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Master of Reality – BLACK SABBATH

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Há 43 anos (e um dia) era lançado o terceiro bolachão da banda que inspirou 99% dos grupos de metal que viriam depois (até porque o Sabbath praticamente inventou o estilo). Ozzy Osbourne, vocal, Tony Iommi, guitarra, Geezer Butler, baixo, e Bill Ward, bateria, são os responsáveis por este grande momento da banda.

Master of Reality foi lançado em 21 de julho de 1971, sendo o terceiro disco em menos de um ano e meio. Eles eram extremamente produtivos nos primeiros tempos, além de absurdamente inspirados. O Master é um disco que vem com uma produção bem mais suja que os anteriores (Black Sabbath e Paranoid), e com um punhado de músicas que se tornaram clássicos do rock.

São cerca de 35 minutos de som, apenas. 35 dos melhores minutos do rock setentista, certamente. O álbum abre com a clássica tosse do guitarrista Tony Iommi, antecedendo a porradaria que dá o tom de Sweet Leaf, “folha doce”, que trata, obviamente, da erva favorita dos doidões: a maconha. A faixa seguinte, After Forever, é das mais inusitadas da banda, já que se trata de uma espécie de defesa da religião (e do Papa!). Conhecendo o contexto em que ela foi escrita, é até compreensível. Grupos satanistas seguiam a banda em shows, causando verdadeiro pânico no quarteto de Birmingham (Inglaterra), que tentou se desvincular desses grupos, diversificando os temas das músicas e simplesmente deixando o lado mais sombrio de lado. Ao menos, até certo ponto, pois neste mesmo disco há um pouco de ocultismo.

Passado o surto religioso, temos uma pequena faixa instrumental intitulada Embryo, rápida e sinistra, que serve como abertura para o próximo clássico, Cildren of the Grave, hino obrigatório até hoje nos shows da banda. A letra volta a tratar de guerra, a exemplo de War Pigs, e traz Bill Ward absolutamente inspirado, com uma forte batida de bateria.

Estamos na metade do disco, o que geralmente significa que o melhor já passou. Pois bem, não é o caso aqui, pois caminhamos para Orchid, mais uma faixa instrumental de Iommi, acústica e singela, que abre caminho para uma porrada: Lord of this World, cujo tema é… possessão! Fim da “singeleza”. Além do tema pesado, a música em si arrebenta tudo, entrando com um riff pesadão de guitarra, além da bateria quebrando tudo! O Ozzy parece realmente possuído nessa faixa, com um vocal doentio, levado pelo ritmo da música, boa pra bater cabeça.

Para dar um descanso aos ouvidos (mas não à alma), a sétima faixa é Solitude, uma música em que muita gente chegou a pensar que fosse cantada por outro integrante, de tão diferente a voz do Ozzy aqui. Muito mais grave e contida. A canção é arrastada, em um tom bem baixo, e triste de fazer palhaço se jogar no abismo. Não recomendo para depressivos. Mas eu adoro essa música!

Fechando o disco, Into the Void! Uma música que, para mim, define e resume o Sabbath com perfeição: riff pesado e criativo, ritmo poderoso entre guitarra, baixo e bateria, uma abertura magistral, e a voz de Ozzy rasgando tudo na sequência! Pesada, suja, destrutiva. Tudo que o metal nunca deveria deixar de ser! Um fechamento perfeito para uma era do Rock.

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Redeemer of Souls – JUDAS PRIEST

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A jurássica e imortalmente clássica banda Judas Priest lança seu mais novo disco, intitulado Redeemer of Souls, o décimo sétimo álbum de estúdio de sua longa, longuíssima carreira. Não sei se redime o grupo perante os fãs, mas eu particularmente estou gostando bastante. A crítica musical é de uma subjetividade atroz. Se o crítico acordar de mal com a vida e fizer uma resenha de disco ou filme nesse dia, a impressão causada pode ser bem diferente da que poderia ter ficado em um dia melhor. Resenhar discos de bandas clássicas, então, deveria ser terminantemente proibido. Como não é, vamos nos divertir um pouco!

Bem, isso não é exatamente uma resenha, pois não me sinto suficientemente capaz de construir uma. O que tenho a dizer é que o novo trabalho é entulhado dos clichês mais clichezentos do heavy metal clássico. Está praticamente tudo lá: riffs antológicos, bateria ensandecida, peso e ritmo caminhando de forma harmônica, além dos gritos de praxe. Gritos estes que, naturalmente, não são os mesmos de outrora. Rob Halford praticamente perdeu seus agudos, mas continua mandando muito bem nos graves, além de arriscar uns bons gritos na terceira faixa da bolachinha, Halls of Valhalla.

Bem, se é tudo clichê, o disco é uma bela bosta então, correto? Não, não é. Para este que vos escreve, ao menos, não. A primeira impressão até não foi das melhores. A produção me pareceu abafada, Halford não empolga mais, e as músicas parecem um caso patológico de autoplágio. Porém, à medida que fui ouvindo o disco, em um volume digno de metal, senti que a banda está em forma, mantém a qualidade e continua capaz de arrepiar o ouvinte! O disco é, em geral, muito gostoso de ouvir, até viciante. Sem dúvida, muito superior a vários lançamentos de bandas novas que tentam inovar e conseguem apenas se afastar do estilo. É evidente que os caras estão mais velhos, com menos disposição e criatividade, e reciclar ideias parece o caminho natural, na insistência de se manter a banda na ativa. Mas isso não chega a ser demérito. Há muita dignidade no trabalho, e creio que irá alegrar ouvidos menos frescos. De qualquer forma, para os puristas do metal, o disco é uma maravilha, pois trata-se apenas disso: heavy metal. Exatamente aquele que o Judas ajudou a criar, com todos os clichês e idiossincrasias.

Hob Halford é um dos caras mais íntegros do rock, e adapta as canções de forma a manter a qualidade vocal, fugindo dos agudos e de canções rápidas. Natural. Poucos chegam à idade dele com esse nível de produtividade. Nada a reclamar. Eu me limito a agradecer! 🙂