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Chifrinhos do Heavy Metal

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Quem inventou o “chifre do diabo”, ou “devil´s horn”, famoso símbolo do heavy metal, feito com os dedos indicador e mindinho levantados?

Direto do livro “Black Sabbath – a Biografia”, de Mick Wall:

“Quero perguntar algo a você”, Ronnie disse quando nos conhecemos. “O que você acha disso?” Ele levantou a mão direita, fazendo a forma que agora, trinta anos depois, o mundo conhece como a saudação do chifre do demônio. Fiquei perplexo. Nunca tinha visto ninguém fazer isso. Ele levantou a outra mão, e fez de novo, dessa vez com as duas mãos levantadas, como se estivesse se dirigindo à multidão. Ele se levantou e caminhou pela sala, os braços levantados, fazendo os sinais, como se estivesse mandando uma mensagem da mais alta importância. O que, claro, ele estava — ou logo estaria —, quando fez sua primeira aparição no palco como o novo vocalista do Black Sabbath.

Até onde se sabe, Ronnie James DIO, uma das maiores vozes da história do rock, adotou o símbolo para se diferenciar de Ozzy, que fazia o símbolo da paz (dedos em “V”). Dio foi quem popularizou o gesto. Mas não necessariamente o inventou.

Gene Simmons, do Kiss, clama pelos créditos do símbolo, mas ele (o símbolo, não o Gene…) já apareceu no rock anos antes. Mas lá no longínquo ano de 1967, em foto de divulgação do animação “Yellow Submarine”, John Lennon aparece fazendo o gesto.

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Dois anos depois, a satânica banda Coven lançou um disco em que o gesto também aparece, no verso da capa de “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”.

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Porém, foi mesmo DIO quem popularizou o gesto e o transformou em símbolo do metal. Usado por roqueiros e mesmo outra tribos atualmente, a impressão é que o símbolo sempre existiu. Nem se imagina que houve um tempo em que as pessoas simplesmente não faziam os chifrinhos durante um show.

Um gesto semelhante já existia em religiões como o budismo e o hinduísmo, com o nome de Karana Mudra. Era usado para afastar problemas e pensamentos negativos.

Taí, galera. Fiquem com o vídeo de Heaven & Hell, do Sabbath, música do disco homônimo, lançado em 1980:

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Master of Reality – BLACK SABBATH

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Há 43 anos (e um dia) era lançado o terceiro bolachão da banda que inspirou 99% dos grupos de metal que viriam depois (até porque o Sabbath praticamente inventou o estilo). Ozzy Osbourne, vocal, Tony Iommi, guitarra, Geezer Butler, baixo, e Bill Ward, bateria, são os responsáveis por este grande momento da banda.

Master of Reality foi lançado em 21 de julho de 1971, sendo o terceiro disco em menos de um ano e meio. Eles eram extremamente produtivos nos primeiros tempos, além de absurdamente inspirados. O Master é um disco que vem com uma produção bem mais suja que os anteriores (Black Sabbath e Paranoid), e com um punhado de músicas que se tornaram clássicos do rock.

São cerca de 35 minutos de som, apenas. 35 dos melhores minutos do rock setentista, certamente. O álbum abre com a clássica tosse do guitarrista Tony Iommi, antecedendo a porradaria que dá o tom de Sweet Leaf, “folha doce”, que trata, obviamente, da erva favorita dos doidões: a maconha. A faixa seguinte, After Forever, é das mais inusitadas da banda, já que se trata de uma espécie de defesa da religião (e do Papa!). Conhecendo o contexto em que ela foi escrita, é até compreensível. Grupos satanistas seguiam a banda em shows, causando verdadeiro pânico no quarteto de Birmingham (Inglaterra), que tentou se desvincular desses grupos, diversificando os temas das músicas e simplesmente deixando o lado mais sombrio de lado. Ao menos, até certo ponto, pois neste mesmo disco há um pouco de ocultismo.

Passado o surto religioso, temos uma pequena faixa instrumental intitulada Embryo, rápida e sinistra, que serve como abertura para o próximo clássico, Cildren of the Grave, hino obrigatório até hoje nos shows da banda. A letra volta a tratar de guerra, a exemplo de War Pigs, e traz Bill Ward absolutamente inspirado, com uma forte batida de bateria.

Estamos na metade do disco, o que geralmente significa que o melhor já passou. Pois bem, não é o caso aqui, pois caminhamos para Orchid, mais uma faixa instrumental de Iommi, acústica e singela, que abre caminho para uma porrada: Lord of this World, cujo tema é… possessão! Fim da “singeleza”. Além do tema pesado, a música em si arrebenta tudo, entrando com um riff pesadão de guitarra, além da bateria quebrando tudo! O Ozzy parece realmente possuído nessa faixa, com um vocal doentio, levado pelo ritmo da música, boa pra bater cabeça.

Para dar um descanso aos ouvidos (mas não à alma), a sétima faixa é Solitude, uma música em que muita gente chegou a pensar que fosse cantada por outro integrante, de tão diferente a voz do Ozzy aqui. Muito mais grave e contida. A canção é arrastada, em um tom bem baixo, e triste de fazer palhaço se jogar no abismo. Não recomendo para depressivos. Mas eu adoro essa música!

Fechando o disco, Into the Void! Uma música que, para mim, define e resume o Sabbath com perfeição: riff pesado e criativo, ritmo poderoso entre guitarra, baixo e bateria, uma abertura magistral, e a voz de Ozzy rasgando tudo na sequência! Pesada, suja, destrutiva. Tudo que o metal nunca deveria deixar de ser! Um fechamento perfeito para uma era do Rock.