqui, que vale a pena.

NEANDERDOGS

Outra banda com quem não conversei ainda. Por enquanto, fiquem com a música selecionada para o disco do evento, aqui.

DZARMY

A banda está na ativa há 13 anos, e conta com dois discos lançados. Colocou dois singles na área nos últimos dois anos também, e está trabalhando no terceiro álbum full, que talvez venha a ser um disco conceitual (uma ideia muito interessante, diga-se). As letras estão praticamente prontas, bem como algumas melodias. O material pode ser lançado ainda esse ano, mas creio que a tendência é que fique para o primeiro semestre de 2016.

350ML

Com dois discos (e alguns singles), a banda prepara o lançamento de seu terceiro álbum. Falta finalizar a mixagem de 4 faixas apenas. O disco terá 12 músicas, e será lançado nos formatos físico e digital (iTunes, por exemplo). Deve rolar no segundo semestre. Para quem não ouviu os primeiros discos da banda, é possível conferir no Soundcloud. A música escolhida para a coletânea do festival é uma parceria com a holandesa Wick Bambix, fundadora da banda Bambix, nomeada My Alibi, um punk rock vigoroso, com guitarras marcantes e melodias grudentas. Vai por mim: coloque no volume máximo e sinta a sonzeira.

SATISFIRE

Intenções: lançamento do segundo disco full, além de um vídeo clipe. Deve rolar mais para o fim do ano (eventualmente, 2016). A banda lançou seu primeiro álbum lá em 2008, e um EP no ano passado. É uma banda de inegável criatividade musical.

FUTHÄRK

A banda é relativamente nova, e os planos são seguir fazendo shows e gravar alguns singles, até ter material suficiente para um EP. Ainda sem previsão de lançamentos (é mais provável que role algumas coisa em 2016). O show deles é muito bom, e o grupo já tem um público fiel.

ULTRA VIOLENT

Sem planos para lançamentos, no momento. A banda é figurinha carimbada no rock local, tem um público fiel, e já lançou alguns singles. Falta o disco, agora, né, Rocha? ehe

DISASTER BOOTS

A Disaster é uma banda bastante ativa, tocando com certa frequência, e é alvo de muitos elogios. Tem uma sonoridade personalíssima, um ótimo vocalista, um instrumental foda, e uma identidade própria. Das melhores de nossa cena, hoje, certamente. Com 2 singles lançados, a proposta é concluir mais 8 faixas para fechar em 10 para um disco. As gravações devem ficar para o segundo semestre. Talvez o disco não nasça ainda em 2015, mas creio que há boas chances para o primeiro semestre de 2016. Ouça aqui a song Mr. Lakeman.

D KRAUZ

Daniele Krauz Lançou o EP Insight, no ano passado, apenas em formato digital, e trabalha na composição de músicas para um disco full. Serão 12 faixas, ao estilo das que já foram lançadas. A banda é tecnicamente muito afiada, contando com ótimos músicos. As letras também serão na mesma (autoavaliação, crescimento, força e amor). A ideia é lançar ainda esse ano, em formato físico. Vamos aguardar. Acredito que se conseguir estabilizar a formação, vai longe.

THE EMPIRE RISE

Também não consegui contatar esta banda ainda, mas uma das músicas tocadas no evento, Waiting For The End, fará parte do primeiro EP da banda, a ser lançado em breve.

BAGRE VÉIO

A banda pretende lançar talvez mais duas músicas esse ano. O EP sairá quando tiver umas quatro prontas, mas não há previsão de lançamento ainda. Confira o primeiro single da banda aqui.

KINGARGOOLAS

Estava na programação, mas por compromissos firmados anteriormente, não pôde se apresentar. Porém, lança em breve seu segundo disco FULL. Além disso, já foi lançada a  coletânea “Weirdo Fervo! – Bizarre wild trash garage surf & primitive rock compilation”, que conta com songs de bandas bizarras como  O Lendário Chucrobillyman, Movie Star Trash, Horror Deluxe, Strato Feelings, Reverendo Frankenstein, Mauk e os Cadillacs Malditos, além da faixa “Fórceps Poseidon”, dos Kingargoolas. Detalhe: EM VINIL! Quem quiser adquirir, é só entrar em contato com a banda.

De momento, é isso. Atualizações em breve! Abraço, tudo de bom e mantenham a fé na estrada ehehe.

Planalto Falante (segundo disco da Traça do Mestre Graça)

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Capa do novo disco da Traça do Mestre Graça

Planalto Falante é o nome do segundo álbum da Traça do Mestre Graça. Enquanto seu predecessor, Na Terra do Visconde, foca nas histórias de Guarapuava, este expande os horizontes para o estado do Paraná (uma das músicas se chama “Canção de Matinhos”, terra de coração do músico). Alexandre Leocádio, seu idealizador, dá um salto não apenas geográfico, mas conceitual e de qualidade. O primeiro disco saiu com 10 faixas, enquanto o novo vem com 23. Manteve algumas das cantoras do trabalho anterior, e incluiu novas vozes, femininas e masculinas. E diversifica o som, sem perder a identidade. Enfim, vamos aos fatos!

Começando pelo começo: a belíssima capa. É uma obra do artista plástico Valdoni Ribeiro, que mostra um pai contando histórias para sua filha. Fecha com perfeição a ideia do trabalho, além de ser esteticamente lindíssima, contrastando com a simplicidade da capa do primeiro disco.

Planalto Falante tem 18 vozes cantando, além dos narradores. O próprio Leocádio se arrisca em algumas faixas. Se no primeiro disco ele fez tudo, menos cantar, agora pode-se dizer que não faltou nada. Todas as letras são dele também.

Neste link há uma boa matéria sobre o disco. Destaca a diversidade musical (do reggae ao metal), e temática (Cataratas, gralha-azul, araucária… símbolos paranaenses).

Vamos ao faixa-faixa:

1. Nosso mundo é literário
A intérprete é Carine Nunes, que já tinha cantado em duas faixas no primeiro disco. Neste, ela canta mais três, sendo esta primeira a abertura, colocada aqui de forma proposital, pois trata do mundo da imaginação através da literatura, e apresenta a concepção do trabalho. É o mundo mágico infantil em versos como “nosso mundo é literário / um reino inteiro de imaginação / mas olhe bem em sua volta / nosso mundo é literalmente real”. Devemos lembrar também que, além do disco, há o espetáculo derivado, e não me surpreenderá se o show começar por essa faixa. Essa canção foi composta em homenagem ao setor infantil da Biblioteca Pública do Paraná. É até difícil falar do disco sem ter visto o show, pois as músicas ganham força ao vivo. Mas vamos lá. 🙂

2. Fome de Leão
Interpretada por Júlia Matos, é uma música suingada, com sopros e uma levada feliz. Cita o chimarrão, e trabalha imagens de animais através da poesia, com forte apelo lúdico. A voz infantil no início da faixa é da própria Julia Matos, quando criança. Resgatada de uma fita K7, tem até aquele típico ruído de estática. Grande sacada!

3. Lilás
Tati Sila é a intérprete desta faixa, que brinca com a cor lilás, da flor de mesmo nome. A música é mais falada que cantada, e tem um tom muito suave.

4. A Terra gira
Esta faixa trata dos movimentos de rotação e translação da Terra (enquanto a Terra gira o Sol ilumina / de acordo com a inclinação). Ótima para trabalhar em sala de aula. A intérprete é a Camila Galarça e a música é mais agitada que as anteriores, com sopros animados e uma bateria firme.

5. A lenda das Cataratas
Esta é bem paranaense. Traz novamente a Carine Nunes, agora em um tom bem messiânico, que lembra a música Tristeza das Águas, do primeiro disco. Traz ainda narração de Márcia Cebulski. Conta a lenda de Naipi, e é uma das faixas mais bonitas do disco.

6. De galho em galho
A sexta faixa faz referência à araucária e ao pinhão, e também brinca com a sonoridade das palavras. É interpretada por Guilherme Rocha, em uma voz irreconhecível para quem o ouve na banda Ultra Violent.

7. Curiaçu
Outra narração de lenda, agora a do guerreiro Curiaçu, caçador cujo peito virou tronco de um pinheiro do Paraná. A intérprete, Cynthia Rosolen, canta maravilhosamente bem. Márcia Cebulski participa desta faixa, como narradora.

8. Curupira pira Curitiba
Interpretada por Roberto Scienza, da banda Disaster Boots, a faixa brinca com lendas e imagens curitibanas, com uma levada mais roqueira e psicodélica.

9. Canção de Matinhos
Uma das faixas mais poéticas do disco, com apelo crítico à poluição das praias, ficou a cargo de Daniele Krauz, presente em outras duas faixas do trabalho. A sonoridade é mais fechada, triste, seguindo o tema. Canção de Matinhos também é o nome do hino da cidade litorânea de Matinhos. Alexandre Leocádio Santana, o avô do nosso Leocádio, foi o primeiro salva-vidas da cidade. A composição é dos tempos em que o músico trabalhava com Educação Ambiental na cidade.

10. Eu e Josefina
Fazendo contraponto à faixa anterior, esta é bem alegre e dançante, fazendo uso de um ritmo nativista, o vanerão. Conta história da mula de um tropeiro, a Josefina. A cantora é Marilde Lima, em boa emulação do jeito gaúcho de cantar.

11. O Visconde do frio
Essa faixa traz uma das melodias mais bonitas do disco, com a voz super suave da Heloisa Stoeberl. O Visconde aqui cantado em verso é o Visconde que dá nome ao primeiro disco, finalmente revelado agora.

12. Deve ser algo viral
A narração no início dá uma zoada na diferença de tratamento dos médicos em relação aos pacientes particulares e conveniados. A música tem uma sonoridade épica, progressiva, e a letra é engraçada. Os intérpretes são Aniely Mussoi e Ricardo Almeida. A cômica narração ficou a cargo de Alexandre Leocádio e Marina Santana.

13. Menina bonita
Com um ritmo bem soul, vem com uma letra mais infantil, interpretada por uma criança, a Helena Stoeberl. Aposto que será uma das favoritas da criançada.

14. A valsinha da Têre
Tati Sila volta nessa faixa, que nos remete às músicas infantis clássicas, no instrumental cheio de “barulhinhos”, e na melodia vocal suave e gostosa de ouvir. A música homenageia a Têre, já falecida, mãe da cantora Tati Sila. A inspiração para a composição veio da música Angel, de Jimi Hendrix.

15. Vou viajar
Cynthia Rosolen canta a evolução nessa viagem através da História. É uma faixa com musicalidade quase minimalista, sintética, que transpira tranquilidade, embora vá crescendo durante a audição. Ótima melodia.

16. Montezuma se enganou
Uma das melhores letras do disco, tratando da violência das colonizações, em história cantada pela Daniele Krauz – com um trecho narrado pela Márcia Cebulski – (as garras espanholas foram implacáveis e responsáveis pelo fim de mais uma civilização).

17. Pense duas vezes
Essa faixa traz 5 intérpretes, é uma música bem infantil e alerta para o desperdício. O ínicio da faixa é engraçado, com uma das cantoras “ensaiando” – só isso? Daí eu acho que repete isso umas cinco vezes. A cantora é questão é a irmã da Tati Sila, a Thamy. Quem participa dessa faixa também é a pequena Emily Campos, de 7 anos, que estava no show do SESC no ano passado, e cativou a galera cantando com vontade as músicas, como fã.

18. Uma estória ambiental
Outra letra muito criativa, lúdica, riquíssima em imagens (acho que ficaria sensacional ao vivo). Conta a saga de um oxigênio e seus amigos hidrogênios. É interpretada por Daniele Krauz. A faixa tem uma levada meio “Legião Urbana for Kids”.

19. Macuco Beleza
A terceira participação de Carine Nunes tem uma introdução épica e uma letra bem infantil, brincando com imagens e sons. Para quem, como eu, não sabe o que é Macuco, eis a explicação do Prof. Leocádio: “Macuco – é uma ave da Floresta Atlântica bastante ameaçada. A música descreve os hábitos dela. “Jussara” é uma palmeira mais ameaçada ainda pelo corte predatório para extração de palmito. O Macuco se alimenta do açaí que essa árvore produz.” Mais uma canção de verve ecológica, bastante alegórica.

20. Papel de Meu Herói
Outra introdução incrivelmente criativa, e que traz a participação da Fabi Stoeberl, estrela do show e disco anteriores. A faixa é uma homenagem aos (bons) pais. Alexandre Leocádio e Marina Santana participam da música.

As três últimas faixas tem características bem específicas: são mais pesadas, bem ao gosto do autor pelo thrash metal, e homenageiam a sobrinha do músico. Ei-las!

21. Isão
“Isão” é um dos apelidos da Isadora, a sobrinha do Leocádio. Essa faixa brinca com os apelidos, e é entoada pelo Guilherme Rocha, nessa vez fazendo uso de seu gutural. A música começa lenta e quase meiga, e torna-se “slayeriana” em seu refrão. Thrash metal for babies! 😀

22. Download Fralda Larga
Nessa o próprio Alexandre interpreta, com uma voz sintetizada, em meio à pesada camada sonora. A letra é das mais divertidas do disco (minha fralda armazena / um thera de informação).

23. Não é Maria, Não!
Começando com um ataque de bateria, é a mais “pesada” das três, trazendo novamente o Leocádio no vocal, nessa vez mandando um gutural dos quintos dos infernos. A letra se refere ao segundo nome da sobrinha Isadora, que é Maria.

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Só para finalizar, além de todos os citados, o disco ainda contou com o trabalho de Desirée Melo no design gráfico, e com as fotógrafas Janaína Carvalho e Mariana Arboit.

Resumo da ópera: se o primeiro disco já foi uma grata surpresa, este certamente é uma evolução, trazendo mais diversidade musical e letras ainda melhores. É, sem dúvida, um belo trabalho, de um artista extremamente dedicado, e que tem uma óbvia capacidade de aglutinar e integrar talentos (“cultive as amizades”, já dizia um amigo meu). Dessa forma, não é difícil entender os motivos que levam o segundo CD a apresentar tanta qualidade. Parabéns e que venha a turnê! Torço para que o disco seja valorizado, especialmente pelos educadores e pelo poder público.

Maquinária Rock Field – Parte 1B (Sábado)

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 Saudações, galera da peita preta! E das outras cores também eheh. Daremos sequência aos eventos ocorridos no megafestival MAQUINÁRIA ROCK FIELD, focando agora na segunda metade do sabadão. Tivemos mais seis bandas à 528496_469533789758718_1596464276_nnoite e madrugada adentro. Começamos pela EMBRIO, da cidade de Cascavel (PR), que manda um som Thrash. A banda foi fundada em 2005. Salvo engano, já lançou quatro discos: Prophets of Doom (2008), Corporation is a Cancer (2010), Testify (2012) e o mais recente, Revolt Against The System (2014, creio). Ou seja, são extremamente produtivos, e embora eu não tenha ouvido os CDs, o show demonstra que são muito competentes. É porrada na orêia mesmo! Barulho com qualidade! Clique aqui para acessar a página da banda no Facebook. E confira aqui um trecho da apresentação no festival. O setlist contou com as seguintes pedradas: KNOW YOUR ENEMY / LIVING OR DYING / THIS FLAMING / VIOLENCE / BLIND WORLD /  INTERVENTION / SCAPE TO DEATH / BLOODY TV / FOR NEW DAY /  RIVALS / NO LIFE NO LIFE (que é a música do vídeo citado acima). Enfim, acho que quem não conhecia realmente se surpreendeu.

A próxima banda a “invadir” o palco foi a TRATOR BR. O som é… tipo… imagine um som extremo… imaginou? Tá, agora adicione umas duas toneladas de nitroglicerina e você tem um dos troços mais absurdamente esporrentos de que se tem notícia do metal nacional! É um death metal violentíssimo que parece flertar com o HC em alguns momentos. As letras são em português (não que dê pra entender muita coisa…). O visual da banda é qualquer coisa de sensacional (confira na foto ao lado).

Se o critério de qualidade é peso, realmente esses caras merecem todos os créditos! Algumas letras versam sobre nacionalismo (que aparece inclusive no nome, na sigla BR), com a óbvia reminiscência guerreira do vestuário. É um show para ver e ouvir. O vocalista parece prestes a sofrer um AVC a qualquer momento, tamanho o desespero com que canta (e isso não é uma crítica. Intensidade é tudo na música). É visualmente um belo show, e recomendo basicamente para quem curte som extremo. Quem não gosta, que passe bem longe, eheh. O Soundcloud da galera é este. Tem bastante material. E confira aqui as faixas Trucidado com Colher e Fome Animal, em outra gravação do Toni, da Indústria do Rock. O setlist que me foi passado é o seguinte: 1- metrancona (intro); 2-matando a sede com a urina; 3- trucidado com colher; 4- fome animal; 5- mortos em uma caixa sistemática; 6- trem descarrilhado; 7- corrupção; 8- o dom da visão; 9- Water’s war; 10- megera do inferno; 11- sexta encardida; 12- jaé jacaré; 13- no comando dos vermes; 14- turbarhumano; 15- faca amolada; 16- negação é o princípio do fim; 17- floresta armada; 18- trator de guerra brasileiro; 19- fogo fátuo; 20- abutre x chacal; 21- metranqueira outro.11015474_875505325833760_7812753621496630750_n

Para completo pânico dos vizinhos, a próxima banda também não aliviou. Ninguém mais, nem menos, que a nossa guarapuavana GOATCULT! É Black Metal insano e destrutivo, com direito a rostos pintados. Tudo bem que, tocando depois da Trator, nem soava tão violenta, afinal era um massacre após o outro. O setlist apresentado foi esse: I am the Black Plague / Curse the Darkness / Sathing my Wrath / Raised by Demons / Sons of Darkness / War / Rise of the Empire. Confira a song Sathing my Wrath no vídeo gravado pea Indústria do Rock, clicando aqui. A banda tem página no Facebook. Mandei um “oi” para eles nesse link!

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Dizem que misturar metal com punk ou estilos afins não funciona em um festival. Bem, a BUP & ROXETIN veio na sequência, com um som que, sabemos, é intenso, mas não é pesado no sentido estritamente técnico. É um show bem mais leve, ainda mais comparando com as bandas anteriores. Certamente um alívio para os presentes que curtem sons menos extremos, ou de levada punk. Mas me parece que mesmo o pessoal do rock pesado curte bastante a Bup, que é sempre bem recebida. E o show era especial no sentido de que a banda surgiu justamente no Maquinária de 2014. Ou seja, estava ali comemorando seu primeiro ano de existência. Além dos hits já manjados, tocaram uma nova, justamente intitulada Bup & Roxetin, que sintetiza o que é a banda, seu conceito e suas referências. Além de trazer um ótimo riff! O set list da Bup foi o seguinte: intro, Cannabel o anjo maconheiro, Epílogo, A Garota e a Pistola, Pé de Cannabis , Bup & Roxetin, fechando com a raulseixiana Sociedade Alternativa.

Joãozito da Bup tirando aquele ronco durante o show

Joãozito da Bup tirando aquele ronco durante o show

Acredito que sai um disco da Bup esse ano. Enquanto não sai, confira a nova música aqui.

Bem,amigos do Gorpa Music, prosseguimos com este palestra, agora para falar de uma das bandas mais esperadas do evento, pelo que pude perceber observando as reações de algumas pessoas no evento e no face: Füthark! Uma excelente banda de folk metal aqui de Guarapuava mesmo. O som é pesado pra caramba, mas com um instrumental diferenciado e melodioso. Os caras são

10500388_992241287470543_7309835304664367580_ncarismáticos e usam aqueles saiotes escoceses. Sensacional eheh. Confira aqui um senhor cover que eles fizeram da música Rasputin, do Turisas (backing vocals de Antonio Carlos Kubinski, o Toni! 😀 Muito bom. A galera se empolgou! Clicando aqui, você acessa o canal da banda no Youtube. Tem bastante material gravado. De acordo com Raul, o Bárbaro (curti o nome),o setlist apresentado foi esse aí:

01 Northern Fall, 02 Kunnia, 03 Trollhammaren, 04 Live For The Kill, 05 Rasputin, 06 Winds of Fate, 07 When The Trolls Leave The Stones, 08 In The Forest, 09 Vodka.

 Fechando a primeira noite, domingo adentro, madrugada fria, entra em campo a banda The Empire Rise, também prata da casa. Eis aqui uma gravação do Toni. É pesada, com um vocal quase gutural, mas ainda sim bem melódica. Tem canal no Youtubão também! Aqui, ó. O setlist que me foi passado é esse: Intro / Box Feelings / Death or Glory / Waiting For The End / Carry on (não, não é cover do Angra, é uma composição própria mesmo) / You Are Cancer.
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E assim foi que se encerrou o primeiro dia do Maquinária 2015. Em ritmo de festa no meio do mato… aguardem as cenas dos próximos capítulos! Teremos ainda mais dois artigos, referentes ao domingão, que esteve absolutamente lotado de ótimas bandas. Quem viver, lerá! 😀

A Trupe do Disco Voador está chegando!

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A Trupe do Disco Voador

A Trupe do Disco Voador

“Era com certeza o melhor dos companheiros, uivando pra Lua, chorando nesse Júpiter Blues” (Júpiter Blues)

Você, prezado cético, que não crê em disco voador, saiba, meu caro amigo… que você está errado. Eu digo isso porque estive, juro pela face de meu pai, estive em um Disco Voador no dia 07 de janeiro de 2015. E esse Disco aterrissou há tempos em Guarapuava, sem data para retorno. Sorte nossa, pois esses aliens estão aqui para fazer o bem através da música, de ótima música, de uma música orgânica, emocional e salpicada de belas notações blueseiras.

“Fico aqui sentado esperando a minha carona / Sei que o velho disco voador vai voltar e me levar pra onde sempre sonhei ir” (Caroneiro Astronauta)

Bem, bem… Disco Voador é o nome da república. Mas esse nome não surgiu do vácuo absoluto nem pulou de uma buraco negro. Ele veio justamente de uma das maiores influências musicais dessa trupe. Arnaldo Baptista, o  Mutante louco, que lançou em 1987 um vinil nomeado Disco Voador. Um trabalho raríssimo e experimental ao extremo, realizado logo após sair do setor psiquiátrico de um hospital em São Paulo.. É um trabalho caseiro, com letras psicodélicas e sonoridade claudicante. (Inevitavelmente, a memória busca um cara chamado Syd Barrett, o fundador do Pink Floyd, que também lançou músicas experimentais de forma bem rudimentar, material absolutamente clássico hoje).

O conceito básico da república é que, uma vez lá dentro, você deve pegar alguma coisa pra batucar ou cantarolar ou qualquer “atitude” que contribua com o estado musical que ali grassa. Em tese, pisou na Disco Voador, faz parte da Trupe. A Trupe do Disco Voador, sem formação fixa (embora os fundadores da banda continuem firmes). Em verdade, em verdade vos digo: torço pela continuidade dessa equipe, pois o som que eles fazem simplesmente transcende as paredes de madeira da casa. Tive a felicidade de ouvir um belo set acústico, e honestamente, eu me surpreendo ao notar que a boa música anda com tão pouco espaço no Brasil. É chocante. Porque, creio sinceramente, a boa música é aquela que te toca, que mexe com a alma, que leva uma mensagem, que faz sorrir (ou chorar) sem medo nem vergonha. Música boa é sentida, percebida física e emocionalmente. Mas, voltando à formação, ei-la:

Carlos Mazepa (bateria e percussão)
Danielle Baldissera (voz e percussão)
Lucas Rudiero (baixo)
Luiz Gustavo (voz e guitarra)
Mariana Natali (bateria e percussão)
Thiago Cordeiro (guitarra e harmônicas)
Zig Squeeze (sorriso)

É uma banda recheada de publicitários. Portanto, recheada de criatividade, pois é uma área que realmente puxa gente que adora atravessar fronteiras. As exceções são a Dani, que faz Psicologia (um curso bastante útil no meio desse bando… se é que me entendem… zoeira, calma ehe) e é a integrante mais nova da trupe – tempo de casa, não de idade… não perguntei a idade de ninguém, afinal isso aqui não é Caras nem Contigo, é ROCK´N´ROLL bebê! E onde as pedras rolam, só a música importa! – e o Thiago, que faz Direito (e manja das cordas que é uma beleza. Manda muito bem no violão, como pude conferir).

“Sair de casa pra sonhar
Sair de casa e imaginar
Que o dia chegou ao fim
Que o dia não vai voltar
A ser o mesmo” (Canção Nada Convencional)

O quarteto fantástico no Mix Tape, com o Andrezão (Andréééé)

O som da Trupe, como já disse (escrevi) antes, é bem orgânico. É setentista (lembrando, em alguns momentos, o blues rock do final dos ´60). Nos shows, é eletrificado, com alguns momentos mais acelerados e pesados (herança da cena metal de Gorpa?), mas manda muito, MUITO bem num set acústico também. Fico imaginando essa sonoridade em um disco. Chegamos a conversar sobre essa questão. A banda considera que pode precisar de um produtor tarimbado pra transpor o som ao vivo para o meio digital. São comuns os casos de bandas que soam muito bem in loco, mas travadas e secas no disco (ou MP3). Esse é um desafio constante. E não é apenas uma questão de equipamento. Ajuda, sem dúvida, mas músicos experientes que já tenham trabalhado o tipo de som desejado pela banda acabam sendo fundamentais nesse processo. É o papel do produtor, mas mais ainda do engenheiro de som, que normalmente é quem faz o milagre acontecer. Na torcida para que o EP da Trupe possa soar tão bem quanto a Trupe em pessoa. Se isso acontecer, adeus sertanejo universitário.

Embora rolem alguns covers (ou melhor dizendo, releituras, o que é bem diferente de simplesmente reproduzir uma gravação), a base da Trupe são os sons autorais. Eis os títulos trabalhados em 2014:

Gilda (intro instrumental) + Caroneiro Astronauta
Sem Nome
Júpiter Blues (clássico instantâneo… falaremos dessa música mais à frente)
Canção Nada Convencional
Cê Tu, Me Entenda
Pensamento Engarrafado

Júpiter Blues é uma canção sobre o cãozinho que morava na Disco Voador, chamado Júpiter, e que morreu no ano que passou. A tristeza foi tanta que o Gustavo não conseguiu escrever uma letra sobre o episódio. Mas acabou ganhando a letra (espetacular) de um poeta catarinense (Gabriel, mais conhecido como o Lagarto Rei). O refrão inclui uivos que costumam encantar o público (que, claro, uiva junto). A companheira de Júpiter, a gata Vênus, continua morando na república, e está grávida. Adorei a sacada de nomear os bichinhos com nomes cósmicos.

A Caroneiro Astronauta é uma canção diretamente relacionada ao universo arnaldobaptistiano. A ideia, inclusive, é gravar esta música como single, antes de produzir o EP.

Para 2015, devem entrar mais duas ou três autorais no repertório.

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Set acústico na Virada Cultural – da esquerda para direita: Lucas, Mazepa, Mariana, Gustavo e Thiago

E quanto às referências musicais? Em um grupo com seis integrantes, é natural que as referências (inclusive cruzadas) sejam as mais diversas. Algumas saltam aos olhos (ouvidos seria mais adequado). Mutantes (com e sem Rita), Arnaldo Baptista, Tom Zé. Aos olhos também. A entrada espetaculosa, circense. Tendência entre bandas psicodélicas. Um lance (sem comparações, please) meio Teatro Mágico. Performático. “Atenção, senhoras e senhores, tripulantes, nosso cordial boa noite!“. Mas há também fortíssimas influências mais próximas. Kaio Miotti, o blueseiro de Gorpa. Sonzeira. Empreendedor. Som de grande qualidade. Negomantra, banda paulistana de ótimas letras. O Clayton, professor da Geografia da Unicentro, é um dos bateras do grupo e chegou a tocar com o pessoal da Trupe. Como um cara mais experiente, somou muito e ajudou a desenvolver e maturar a sonoridade da rapaziada, antes de serem Trupe ainda. Aliás, eles tinham uma banda chamada 14 Polegadas nos primórdios, formada por Gustavo, Lucas, Mazepa e Thiago.

Mas a Trupe cita ainda uma outra influência, menos óbvia à primeira vista, mas bastante lógica. A própria cena musical guarapuavana, especialmente as bandas do bairro Santa Cruz. Aqui cabe falar um pouco das transformações pelas quais a cena tem passado. De tempos em tempos, ela se fortalece, e depois cai num ostracismo, com poucos locais pra tocar e tudo o mais. Nos últimos dois anos, a cidade tem se desenvolvido de forma bem interessante, na parte cultural. Isso é um fenômeno inédito, eu diria, pelo menos no que tange à força do movimento. Até um tempo atrás, as bandas cover dominavam a city. Aparentemente, houve um desgaste do modelo, que abriu espaço para sons autorais. Isso é algo que gosto de destacar. O momento é bom para os compositores. Há gente ávida por coisa nova. A reação de parte do público em shows da Trupe ou da Bup Roxetin, por exemplo, demonstra isso de forma clara. Algumas músicas próprias já estão se tornando parte do cancioneiro local, clássicos regionais, cantadas a plenos pulmões. Há também um orgulho, essa coisa de dizer: “essa banda é da minha região”. Assim, temos outro fenômeno, que é um público heterogêneo, que curte bandas de várias vertentes do rock, sem grandes preconceitos.

Banda em ação no Ensaio Geral (Danielle Baldissera em destaque, Gustavo na guitarra, e Mazepa ao fundo)

Banda em ação no Ensaio Geral (Danielle Baldissera em destaque, Gustavo na guitarra, e Mazepa ao fundo)

Durante o bate-papo (não chamaria de entrevista), rolaram várias das músicas da Trupe (dois violões, baixo, percussão, meia-lua e várias vozes), e tivemos ainda a presença de Dom Joãozito, da Bup Roxetin. Rolou Abrakadabra, som da Bup, lá pelas tantas. Ter o privilégio de ver um show desses ao vivo, num ensaio bem informal, e ainda por cima de graça, é uma grande alegria. Quem frequenta o Disco Voador sabe como é a sensação.

Vamos listar os eventos em que esse povo tocou em 2014:

Lado B (maio)
Mobiliza Rock (13 de setembro)
Festival Universitário da Canção (Unicentro, 17-19 de setembro), com a música Pensamento Engarrafado (premiada pelo público)
Octobeer Rock (26 de outubro)
Comunicabera (08 de novembro)
Virada Cultural (set acústico no “esquenta” do evento, dia 12 de novembro)
Ensaio Geral no RS (14-16 de novembro. A Trupe tocou no dia 15)
Show no cedeteg na 8º JOPARPET (06 de dezembro)

Links relacionados à banda:

NOISE: um livro-reportagem sobre bandas de rock alternativo de Guarapuava (Produção do segundo ano de Jornalismo da Unicentro)
ENSAIO GERAL (RS) – vídeo
Página no Facebook
Vídeo da entrevista ao quadro Cenatório (MIX TAPE)
WIKI da banda (em breve, postaremos informações mais detalhadas no WIKI, inclusive letras de músicas da Trupe)

Ensaio Geral, no Rio Grande

Ensaio Geral, no Rio Grande

Você não sabe quem é Zig Squeeze? Nem desconfia? Ora… lá no festival Ensaio Geral, realizado no Rio Grande do Sul, uma banda que tocou antes da Trupe tinha um sapo de pelúcia em cima de um dos amplis. A mascote, digamos assim. Quanto a Trupe entrou, pendurou sua mascote de sorriso psicótico no pedestal do microfone… e aí, sacou agora?

O que será que tem atrás daquela porta? Não é só o som que é psycho… a própria casa também é!

Finalizando, gostaria de agradecer o convite para conhecer o Disco Voador. Agradeço pela cerva, pela ótima música, pelas histórias compartilhadas, a cada um dos presentes: Dani, Gustavo, Lucas, Mazepa, Thiago, e ao Joãozito, que marcou presença, rolando ainda uma participação em Abrakadabra, música da Bup Roxetin, banda em que o João é vocalista. Ficou espetacular! (só faltou a capa). E à Mariana, que não estava presente, mas faz parte da Trupe. 🙂

VIRADA CULTURAL

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Amanhã começa a Virada Cultural, a segunda edição realizada em Gorpa, agora em dois dias entupidos de atrações. O Lago será pequeno pra tanta musicalidade!

Os detalhes estão na página da Virada no Facebook. Clique AQUI. No Palco Conexões, teremos o Central Sistema de Som e a Cida Airam, com MORAES MOREIRA fechando a noite, amanhã, dia 15. No domingão 16, rolam Grupo Contemplação, Trombone de Frutas, Manos Crew e Monobloco. Além dessa turma toda aí, os dois dias estarão repletos de outros artistas e bandas em pontos diferentes do Lago. É só curtição. Então, pra você que não está com o pé ferrado, de cama e em repouso (como eu), corra lá e curta adoidado. Outra Virada, só daqui um ano…

Rock politizado

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Bem, bem, estamos aqui mais uma vez, vivendo esse insano período eleitoral, em meio a uma duríssima guerra de dois grupos bem distintos. “Coxinhas” de um lado, “petralhas” de outro, e fico aqui pensando… há política no rock?

O rock´n´roll, a rigor, é um estilo musical extremamente político, ao menos no sentido das mudanças culturais e comportamentais geradas através de suas letras e riffs. Tradicionalmente, vemos o Punk Rock como um subgênero mais politizado, com letras claramente inspiradas em questões políticas. Uma banda que mostra um trabalho muito interessante nesse sentido é a System of a Down. Embora os integrantes normalmente se recusem a explicar suas letras, elas são bastante ácidas, demonstrando um ativismo (infelizmente) incomum no rock atual. Algumas delas tratam da política da Armênia, país de origem de seus integrantes.

Mas há roqueiros de perfil bem conservador, também, por mais que isso pareça um pouco contraditório (como é possível ser do rock E conservador ao mesmo tempo?). Eis, abaixo, quatro mestres do estilo que provam a tese (o que não os torna menos geniais, deixemos claríssimo)*:

Elvis Presley
Quem apoiou: Richard Nixon
Prova de admiração: defendia a cruzada do ex-presidente republicano contra as drogas e chegou a fretar um avião para visitá-lo na Casa Branca.

Neil Young
Quem apoiou: Ronald Reagan
Prova de admiração: o roqueiro foi seu cabo eleitoral de primeira hora e até hoje enaltece as suas realizações.

Johnny Ramone
Quem apoiou: Ronald Reagan, George W. Bush
Prova de admiração: para horror de seus colegas esquerdóides no Ramones, o guitarrista era um conservador. Na festa de entrada da banda para o Hall da Fama, cobriu Bush de elogios.

Megadeth
Quem apoiou: George W. Bush
Prova de admiração: o CD da banda “United Abominations” acusa a ONU de “terrorismo” e defende as intervenções americanas no Oriente Médio.

*Fonte: Roqueiros conservadores: a direita do rock na revista Veja http://whiplash.net/materias/curiosidades/064627-megadeth.html#ixzz3HH5UYdYH

Do outro lado da fronteira ideológica, temos algumas bandas bem interessantes também**:

Rage Against the Machine

Nao é um primeiro lugar, mas até poderia ser pois RATM é uma banda com sonoridade incrível, usando o rock pesado, com rimas de RAP e pegada funk, uma explosão sônica e visual.

Dreads rastas, anticapitalismo explícito, e propaganda esquerdista no visual “quase” poser, um panteão onde se misturam Che Guevara, Sendero Luminoso, CCCP, Boinas Cubanas, Estrelas Vermelhas e Figurino Maoista.

The Clash

Putz, o que falar do The Clash que já não tenha sido dito. O “do it yourself” aliado a uma postura artística e musical sem fórmulas prontas…
Lançaram discos duplos, triplos, tocaram valsa, polka, latinidades , eletrônica, dub, reggae e rock é claro…

Joe Strummer e Mick Jones são eternos, e até mesmo o fim da banda e a impossível volta, ajudam no mito da banda, que é top e reconhecida no mundo todo.

Manic Street Preachers

Os galeses do Manic Street Preachers são bem populares desde o início dos anos 90, tanto pelo som quanto pelas polemicas com a mídia e o foco esquerdista.

Nas composições, tinham como principais temas a política e a crítica social, chamados inclusive de grupo socialista punk retro.

Numa segunda fase como trio, em meio ao auge do sucesso, dedicaram a canção “Baby Elian” no caso de Elian, o menino cubano levado para os Estados Unidos sem o consentimento do pai e foram lançar o disco no Teatro Karl Marx, em Havana. Transformando o Manics na primeira banda ocidental a se apresentar na ilha socialista, e ainda com Fidel Castro na platéia, que antes do show foi avisado que seria barulhento, e deu como resposta … “Não será mais barulhento que a guerra”.

Pearl Jam

O quinteto Pearl Jam chegou já forte no primeiro disco, mostrando o peso e lirismo que marcaram toda carreira. Mas além das canções com pegada roqueira, Eddie Vedder e banda, se tornaram notados pela sua recusa por aderir às tradicionais práticas da indústria musical, incluindo a recusa em produzirem videoclipes, transmitirem shows ao vivo e o engajamento que virou boicote contra a Ticketmaster.

Além da postura anti sistema, foram fundo na política, criticando abertamente a Era Bush, a Guerra do Iraque e toda repressão pós 11 de setembro, virando campeões dos direitos humanos e ativistas pró Obama nas eleições.

New Model Army

Quando vi os caras no fim dos 80’s no falecido Dama Schock, chamou a atenção ter recebido as letras traduzidas na entrada para o show, afinal eles queriam mesmo que a moçada soubesse o que estava rolando nas canções, a mensagem era o mais importante.

Para uma legião de fãs, o New Model Army é uma das melhores bandas pós-punk que o Reino Unido produziu, pegada “street” do punk e engajado fervor político. Com canções anti monarquia aliadas ao folk urbano de protesto, criaram mesmo um som original.

Foram barrados pelas letras e postura de entrar nos Estados Unidos nos anos 80, mas pela integridade conquistaram fãs em todo mundo.

** Fonte: http://www.vishows.com.br/2013/05/26/10-bandas-de-rock-super-politizadas/

O rock esteve à frente em revoluções sociais e comportamentais, mas perdeu força em alguns momentos, perdendo espaço para gêneros mais combativos. Exemplo clássico é o Rap, que tomou de assalto a juventude, com com letras contundentes e diretas. Racionais MC´s descreve a realidade das comunidades pobres com muito mais precisão que qualquer grupo famoso de rock, no Brasil.

Mesmo a música pop, vez ou outra, mostra alguma inclinação ideológica. Cito, por exemplo, a Lady Gaga e sua ferrenha defesa da comunidade LGBT, e a feminista Beyoncé. E aqui vai uma provocação… feminismo também é a linha destacada por uma funkeira cada vez mais conhecida, a Valeska Popozuda, com a sua já clássica “Beijinho no Ombro“. Podem xingar à vontade, mas a atitude dela é muito mais rock´n´roll e corajosa que a de roqueiros já mofados e sem conteúdo, como o Lobão e o Roger Moreira, que há tempos não lançam nada relevante, prestando-se mais a xingar muito no Twitter, com pérolas do obscurantismo despolitizado.

Mas não desanimemos. Os Titãs fizeram um disco bem interessante, recentemente, e ainda temos um gigante como Roger Waters, ex-Pink Floyd, talvez o último grande ativista do gênero. Voz crítica da da sanguinária política israelense, ele é um militante em tempo integral, o que dá um sentido diferenciado à sua arte.

Para concluir, acredito na força da arte, e especialmente na força do artista que consegue exprimir seus sentimentos a sua ideologia através da arte, seja qual for. Música é tudo. Se tiver conteúdo, vai ainda além… 😉